segunda-feira, 21 de março de 2011

claro

 


 


Este post do Ramiro Marques, donde tirei as afirmações de Licínio Lima que vai ler mais à frente, refere uma evidência: a ideia de amontoar, vulgo agrupar, escolas é má, só encontra apoio em financeiros desconhecedores da realidade escolar e reúne já um número considerável de argumentos desfavoráveis.


 


A epifania tem efeitos ainda piores se estiver associada a um modelo de gestão escolar que possibilite a eliminação da eleição democrática nos órgãos intermédios. Escrevi possibilidade propositadamente, já que o facto da maioria das direcções não terem optado pela eleição (ou se o fizeram foi de forma envergonhada) é revelador de uma nefasta mentalidade e explica uma boa parte da nossa babilónia administrativa, da nossa apetência para o caciquismo e da consequente falência financeira. A democracia quando não é desejada deve ser imposta e nunca o contrário.


 


Os agrupamentos de escolas são nefastos para as partes envolvidas; todas perdem. As escolas pequenas regressam a um estádio anterior ao das delegações escolares, as escolas sede vêem-se mergulhadas em problemas e correm o risco de verem os lugares de direcção ocupados por professores exteriores ao estabelecimento de ensino e desfasados da história e da cultura organizacional vigente.


 


Esta desastrosa tendência do ME de recorrer a CAP´s para a colocação de boys, de gente-de-mão ou de sei-lá-o-quê, é um comportamento revelador do pior que tem a nossa sociedade como relata o seguinte comentário no post da desmobilização à irresponsabilidade: "(...)Na EB23 (teip desde a criação), os problemas agudizaram-se. A EB23/Secundária (tem 2.º ciclo), onde está a CAP (todos de fora, nomeados pela DREN), está um horror, tudo a fugir para a reforma (14 desde Setembro), manobras para a eleição do director... até a associação de antigos alunos se viu impedida de realizar o habitual almoço anual.(...)"


 


A propósito da criação de agrupamentos, e é bom que se sublinhe que já existem amontoados desde o início do milénio e não apenas na versão agora denominada de mega ou giga, Licínio Lima faz a seguinte afirmação:

 

"O papel deste tipo de agrupamentos [mega-agrupamentos verticais], e muito especialmente das suas sedes, será decisivo e poderá representar um obstáculo acrescido a uma governação mais democrática, participada e autónoma, não apenas de cada escola agrupada mas também, paradoxalmente, do próprio agrupamento e da sua respectiva sede. 

 

Agora certamente mais poderosos e influentes em termos de gestão relativamente às suas subunidades, mas simultaneamente mais dependentes, mais subordinados e eventualmente cooptados perante as direcções regionais e os departamentos centrais. Radicalizando-se, desta feita, a desconcentração administrativa, aumentar-se-á o controlo sobre os processos educativos e pedagógicos e, plausivelmente, a alienação do trabalho escolar."

 

In Administração Escolar: Estudos.

Porto Editora, 2011, p. 11

 

16 comentários:

  1. Fausto Viegas (Norte)21 de março de 2011 às 21:09

    Claríssimo, carago. O norte, com essa DREN à cabeça, está a tornar-se ingovernável e a desmobilização entra pelos olhos dentro.

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  2. Rui Rodrigues, Amadora21 de março de 2011 às 21:27

    Vou imprimir e afixar. Obrigado.

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  3. Quem trabalha nessas condições reconhece com facilidade os estragos que vão acontecendo. O processo de criação de mega-agrupamentos de escolas tem vindo a alastrar um pouco por todo o país um movimento de contestação e rejeição. Por outro lado, este excelente texto levanta uma interrogação fundamental: Quem tem medo da democracia?

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  4. Parece ter havido um recuo temporário na decisão de encerrar escolas básicas dos 2º e 3º ciclos. É uma coisa que mexe com os alunos, ou seja, com as famílias dos alunos, ou seja, com os votos.

    Já há directores de agrupamentos a serem chamados às direcções regionais, para tomarem conhecimento da “onda”. Um exemplo: Mangualde, no distrito de Viseu, tem 3 agrupamentos, cada qual com um número razoável de alunos; os 3 directores já foram à DREC para lhes ser lida a “cartilha”; fundir-se-ão num único mega-agrupamento! A bem de… de… não sei de quê!

    Aparentemente, a sorte baterá à porta da maioria dos concelhos do país, numa “onda” de fusões. É estranho isto ainda não circular pelos blogues e não ser notícia na comunicação social.

    Os mega-agrupamentos criarão desemprego e, muito provavelmente, muita confusão. Ainda não se sabe em que moldes funcionarão, nem qual será o grau de autonomia de cada estabelecimento.

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  5. São os custos, claro, que sustentam a necessidade dos Mega. Um argumento importante. Mas importa ponderar vantagens e desvantagens, princípios e valores envolvidos nas opções. Qualquer mudança, mesmo para melhor, implica sérios prejuízos.
    A opinião que aqui está é a do Licínio a pedir uma leitura mais atenta do livro.

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  6. Não percebi o seu comentário. Considera os Mega uma mudança para melhor?

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  7. O modismo esvaiu-se num ápice. Não estava fundamentado e só reduz custos fechando escolas em aldeias e vilas e obrigando crianças a quilómetros diários para a frequência escolar.

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  8. Trapalhada e ponto final. Os directores comem e calam de forma vergonhosa e agarrados aos lugares.

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  9. "Hoje na Escola da Freixianda foi a reunião geral de professores com a nova CAP. À parte a conversa esperada do “pertencemos todos à mesma equipa” e “a lei é para cumprir”, dois momentos se destacaram:

    O primeiro foi quando os professores quiseram saber o currículo da nova direcção. Começaram por se recusar terminantemente a responder a isso e mandaram os interessados perguntar à DREL. Perante a insistência, resolveram responder que na verdade nenhum dos membros tem qualquer experiência em gestão escolar, embora a nova presidente tenha uma pós-graduação nessa área.
    O segundo momento foi quando declararam que, seguindo indicações da DREL, todos os órgãos se mantinham em funções, excepto o Conselho Executivo demitido e que, devido à falta de experiência da nova equipa, a presidente cessante passava a assistir como convidada às reuniões do Conselho Pedagógico! Para ajudar! A vice-presidente cessante pediu então que essa informação fosse confirmada por escrito, porque contradizia a informação prestada presencialmente pela mesma DREL, na reunião da semana passada, segundo a qual todos os órgãos cessavam funções com a exoneração do Conselho Executivo.
    Está instalado o circo!

    Um pormenor interessante para se aferir a estratégia: para já, a palavra de ordem é serenidade e só no início do próximo ano lectivo é que tentarão formar o CGT, depois da mobilidade de professores decorrente do concurso. Em raciocínio directo, isto significa que do actual corpo docente não esperam grande colaboração nesta matéria, e tentarão a sorte com os novos colocados ainda não corrompidos pela peste da resistência.

    Um(a) professor(a) do Agrupamento"

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  10. Boa noite a todos.

    Obrigado por comentarem.

    Só uma coisa para o CAPcioso: esta informação não é antiga?

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  11. Haja quem diga as verdades...

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  12. Paulo G. Trilho Prudencio22 de março de 2011 às 00:29

    Vale a pena ler Luís; limitei-me a detalhar o que Licínio Lima enuncia

    Rui Ferreira: tenho ideia que o Luís não tem uma ideia formada sobre o assunto, a não ser a que engloba a vertente financeira. Mas ele o dirá.

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  13. Paulo G. Trilho Prudencio22 de março de 2011 às 00:30

    Abraço Joana

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  14. O "nosso" Redes que se ponha a pau. Qualquer dia está a trabalhar na DREL ou no ME!

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  15. AI AS EQUIPAS DE APOIO ÀS ESCOLAS... AI AS ESCOLAS PROFISSIONAIS PÚBLICAS QUE PODEM OU NÃO SEREM AGRUPADAS... AI AS DREs... ai Agosto-...-.

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