Era fundamental que os responsáveis pelo sistema escolar conjugassem o verbo eliminar em vez do acrescentar com o auxiliar reformar. A conjugação febril dos dois últimos durante duas décadas recheadas de eduquês e de excesso de garantismo (ou infantilização), construiu uma traquitana infernal de má burocracia que será difícil derrubar de modo a libertar o ensino.
Quando uma lógica FMI se quer impor, nem que seja apenas através de uma promessa fantasmagórica que esmague da classe média para baixo, os cortes a eito fazem o seu caminho. É justo e natural que os cortados se queixem.
Há dois aspectos que bradam mais aos céus:
- os outrora "afastados" (era com as outras nêsperas) da escusada, e pouco fina, luta dos professores, aparecem desta vez munidos de manifestações, petições, cooperações estratégicas em campanha e providências cautelares;
- o governo do mesmo partido político que em 2006 cortou sem apelo nas reduções da componente lectiva dos professores, repôs as "benesses" no ano eleitoral de 2009 mesmo que com a bancarrota já anunciada, para agora recolher de novo o despesismo.
O mais penalizador de toda esta desmiolada forma de desgovernar é verificar que estamos há cinco anos em processo de destruição e com a ideia de que já ninguém consegue conjugar o saudável construir. E depois, começa a irritar que os cortes protejam tudo o que se relaciona com as máquinas (sem eufemismo) partidárias.
Ministério da Educação quer suspender todos os projectos nas escolas
"Todos os projectos desenvolvidos pelas escolas - do desporto escolar aos clubes, planos de acção e tutorias - podem desaparecer. A suspensão consta da proposta de despacho de organização do ano lectivo que o Ministério da Educação enviou a associações e sindicatos.(...)"
Mouche!!!
ResponderEliminarC-E-R-T-E-I-R-O- sorry
ResponderEliminarTem razão e ponto final. As nêsperas aflitas dava um bom título deste filme.
ResponderEliminarPaulo
ResponderEliminarTambém li esta notícia e há algo que me escapa: o governo quer cortar os projectos, porquê, se eles se fazem na componente não lectiva? ou ainda há alguns que se fazem na componente lectiva? Se me esclarecer agradeço.
Viva.
ResponderEliminarHá uns quantos, desporto escolar, coordenadores de departamento e outras reduções para cargos de direção ou assessorias que estão na componente lectiva. Por outro lado, há uma série de projetos que entram nas horas da componente não lectiva que são também destinadas a substituições e apoios a alunos. Uma coisa de doidos; absolutamente. A gestão de recursos humanos está de na rua e de rastos.
Bem, Paulo, se formos por aí,então as horas de componente lectiva ficam vazias? lol.
ResponderEliminarHá aqui algo que não bate certo.
E também lhe digo, eu sou a favor do desporto escolar,é claro,até porque o desenvolvimento físico perdido não se recupera mais tarde. Há competências intelectuais que se podem desenvolver em adultos e compensar de algum modo o "tempo perdido".
Mas é bom recordar,Paulo,que aulas de apoio e PLNM já são leccionadas em horário não lectivo. E são aulas mesmo a sério e mais difíceis. E para alunos não motivados,em geral. Comparativamente, o DE estava privilegiado. Cá por mim, o que se devia fazer era aumentar a carga horária de EF, construir os prometidos ginásios e alargar o programa da disciplina,pois pelo que vejo, na maior parte dos casos os alunos praticam jogos de bola na maior parte do tempo. E suponho que EF é muito mais do que isso.
Compreendo a angústia dos profs de EF, mas aos das outras disciplinas acontece o mesmo. E quanto ao trabalho de acompanhar alunos ao fim de semana para competições,é preciso que se diga que muitos profs já passam fds e noites a ver textos, composições, testes e outros trabalhos escritos.
Isto foi apenas um ponto de situação. Pela nossa unidade.
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Viva Maria Fernanda
ResponderEliminarSão tudo questões muito pertinentes. Tarda uma verdadeira autonomia com responsabilidade mesmo e uma sociedade comprometida mesmo com e educação das crianças e dos jovens. Do modo como vamos, passamos a vida a percorrer círculos e a discutir os mesmos constrangimentos. A organização não é, definitivamente, um valor precioso para os portugueses. Só fazem alguma coisa nesse sentido quando se vêem apertados.