Os católicos, mesmo os mais ecuménicos, carregam a culpa até chegarem a uma espécie de nirvana; por norma e uma vez lá chegados, escudam-se no confessionário ou na alteridade.
Um canal de cabo passou uma reportagem com um comício de Passos Coelho no norte interior. O presidente do PSD apontou Manuel Alegre como um perigo para a consolidação dos estrangulamentos que se avizinham. E avisou: "os cortes têm de ser aplicados no sector público, mas também no privado". E sentenciou: "claro que a culpa é do sector público e o privado é que vai sofrer com isso".
Deu-me vontade de rir. A sério. Para este candidato a primeiro-ministro, o descalabro BPN e afins é apenas consequência da existência de sector público. É provável que argumente do mesmo modo para o financiamento partidário do arco-do-poder que aprisionou a democracia.
É antigo. A nossa direita mais conservadora e tacanha, a exemplo de muita esquerda envergonhada e preenchida por complexos de édipo, não tem remédio. Despreza a dignidade de quem exerce funções no sector público, mas alimenta-se de forma despudorada do orçamento do estado.
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