Até pode ser positivo diversificar os credores da dívida, embora ter esse peso nas mãos de regimes não democráticos possa ter custos futuros impensáveis. Ainda ontem fiz um post em que escrevi assim: "Quando os cidadãos não acreditam no que diz o primeiro representante do governo, a democracia tem um sério problema. É grave e não se deve esperar que o tempo opere milagres. Basta olhar para o que aconteceu na Itália na última década: a democracia e o país entraram em crise profunda e os eleitores teimaram em escolher o principal responsável. Não sei se sairão das trevas sem uma séria convulsão."
Hoje, na notícia sobre o tema, lemos declarações do ministro dos negócios estrangeiros a contradizer o chefe do governo. É grave. Não se falam ou então há mais qualquer coisa no meio disto.
Luís Amado diz que Portugal está a tentar vender dívida no Qatar
O ministro dos Negócios Estrangeiros, Luís Amado, disse à SIC que Portugal está a tentar vender dívida soberana a investidores deste país. Horas antes, Sócrates garantiu o contrário.
É claro como a água: a missão de Luis Amado é a de introduzir rumores "inoficiais" mas credíveis com o intuito de fazer transparecer a determinação de Portugal a procurar ajuda económica fora do Fundo Europeu ou do FMI. O charme de querer fazer passar a notícia como um "deslize" é premeditada e de espontaneo nada tem (ou pensam mesmo que o homem é assim tão burro??). É o montar de um esquema para tentar salvar o país das pressões europeias de que tem sido alvo, mostrando aos mercados: se não nos emprestam o dinheiro, não é o fim do mundo para nós. É uma cartada arriscada, se irá funcionar ou não, o tempo o dirá!
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