Foi um sábado de cinema. As salas do King, em Lisboa, são uma dádiva. Por vezes, o difícil é escolher. O filme de Xavier Beuavois é sublime.
Em 1996, sete monges franceses, católicos, são raptados e assassinados (factos verídicos) quando edificavam uma comovente obra social no magrebe argelino. Do planalto onde se ergueu o mosteiro ou das habitações islâmicas que ocupavam a encosta, assistia-se à mais deslumbrante das paisagens. A coabitação era perfeita e uma homenagem aos espíritos ecuménicos (não é por acaso que em França, o filme de Beuvois venceu prémios ecuménicos e de Educação nacional).
O mergulho na beleza é interrompido pela luta fratricida entre um governo corrupto e um grupo de extremistas islâmicos. A tragédia final é demasiado penalizadora. Os espectadores que assistiram à mesma sessão, receberam o ponto final com um espontâneo e veemente aplauso. Coisa que nunca tinha visto por ali.
Saí da sobriedade e da extrema qualidade do King para confrontar-me com a exuberância de meios e o show business do Estoril Film Festival 2010. Contrastes que fazem o mundo em que vivemos.
demais;
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