O que é que aconteceu entre o último PEC e o recente anúncio de corte nos salários e de aumentos de impostos? Por que é que estão tão caladinhos os actores do arco da governação e só se dá ouvidos aos economistas do regime?
O processo irlandês dá pistas acertadas. O bolha imobiliária não pára de sugar recursos financeiros aos estados e não se sabe o que é feito desse capital.
É certo que o estado social tem problemas financeiros. Basta olhar para o desequilíbrio no sistema e valor das reformas ou pensar na natalidade e na demografia. Mas que ninguém escamoteie: as causas da crise financeira são sobejamente conhecidas e bancos como o BCP, o BPN ou o BPP são parte do problema.
Mas mais: as parcerias público-privado interessam a quem? Ao arco da governação e à sua clientela e ponto final.
O país não aguenta mais este estado de depauperação. Já não se duvida que a corrupção em Portugal é uma praga.
Quem lê alguma blogosfera fica com a sensação que tudo isto mais parece uma história de santos e pecadores. Santos à direita e pecadores no PS e na esquerda.
Resumamos: o financiamento partidário é uma selva e há muitos bolsos individuais a fazer das suas. O economista Silva Lopes afirmou que há gestores a receberem dinheiro vivo em descarada fuga aos impostos. Sabemos quem se passeia na sombra deste PS, mas também conhecemos quem se passeou, e passeia, na órbita deste e do outro PSD (Cavaco Silva que o diga) e a passagem do CDS pelo poder em três anos desta década foi ainda pior do que aquilo que se suspeitava.
O Paulo Guinote, neste post, é muito acertado com o ambiente político à volta da Educação.
"(...) O apoio aos professores e às suas causas era sincero ou uma táctica destinada a potenciar a erosão do PS?
Afinal estavam a favor dos professores ou apenas contra o PS? Eu sei a resposta há tempo suficiente e só a coloco aqui e agora porque os flik-flaks e rodopios de alguns notáveis começam a dar demasiado nas vistas… Porque já há quem recupere o ideário pré-2005-2006 em passo acelerado e se preste a apontar isso como sinal de coerência…
Ahhh… e não me venham com a treta do interesse nacional, que esse, coitado, não teve Novas Oportunidades e não transita da cepa torta há muito."
Um post muito pertinente, Paulo!
ResponderEliminarSubscrevo. Jogadas na sombra bem denunciadas.
ResponderEliminarVAI ACABAR MAL!!!!
ResponderEliminarVai acabar mal, para os contribuintes?
ResponderEliminarResistir, até quando?
É tempo de avançar, vamos a eles.
Uma pequena correcção se me é permitido.
ResponderEliminar"Mas mais: as parcerias público-privado interessam a quem? Ao arco da governação e à sua clientela e ponto final."
Eu diria só "clientala". Os governantes não ganham nada com isso até serem eles próprios clientes.
Em todo o caso um excelente post.
Viva Elenário.
ResponderEliminarBem observado, claro
A isto chamo eu um flik flak.
ResponderEliminarViva Paulo,
ResponderEliminarperguntar não ofende e ninguém tem que sentir-se obrigado a responder mas, face a tamanha evidência, fica a pergunta:
Será que é agora que os professores vão votar Francisco Lopes e para o ano votam PCP, para mudar os políticos e as políticas que desgraçam o país desde 1976?
É que Alegre não corta com as políticas socratinas e o BE dá os seus votos ao candidato do PS que existe, i.é, o PS de Sócrates.
Abraço e coerência
F.
Francisco,
ResponderEliminarA pergunta é pertinente, mas não te esqueças que o Manuel Alegre já foi homenageado na Festa do Avante (palco "tenda de circo" em 2000 ou 2001). Como não estou a ver o PC convidar pessoas suas "inimigas" ou fora da sua esfera de diálogo, não partilho da tua conclusão final. No entanto considero votar Francisco Lopes na 1.ª volta (e com certeza na 2.ª).
Sérgio,
ResponderEliminarNão me parece que tenha escrito algo que permita induzir que Manuel Alegre é um "inimigo do PCP". Nada na sua trajectória pessoal e política o identifica dessa forma.
O que está em causa, no momento actual, é saber se a mudança de políticas, reclamada por tantos portugueses (em especial os professores), não implica uma mudança de protagonistas.
Consequentemente, uma votação expressiva no único partido que há 34 anos luta contra o "estado a que isto chegou".
Para começo votemos Francisco Lopes e com isso daremos um contributo para essa mudança necessária.
Viva meus caros amigos.
ResponderEliminarCheguei há pouco do cinema: 24 City, o filme chinês que retrata do fim do comunismo e a transição para o regime em que agora se vive por lá; muito interessante; o centralismo democrático nasce com boas intenções, mas elimina os ideais de liberdade e de democracia; a condição humana não tem fronteiras, realmente;
Espero acertar os meus ponteiros em matéria de presidenciais. Considero Manuel Alegre um bom candidato, embora "amarrado" a este PS. O candidato Fernando Nobre tem o meu respeito como cidadão. Nada sei sobre os outros candidatos.
Vamos ver como a campanha decorre.
Abraço aos dois.