Almeida Santos é uma espécie de receita: quando a hecatombe é um facto, aparece, com uma superioridade só ao alcance de quem enverniza as unhas, a defender os príncipes e os seus salões com um ar de entendido nas diplomacias mais profundas. Há tempos, em 27 de Julho de 2010, aqui, escrevi assim: "algures no final do século passado, Almeida Santos era presidente da Assembleia da República. Lembro-me de em dada altura do seu mandato, ter-se levantado uma polémica à volta do preço dos automóveis de luxo que iam ser adquiridos pelos serviços da casa de democracia. Almeida Santos apareceu, cheio de uma bonomia convicta e com aquela superioridade de quem intui da inevitabilidade da vida dos príncipes e dos seus salões, nos telejornais, a argumentar com a dignidade da representação do estado - José Eduardo dos Santos, por exemplo, não faria melhor -. O exercício de António Guterres começava o seu ciclo descendente: imparável, como se veio a comprovar. O chefe do actual governo chama a Almeida Santos o príncipe da democracia. O conhecido advogado considera o primeiro-ministro com uma espécie de ente supremo. Ora leia o título da notícia e clique no link se quiser saber mais. Realmente, tem estado um calor abrasador."
Desta vez, aparece como psiquiatra do povo. Talvez fosse melhor que algum psiquiatra da nação explicasse a veneração que este advogado recebe dos aparelhistas do actual PS.
Sacrifícios "não são incomportáveis"
"Almeida Santos disse que os sacrifícios que estão a ser pedidos aos portugueses "não são incomportáveis" e salientou que "as crises não são só dos governos, são também do povo". Os sacrifícios que estão a ser exigidos ao povo não são sacrifícios incomportáveis. Oxalá que o país nunca tenha que enfrentar sacrifícios maiores”, afirmou, sublinhando que “as crises não são só do Governo, são do povo e o povo tem que sofrer as crises como o Governo sofre”.(...)"
Fenomenal este texto Paulo!!!
ResponderEliminarEm poses solenes, os arautos da sapiência vêm "sustentar" a crise que vamos pagando. Nada de novo!!!
ResponderEliminarOra...o homenzinho da virgula...
ResponderEliminarSó por respeito ao seu blogue é que não lhe chamo chulo!!!
ResponderEliminarIsto tira-me do sério, carago.
e... (o que é que isso quer dizer?)
ResponderEliminarComo se costuma ouvir na Assembleia da República: muito bem, muito bem!
ResponderEliminarGostava de saber se o Almeida Santos se considera também parte "do povo" e, se sim, que sacrifícios tem ele de sofrer...
Se não se considera do povo, como também não é governo, então que me explique o que é... É que depois partimos para a pergunta se só o governo e o povo têm de sofrer as crises, porque razão, os que não são uma nem outra, não têm?
C-E-R-T-E-I-R-O!!!
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