Quando vejo dois ex-presidentes elegerem a avaliação de professores como um dos principais exemplos da coma que atingiu o país, entro no estado de "permanente" abanar de cabeça e convenço-me que não temos solução. É falência pela certa. Não tarda uma década e os telejornais abrirão em desespero com a falta estrutural de professores.
Não sei o que Ramalho Eanes e Jorge Sampaio sabem de avaliação de professores. Mas sei que a avaliatite incontinente dos professores situou-se no primeiro lugar das duas ou três causas com que retratam a nossa pré-bancarrota.
Ou seja, as duas ilustres figuras do estado escolheram um modelo comprovadamente inaplicável e incompetente, injusto, despesista, carregado de má burocracia, e que queria medir o imensurável e deixaram para plano secundário o financiamento partidário, os benefícios do estado social, as causas e as consequências da bolha imobiliária, o clientelismo das parcerias público-privado e a reorganização da gulosa traquitana (ia a escrever máquina) do estado. Não. Assim não vamos lá. Acusem-me de corporativo e de estar a ver a coisa em tamanho micro. É nestes pequenos detalhes que se vêem as condições para decidir nos grandes e ponto final. O estado está aprisionado pela cobiça e pela ganância e não estou a insinuar que os dois ex-presidentes se situam nessas categorias humanas.
Espanta-me que estes dois experimentados políticos não se tenham apercebido que a tal avaliatite incontinente entrou nas prioridades da nação pela mão de um primeiro-ministro que usou o assunto como arma de manipulação mediática, com a intenção de segurar os votozinhos e de agradar ao lumpen. A coisa correu muito mal, como se sabe. Podem, os senhores, até nem saber do que falam, mas escolhem e logo em que lugar. O meu pessimismo é fundamentado.
Aprecio a sua coragem. Continue. Precisamos de vozes assim.
ResponderEliminarEmanuel Cardozo.
Não consigo acrescentar nada ao que já diz, contrariando a "opinionite" que me caracteriza. Obrigada, vou continuar a ler com muito gosto a lucidez, o rigor, a lógica (a meu ver inatacável) com que reflecte sobre estas questões. A sua escrita dá-me alguma esperança.
ResponderEliminarAcabei por fazer do comentário um post. Força aí!
ResponderEliminarAinda bem que não vi estes dois marretas. Tenho a certeza que não sabiam nem sabem do que falavam (o que acontece em vários sítios, com várias pessoas e a várias horas do dia). Há muito boa gente que anda a "fumar coisas esquisitas e com graves efeitos secundários." Será que estes também? Pelo sim pelo não, deixei de fumar.
ResponderEliminarComeço a ficar muito cansada e algo agoniada com este país.
"...escandalosos benefícios do estado social..." ???
ResponderEliminarDeverá dizer-se "...benefícios (apenas) para os abastados..." como era no tempo da ditadura?
Viva Maria Simas e Emanuel.
ResponderEliminarObrigado pelas vossas palavras.
Viva Miguel: já lá vou.
ResponderEliminarViva Bulimundo
Viva Isabel: muitos fumos, realmente
Viva Graça Sampaio.
ResponderEliminarClaro que me estou a referir aos que depauperam o estado social acumulando reformas altíssimas, por exemplo
Viva o meu instante: uma pode ajudar?
EXCELENTE PAULO!!!
ResponderEliminarObrigada pela resposta tão pronta! Obrigada pelo esclarecimento. Mas fico sempre ansiosa (para não dizer medrosa) quando me falam em "falência da democracia". É que a ditadura, aquela, a nossa, salazarenta, pesou muito e, nem por sombras, quero pensar numa repetição.
ResponderEliminarViva Graça.
ResponderEliminarNada que agradecer. Tb não gosto de pensar na vida sem democracia. Já vivemos esse tempo e sabemos como foi. Temos de acreditar e dizer o que nos vai na alma. Estamos numa situação muito difícil. Não soubemos cuidar da democracia.
Vamos ter esperança. Não podemos baixar os braços.
Força aí.
Força mesmo! E continue a "bater". É o mínimo que podemos fazer...
ResponderEliminarAbraço
O Professor Paulo não é de desistir. Parabéns por tudo.
ResponderEliminarObrigado Joana
ResponderEliminarSão sempre os mesmo a levar na cabeça.
ResponderEliminarHá muito que se adivinhava que íamos afundar. Veio sempre muito dinheiro de fora para investimentos nisto e naquilo e o que os senhores que recebem esses fundos, os GRANDES, porque os pequenos não chegavam lá, faziam vivendas (em vez de estaleiros) compravam carros (em vez de tractores), pagam formações a 43 euros (aos grandes, aos que descem do gabinete) e 15 euros ao povo.
Aviltam palavrões contra a função pública quando ROUBAM milhões ao estado.
Que venham os senhores ensinar os nossos contabilistas a poupar gastos, pena que nós, o povinho, tenha de sofrer com tudo isto.
Que vergonha eu sinto de pertencer a este país de oportunistas, gabarolas, mentirosos politicamente correctos).
Este anseio pelo poder é tremendo e nefasto. Vai-se para o poder para nada fazer, arranjar emprego aos amigos e LIXAR o povo.
Vá, força aí Anabela
ResponderEliminar