Li algures (fui à procura do sítio e não o encontrei) esta frase (mais ou menos, claro) de Gonçalo M. Tavares: "há pessoas que são doidas porque leram os meus livros todos". Faço parte desse grupo. Escaparam-me as peças de teatro, salvo erro.
Uma viagem à Índia promete. A exemplo de Jerusalém, e de partes dos livros do bairro, dá ideia que estamos na presença de mais uma grande livro. O retorno à memória faz-se partindo de Lisboa - como em Os Lusíadas -, na busca das portas da Índia e na companhia de Bloom; o mesmo, o Leopold, do Ulisses de Joyce (só depois da terceira leitura me senti confortável e porque entre a segunda e a terceira li o Retrato do artista enquanto jovem). Também o Em busca de tempo perdido de Proust inicia a monumentalidade com o regresso ao sabor infantil das madalenas.
Talvez por isso, Eduardo Lourenço escreva: "Uma Viagem à Índia, com consciência aguda da sua ficcionalidade, navega e vive entre os ecos de mil textos-objectos do nosso imaginário de leitores. Como todos os grandes livros, e este é um deles".
Gostei muito de ler: este livro é dedicado a Eduardo Prado Coelho.
Também faço parte dos doidos. Bom retrato de Uma viagem à Índia.
ResponderEliminar