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quinta-feira, 5 de agosto de 2021

Da Política Contemporânea

Li, em tempos, no “Público”, numa interessante rubrica intitulada “"o discurso que nunca foi feito"”, um texto escrito de Gonçalo M Tavares intitulado "“sobre a politica contemporânea”".


Escreveu duas epígrafes, uma de Harold Brodkey e outra de José Bragança de Miranda.


A de José Bragança de Miranda diz assim: "“Sendo a politica um agir livre, tudo pode recomeçar, mas não de qualquer maneira nem em qualquer lugar"”.



"“Tentando ultrapassar a espuma dos dias e ir para além do que é o debate superficial ou a ausência de debate que caracteriza as campanhas”" (texto da responsabilidade da edição do jornal), Gonçalo MT divide o seu pensamento em 10 pontos.

Fiquemos com os dois primeiros.


1 - Na politica contemporânea recomeça-se quase sempre de novo o que se traduz numa violência: iniciar é eliminar o que existia antes. Recomeça-se permanentemente, não por ignorância (do que existia antes), não por oposição absoluta em relação ao anterior (como existe no germe de uma revolução), mas por vaidade.

2 - A politica parece cada vez mais uma administração de palavras e não de coisas. Não se trata já de transportar pesos, de “deslocar” acontecimentos de um lado para outro, trata-se antes, e primeiro, de um transporte de vocábulos.


segunda-feira, 17 de agosto de 2020

A Escola e a Política Contemporânea

A manipulação informativa na política teve um auge com o inesquecível ministro da informação do Iraque no derradeiro governo de Sadam; mas fez escola e a governação nas democracias não é alheia ao fenómeno. Já nem se questiona mudar o que é estrutural; é suficiente manipular com ênfase o discurso na realização do óbvio.


Li, em tempos, no “Público”, numa interessante rubrica intitulada “"o discurso que nunca foi feito"”, um texto escrito de Gonçalo M Tavares intitulado "“sobre a politica contemporânea”".


Escreveu duas epígrafes, uma de Harold Brodkey e outra de José Bragança de Miranda.


A de José Bragança de Miranda diz assim: "“Sendo a politica um agir livre, tudo pode recomeçar, mas não de qualquer maneira nem em qualquer lugar"”.



"“Tentando ultrapassar a espuma dos dias e ir para além do que é o debate superficial ou a ausência de debate que caracteriza as campanhas”" (texto da responsabilidade da edição do jornal), Gonçalo MT divide o seu pensamento em 10 pontos.

Fiquemos com os dois primeiros.


1 - Na politica contemporânea recomeça-se quase sempre de novo o que se traduz numa violência: iniciar é eliminar o que existia antes. Recomeça-se permanentemente, não por ignorância (do que existia antes), não por oposição absoluta em relação ao anterior (como existe no germe de uma revolução), mas por vaidade.

2 - A politica parece cada vez mais uma administração de palavras e não de coisas. Não se trata já de transportar pesos, de “deslocar” acontecimentos de um lado para outro, trata-se antes, e primeiro, de um transporte de vocábulos.


sábado, 11 de abril de 2020

"Um Século Ansioso por Começar Antes do Tempo"

Do díario que Gonçalo M. Tavares está a escrever para o Expresso:



"4 de Abril


(...)


Um drone em cima de cada aluno até o aluno


aprender tudo.


De A a Z e do zero ao infinito.


Se o aluno não aprender, o drone envia um


pequeno choque eléctrico - diz alguém.


Ideia sensata, mas difícil tecnicamente - diz


outro.


Ideias perversas para um novo século que está


ansioso por começar antes do tempo."


Continua.


quarta-feira, 4 de setembro de 2019

Política Contemporânea

 


Li, em tempos, no “Público”, numa interessante rubrica intitulada “"o discurso que nunca foi feito"”, um texto escrito de Gonçalo M Tavares intitulado "“sobre a politica contemporânea”".


Escreveu duas epígrafes, uma de Harold Brodkey e outra de José Bragança de Miranda.


A de José Bragança de Miranda diz assim: "“Sendo a politica um agir livre, tudo pode recomeçar, mas não de qualquer maneira nem em qualquer lugar"”.



"“Tentando ultrapassar a espuma dos dias e ir para além do que é o debate superficial ou a ausência de debate que caracteriza as campanhas”" (texto da responsabilidade da edição do jornal), Gonçalo MT divide o seu pensamento em 10 pontos.

Fiquemos com os dois primeiros.


1 - Na politica contemporânea recomeça-se quase sempre de novo o que se traduz numa violência: iniciar é eliminar o que existia antes. Recomeça-se permanentemente, não por ignorância (do que existia antes), não por oposição absoluta em relação ao anterior (como existe no germe de uma revolução), mas por vaidade.

2 - A politica parece cada vez mais uma administração de palavras e não de coisas. Não se trata já de transportar pesos, de “deslocar” acontecimentos de um lado para outro, trata-se antes, e primeiro, de um transporte de vocábulos.



 


2ª edição 

quinta-feira, 27 de junho de 2019

Não É no Dia Seguinte

 


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Os resultados das políticas públicas não acontecem no dia seguinte, muito menos na educação. Só legisladores nada rigorosos é que consideram o imediatismo. Seria demasiado não avisado, por exemplo, decretar um estilo de ensino para todas as salas de aula. A liderança da sala de aula inclui um número tal de variáveis e complexidades que exige contenção. Nem nos momentos pré-eleitorais se aceitam ligeirezas. Quando um governante, ou até um correligionário partidário, advoga um qualquer "milagre" nas políticas educativas, não deve ignorar um horizonte temporal de uma a duas décadas. Em Portugal, por exemplo, se um governante actual proclamasse um sucesso retumbante na educação, estaria a certificar as proclamadas políticas a não seguir, e por reverter quase na totalidade, dos dois governos anteriores (as organizacionais de Sócrates e as curriculares de Passos Coelho e Portas). Repito a frase que inscrevi recentemente (de Gonçalo M. Tavares): 



"A política parece cada vez mais uma administração de palavras e não de coisas. Não se trata já de transportar pesos, de “deslocar” acontecimentos de um lado para outro, trata-se antes, e primeiro, de um transporte de vocábulos".


segunda-feira, 24 de junho de 2019

Políticas Educativas e Avaliação dos Alunos

 


Aparece-me várias vezes na superfície da mente a frase de Gonçalo M. Tavares: "A política parece cada vez mais uma administração de palavras e não de coisas. Não se trata já de transportar pesos, de “deslocar” acontecimentos de um lado para outro, trata-se antes, e primeiro, de um transporte de vocábulos". O escritor referiu-se à política em geral, mas o transporte pode-se aplicar à política educativa e ao limbo em que caiu a avaliação dos alunos espartilhada entre provas finais e flexibilização curricular. Há toda uma lógica de comités que desenvolverei noutro texto.

quinta-feira, 21 de maio de 2015

Não é uma caça ao animal raro...

 


 


 



"(...)escolher os bons adversários é uma das tarefas mais difíceis, qualquer um pode ser nosso adversário; ao contrário, são poucos aqueles com quem nos cruzamos e que poderiam ser nossos amigos... somos feitos para o desacerto, para os desencontros, encontrar inimigos é a actividade mais fácil do mundo, não é propriamente uma caça ao animal raro;(...)"


 


Tavares, Gonçalo M. (2015:30). "Uma menina está perdida no seu século à procura do pai". Porto Editora. Lisboa.


quarta-feira, 11 de fevereiro de 2015

Gonçalo M. Tavares escreve aos ultraliberais?

 


 


 


 


Há mais de duas décadas que me impressionam os apelos à mobilidade sem fim das pessoas. Sem esquecer que a aldeia deve ser global, a pena do genial escritor toca no humanamente essencial.


 


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Gonçalo M. Tavares (2014:28). "Os velhos também querem viver". Caminho. Lisboa.


 


 


 

segunda-feira, 9 de fevereiro de 2015

Da maioria silenciosa: um retrato genial de Gonçalo M. Tavares

 


 


 


"Não foi o povo que fez o 25 de Abril. Pela maioria silenciosa, essa saturante entidade colectiva, ainda viveríamos numa ditadura com quase um século", disse alguém na TSF a propósito da maioria que, por exemplo, fica "à espera que os outros façam a greve que os benefícios serão para todos" e a propósito da improvável chegada a Portugal dos efeitos Syriza e Podemos. Mas isso é para outro post.


 


Vale mesmo a pena ler o pedaço seguinte de Gonçalo M. Tavares.


 


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Gonçalo M. Tavares (2014:26). "Os velhos também querem viver". Caminho. Lisboa.


 


 


 


 

sábado, 7 de fevereiro de 2015

não há um proust, um joyce, um pessoa ou um kafka?

 


 


 


Ouço muitas vezes a expressão em título sem ser na interrogativa e surpreendo-me. É necessário um distanciamento temporal para uma qualquer conclusão do género. Contudo, e num exercício exorbitante, penso que Gonçalo M. Tavares entrará no cânone.


 


Os seus dois últimos livros chegaram hoje e prometem.


 


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quarta-feira, 1 de janeiro de 2014

dos transportes (e com um pr em estado lastimável)

 


 


 


 


Aparece-me várias vezes na superfície da mente a frase de Gonçalo M. Tavares: "A politica parece cada vez mais uma administração de palavras e não de coisas. Não se trata já de transportar pesos, de “deslocar” acontecimentos de um lado para outro, trata-se antes, e primeiro, de um transporte de vocábulos".


 


Nesse sentido, parece-me possível a tese da repetição da história embora estejamos num tempo que tem muito de inaudito.


 


A economia global transporta problemas novos e a Europa do euro está numa encruzilhada desconhecida. A crise financeira de 2007 deixou o mundo ocidental num estado em que o preço a pagar pelas desigualdades é incomensurável e pode ser brutal. Portugal não escapou a tudo isto e é, como se sabe, uma sociedade viciada em corrupção.


 


Os últimos governos lusitanos usaram a divisão entre grupos (velhos contra novos, públicos contra privados, reformados contra activos e por aí fora) como factores para uma estabilidade governativa que acabou por defender os mais responsáveis pelo estado a que chegámos. É uma sociedade em revolta contida e com todas as características para explodir se os predadores continuarem a saga indiferentes ao sofrimento alheio. Nota-se que há muita gente que não aprendeu a lição. Dá ideia que este simples diagnóstico é intuído até pelo derradeiro documento papal e repetido por algumas figuras da direita portuguesa que já não suportam o despautério de quem governa (e de quem preside) e o chico-espertismo dos seus acólitos. Ao que chegámos, realmente.


 


 

quarta-feira, 30 de janeiro de 2013

do valor das palavras - contraditório

 


 


 


 


 


A escolha das palavras pesa e é decisiva para a construção de um modelo.




Mas a prosápia com que se enunciam "novos" vocábulos é, muitas vezes, risível. Aprecio a evolução linguística, mas vi impreparação modelar na presunção à volta de palavras que fizeram regredir o que existia. Foi o que se passou com a involução semântica na passagem de escolas para agrupamentos e depois para agregações. É uma insanidade usar o mesmo modelo organizacional numa escola não agrupada e, por exemplo, num agrupamento de vinte estabelecimentos de ensino com as mais diversas tipologias.


 


Aparece-me várias vezes na superfície da memória a frase de Gonçalo M. Tavares: "A politica parece cada vez mais uma administração de palavras e não de coisas. Não se trata já de transportar pesos, de “deslocar” acontecimentos de um lado para outro, trata-se antes, e primeiro, de um transporte de vocábulos".

quinta-feira, 23 de fevereiro de 2012

agregações

 


 


 


A prosápia com que se enunciam "novos" vocábulos é, muitas vezes, risível. Aprecio a evolução linguística, mas vejo o ridículo na presunção à volta da descoberta de uma palavra que nada acrescenta ao que existe. É o que se passa com a involução semântica na passagem de agrupamentos para agregações de escolas; na maioria dos casos, nem passam de amontoados. É uma insanidade usar o mesmo modelo organizacional numa escola não agrupada e, por exemplo, num agrupamento de vinte estabelecimentos de ensino com as mais diversas tipologias.


 


Aparece-me várias vezes na superfície da memória a frase de Gonçalo M. Tavares: "A politica parece cada vez mais uma administração de palavras e não de coisas. Não se trata já de transportar pesos, de “deslocar” acontecimentos de um lado para outro, trata-se antes, e primeiro, de um transporte de vocábulos".

quarta-feira, 25 de janeiro de 2012

a educação e a política de transportes

 


Aparece-me várias vezes na superfície da memória a frase de Gonçalo M. Tavares:


"A politica parece cada vez mais uma administração de palavras e não de coisas. Não se trata já de transportar pesos, de “deslocar” acontecimentos de um lado para outro, trata-se antes, e primeiro, de um transporte de vocábulos".



E que vocábulos?

Consideremos quatro: simplescomplicado, fácil e difícil. É voz corrente que simples é sinónimo de fácil e que complicado é sinónimo de difícil. A experiência portuguesa no sistema escolar, associada à má burocracia e aos sistemas de informação, diz-nos: as situações complicadas são fáceis de encontrar e é difícil achar uma solução simples

segunda-feira, 5 de setembro de 2011

concordo com o mec

 


 


A propósito da notícia de um austríaco que abusou durante cerca de 40 anos de duas filhas deficientes e que apesar das visitas semanais da segurança social só foi descoberto aos 80 anos de idade, o MEC teve uma ideia, que classificou de colectivista e demasiado perigosa, que passaria por colocar todas as crianças portuguesas um par de dias sem a família e com a supervisão de especialistas que se encarregariam de registar os seus estados emocional e de relacionamento social. O processo repetir-se-ia de tempos a tempos e faria mais pelo combate ao abandono escolar do que o rol de medidas que enchem as páginas dos jornais e infernizam a vida das escolas.


 


As pequenas crónicas diárias do MEC (Miguel Esteves Cardoso) no Público são uma referência e fazem jus à seguinte frase de Gonçalo M. Tavares: ‎"Entre o livro e a tecnologia, sinto que o livro nos dá o direito de sermos lentos. Que é um direito que devíamos exigir ser quase constitucional."

quarta-feira, 27 de julho de 2011

do bairro II - senhor brecht

 


 


"Esse animal tinha a anatomia de um burro, na parte da frente, e a anatomia de um cavalo, na parte de trás. Como estavam convencidos de que as duas partes de trás (de cavalo) eram bem mais rápidas que as patas da frente (do burro), cada gémeo queria montar a parte de trás do animal, deixando a parte da frente para o irmão. Cada um deles estava convencido de que, em viagem, chegaria primeiro o que estivesse montado sobre as patas mais rápidas." 



Gonçalo M. Tavares

sexta-feira, 8 de julho de 2011

biblioteca

 



 


 


 


"As cabras e o modo como se aproximam de uma fila de erva podem preencher todo o cérebro de uma pessoa inteligente, mesmo que tal facto se passe às sete da tarde. A Natureza não abana com os nossos sustos, a não ser a parte da natureza que o nosso corpo representa.
Uma cabra a pastar, uma vaca a pastar, um boi a pastar, uma ovelha a pastar. E ainda as ervas, e o leve vento que passa por elas. Muitas coisas acontecem na natureza. Com tanta erva e animal a pastar, para quê procurar diversão nas cidades?"



Gonçalo M. Tavares em "Biblioteca"

(1ª edição em 24 de Dezembro de 2008)



domingo, 31 de outubro de 2010

doidos

 


 



 


 


Li algures (fui à procura do sítio e não o encontrei) esta frase (mais ou menos, claro) de Gonçalo M. Tavares: "há pessoas que são doidas porque leram os meus livros todos". Faço parte desse grupo. Escaparam-me as peças de teatro, salvo erro.


 


Uma viagem à Índia promete. A exemplo de Jerusalém, e de partes dos livros do bairro, dá ideia que estamos na presença de mais uma grande livro. O retorno à memória faz-se partindo de Lisboa - como em Os Lusíadas -, na busca das portas da Índia e na companhia de Bloom; o mesmo, o Leopold, do Ulisses de Joyce (só depois da terceira leitura me senti confortável e porque entre a segunda e a terceira li o Retrato do artista enquanto jovem). Também o Em busca de tempo perdido de Proust inicia a monumentalidade com o regresso ao sabor infantil das madalenas.


 


Talvez por isso, Eduardo Lourenço escreva: "Uma Viagem à Índia, com consciência aguda da sua ficcionalidade, navega e vive entre os ecos de mil textos-objectos do nosso imaginário de leitores. Como todos os grandes livros, e este é um deles".


 


Gostei muito de ler: este livro é dedicado a Eduardo Prado Coelho.