segunda-feira, 18 de outubro de 2010

Pessimismo Fundamentado

 


Quando vejo dois ex-presidentes elegerem a avaliação de professores como um dos principais exemplos da coma que atingiu o país, entro no estado de "permanente" abanar de cabeça e convenço-me que não temos solução. É falência pela certa. Não tarda uma década e os telejornais abrirão em desespero com a falta estrutural de professores.


Não sei o que Ramalho Eanes e Jorge Sampaio sabem de avaliação de professores. Mas sei que a avaliatite incontinente dos professores situou-se no primeiro lugar das duas ou três causas com que retratam a nossa pré-bancarrota.


Ou seja, as duas ilustres figuras do estado escolheram um modelo comprovadamente inaplicável e incompetente, injusto, despesista, carregado de má burocracia, e que queria medir o imensurável e deixaram para plano secundário o financiamento partidário, os benefícios do estado social, as causas e as consequências da bolha imobiliária, o clientelismo das parcerias público-privado e a reorganização da gulosa traquitana (ia a escrever máquina) do estado. Não. Assim não vamos lá. Acusem-me de corporativo e de estar a ver a coisa em tamanho micro. É nestes pequenos detalhes que se vêem as condições para decidir nos grandes e ponto final. O estado está aprisionado pela cobiça e pela ganância e não estou a insinuar que os dois ex-presidentes se situam nessas categorias humanas.


Espanta-me que estes dois experimentados políticos não se tenham apercebido que a tal avaliatite incontinente entrou nas prioridades da nação pela mão de um primeiro-ministro que usou o assunto como arma de manipulação mediática, com a intenção de segurar os votozinhos e de agradar ao lumpen. A coisa correu muito mal, como se sabe. Podem, os senhores, até nem saber do que falam, mas escolhem e logo em que lugar. O meu pessimismo é fundamentado.

16 comentários:

  1. Aprecio a sua coragem. Continue. Precisamos de vozes assim.

    Emanuel Cardozo.

    ResponderEliminar
  2. Não consigo acrescentar nada ao que já diz, contrariando a "opinionite" que me caracteriza. Obrigada, vou continuar a ler com muito gosto a lucidez, o rigor, a lógica (a meu ver inatacável) com que reflecte sobre estas questões. A sua escrita dá-me alguma esperança.

    ResponderEliminar
  3. Acabei por fazer do comentário um post. Força aí!

    ResponderEliminar
  4. Ainda bem que não vi estes dois marretas. Tenho a certeza que não sabiam nem sabem do que falavam (o que acontece em vários sítios, com várias pessoas e a várias horas do dia). Há muito boa gente que anda a "fumar coisas esquisitas e com graves efeitos secundários." Será que estes também? Pelo sim pelo não, deixei de fumar.
    Começo a ficar muito cansada e algo agoniada com este país.

    ResponderEliminar
  5. "...escandalosos benefícios do estado social..." ???
    Deverá dizer-se "...benefícios (apenas) para os abastados..." como era no tempo da ditadura?

    ResponderEliminar
  6. Paulo G. Trilho Prudencio12 de outubro de 2010 às 21:45

    Viva Maria Simas e Emanuel.

    Obrigado pelas vossas palavras.


    ResponderEliminar
  7. Paulo G. Trilho Prudencio12 de outubro de 2010 às 21:46

    Viva Miguel: já lá vou.

    Viva Bulimundo


    Viva Isabel: muitos fumos, realmente

    ResponderEliminar
  8. Paulo G. Trilho Prudencio12 de outubro de 2010 às 21:48

    Viva Graça Sampaio.

    Claro que me estou a referir aos que depauperam o estado social acumulando reformas altíssimas, por exemplo

    Viva o meu instante: uma pode ajudar?

    ResponderEliminar
  9. EXCELENTE PAULO!!!

    ResponderEliminar
  10. Obrigada pela resposta tão pronta! Obrigada pelo esclarecimento. Mas fico sempre ansiosa (para não dizer medrosa) quando me falam em "falência da democracia". É que a ditadura, aquela, a nossa, salazarenta, pesou muito e, nem por sombras, quero pensar numa repetição.

    ResponderEliminar
  11. Paulo G. Trilho Prudencio12 de outubro de 2010 às 22:00

    Viva Graça.

    Nada que agradecer. Tb não gosto de pensar na vida sem democracia. Já vivemos esse tempo e sabemos como foi. Temos de acreditar e dizer o que nos vai na alma. Estamos numa situação muito difícil. Não soubemos cuidar da democracia.

    Vamos ter esperança. Não podemos baixar os braços.

    Força aí.

    ResponderEliminar
  12. Força mesmo! E continue a "bater". É o mínimo que podemos fazer...
    Abraço

    ResponderEliminar
  13. Joana Ribeiro, Encarregada de Educação12 de outubro de 2010 às 22:40

    O Professor Paulo não é de desistir. Parabéns por tudo.

    ResponderEliminar
  14. Paulo G. Trilho Prudencio12 de outubro de 2010 às 23:13

    Obrigado Joana

    ResponderEliminar
  15. São sempre os mesmo a levar na cabeça.
    Há muito que se adivinhava que íamos afundar. Veio sempre muito dinheiro de fora para investimentos nisto e naquilo e o que os senhores que recebem esses fundos, os GRANDES, porque os pequenos não chegavam lá, faziam vivendas (em vez de estaleiros) compravam carros (em vez de tractores), pagam formações a 43 euros (aos grandes, aos que descem do gabinete) e 15 euros ao povo.
    Aviltam palavrões contra a função pública quando ROUBAM milhões ao estado.
    Que venham os senhores ensinar os nossos contabilistas a poupar gastos, pena que nós, o povinho, tenha de sofrer com tudo isto.
    Que vergonha eu sinto de pertencer a este país de oportunistas, gabarolas, mentirosos politicamente correctos).
    Este anseio pelo poder é tremendo e nefasto. Vai-se para o poder para nada fazer, arranjar emprego aos amigos e LIXAR o povo.

    ResponderEliminar
  16. Paulo G. Trilho Prudencio13 de outubro de 2010 às 16:42

    Vá, força aí Anabela

    ResponderEliminar