Assisti com desencanto à implementação de um regime comunista. Era jovem, o país alojava-se na alma e a ideia de construir a nação a partir do "zero" acolhia todo o meu entusiasmo. Eliminar a terrível marca do racismo e erguer o local que não existe foi demasiado apelativo. A natureza humana não deixou. Rapidamente uma oligarquia deu lugar a outra e o "povo" passou, novamente, a arma de manipulação. As classes mais informadas e livres tinham dois caminhos: ou se engajavam ou eram esmagadas. Evitar o segundo tinha uma condição: a fuga. Foi o que fiz.
A europa e a pátria da família foi o bom acolhimento. A democracia e a liberdade pareciam valores inquestionáveis. Uma social-democracia ao jeito nórdico desenhava o destino. Por isso o arrepio com o que se passou no nosso sistema escolar nos últimos anos e com os seus dirigentes. A história repetiu-se. Uma intenção oligárquica ao nível do pior da revolução cultural chinesa e um nivelamento para baixo da missão do povo (tudo passou a ser um povo de missionários) que pediu meças a uma qualquer república do estado soviético.
Muito francamente: ainda me custa a acreditar e escusam de dizer que não pesei bem o que escrevi.
Testemunho impressionante.
ResponderEliminarSubscrevo.
ResponderEliminarBelo testemunho Paulo.
ResponderEliminarpara os três.
ResponderEliminarMuito bom! E com sentida amargura!
ResponderEliminarTexto excelente e imagem fabulosa.
ResponderEliminarZeca Afonso : Utopia
ResponderEliminar________________________________________
Cidade
Sem muros nem ameias
Gente igual por dentro
Gente igual por fora
Onde a folha da palma
afaga a cantaria
Cidade do homem
Não do lobo, mas irmão
Capital da alegria
Bravo que dormes
nos braços do rio
Toma o fruto da terra
O teu a ti o deves
lança o teu desafio
Homem que olhas nos olhos
que não negas
o sorriso, a palavra forte e justa
Homem para quem
o nada disto custa
Ser o que existe
lá para os lados do oriente
Este rio, este rumo, esta gaivota
Que outro fumo deverei seguir
na minha rota?