quinta-feira, 7 de outubro de 2010

11º

 


 


A notícia tem dois ou três dias: os nossos advogados confessam o ambiente corrupto em que exercem a sua actividade. É grave. Surpreendi-me. Quem não se espanta com nada é porque não está vivo.


 


"(...)A advocacia portuguesa é das mais permeáveis ao fenómeno da corrupção a nível mundial, aproximando-se à praticada em países como Paquistão, Rússia ou Nigéria. É a conclusão de um estudo internacional, com base em inquéritos realizados aos advogados. Quando comparado com os restantes parceiros europeus, no que toca ao retrato por regiões, Portugal até nem faz má figura. O cenário só piora quando os advogados portugueses surgem em 11.º lugar num ranking mundial de países, classificados de acordo com as respostas dos seus profissionais: 65% dos inquiridos consideram que, por cá, a corrupção é algo habitual no sector (...)".


 


Se uma boa parte dos advogados trabalha para o estado, conclui-se que também aí a corrupção não nos larga. Estamos ao nível da Rússia, do Paquistão ou da Nigéria.


 


Podemos advogar a crise financeira para explicar o nosso estado de pré-bancarrota. Temos alguma razão. Mas há uma forte componente interna nesta crise que se evidencia no saque ao estado durante décadas por parte de quem se passeia na sombra dos partidos políticos do arco da governação; mas não só. E não há corrupção sem corruptores. Começo a ver muita gente aflita a "sacudir" os privilégios e as mordomias que obteve.


 


É bom que não se aponte o dedo apenas aos cargos políticos. A propalada ética republicana exige duas iniciativas mínimas: limitação de mandatos e parcimónia e honestidade na utilização de ajudas de custos de vária ordem. É com o exemplo que se pode ter autoridade; e nos mais diversos níveis. Para além dos dois princípios enunciados, há um outro mais exigente mas imprescindível: dar o máximo no exercício de funções e não usar os cargos públicos para interesse próprio. O país continua a conhecer inúmeros exemplos de oportunismo. Daí à corrupção ou ao erro grosseiro é apenas um pequeno passo para cada um, mas é uma fatal dor de cabeça para as contas do país. E o pior dos sinais é a sensação de impunidade nos diversos patamares do estado.

4 comentários:

  1. Nomes às coisas... Cada povo tem os chefes que merece. Às vezes nem é exactamente assim, mas as excepções são raríssimas...

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  2. Paulo G. Trilho Prudencio7 de outubro de 2010 às 23:22

    Subscrevo.

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  3. Infelizmente, vota-se sempre nos mesmos 2, 3, 4 ou até 5 do costume.

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