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terça-feira, 23 de junho de 2026

A Casa de Aldán

 

Existem locais que resistem ao tempo. Aldán, na Galiza, um porto piscatório do outro lado de Vigo, realiza o conceito de resiliência. Tem praias perto, mas não é um lugar de veraneio. O pequeno porto mistura a actividade piscatória com embarcações de recreio. Pode-se alugar um passeio pelas rias baixas.

Não era fácil dar com o lugar, mas hoje não é assim. Quem circula pela autopista que liga Vigo a Pontevedra, deve sair na direcção de Cangas logo a seguir à ponte de Vigo. Depois é seguir as placas: Cangas, Bueu e Aldán. Tudo em autovia sem portagens.

Qual é a magia de Aldán? A localização, sempre com ampla vista para o mar, e o silêncio enriquecido pelo som das gaivotas ou dos barcos dos pescadores. Apreciar a actividade do porto e fazer caminhadas pelas redondezas são outros modos de aproveitar o tempo. Mas Aldán tem dois factores imbatíveis: uma pousada e um restaurante.

A Casa de Aldán é um privilégio que se requinta com o passar do tempo.


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O restaurante é uma tasca de peixe e marisco. Tem uma carta com uma dezena de soluções. Está sempre com lotação esgotada. É tudo fresco, grelhado na brasa ou cozinhado no vapor e a preços inacreditáveis. Para se ter uma ideia, os mexilhões, e que mexilhões, que verá nas imagens seguintes são a 4,5 euros a dose e as navalhas, e que navalhas, a 6 euros a dose. Sardinhas, e que sardinhas, a 1 euro cada e por aí fora.


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Post de 10 de Agosto de 2016.

segunda-feira, 22 de setembro de 2025

Por Proust e pelos espaços há muito imaginados

 


Quando regressei à cidade, hoje Maputo, onde nasci e cresci e pouco tempo depois da partida "definitiva", senti uma descida emocional; uma desilusão que inesquecivelmente se esbateu uns três dias depois. E a permanência por trinta dias provocou uma "dor de saudade", talvez por se tornar aguda a consciência da perda, ainda mais intensa do que no primeiro abandono. Ao ler "O essencial sobre Marcel Proust" (apenas digital do autor de uma das obras da minha vida), de Mega Ferreira, percebe-se, escrito como ninguém e com uma inigualável sensibilidade como era o caso de Marcel Proust, que isso não só acontece nos regressos como muitas vezes se repete nas deambulações pelos espaços há muito imaginados. A propósito, José Saramago tem um passagem muito boa na apresentação do seu "Viagem a Portugal": "Viaje segundo um seu projecto, dê mínimos ouvidos à facilidade dos itinerários cómodos e de rasto pisado, aceite enganar-se na estrada e voltar atrás, ou pelo contrário, persevere até inventar saídas desacostumadas para o mundo".