Quando aconteceu o 25 de Abril de 1974, o sistema escolar apresentava números de escolaridade que envergonhavam. A centralização era asfixiante, os directores das escolas eram nomeados pela tutela, o número de professores do quadro era residual e a maioria dos docentes tinha um vínculo precário e não passava de um patamar salarial inferior ao início da carreira.
Vinte e cinco anos depois, os números da escolaridade tinham melhorado significativamente, as escolas tinham consolidado os primeiros passos rumo à autonomia e os quadros de professores garantiam alguma estabilidade e progressividade na carreira.
Com a entrada no novo milénio os portugueses perceberam que tinham consumido muito para além das suas posses, os 25 anos de progresso no sistema escolar não tinham consolidado a ideia de que se a Educação é cara é só experimentar voltar à ignorância e os governos não estiveram com modas: corta-se a eito na Educação.
2005 foi um marco desgraçado nesse sentido. A um primeiro-ministro obstinado e com maioria no parlamento, juntou-se a cooperação estratégica de um presidente da República centralista e retrógrado e uma opinião publicada pronta a aplaudir ao ouvir a palavra reforma. Uma combinação fatal.
Se nada se fizer em contrário, quando se comemorarem os 50 anos do 25 de Abril estaremos no mesmo sítio em que estávamos no dia anterior à revolução dos cravos: números do abandono escolar deprimentes, centralização asfixiante, directores das escolas nomeados pela tutela, número residual de professores do quadro e a maioria dos docentes com um vínculo precário e a não passar de um patamar salarial inferior ao início da carreira. Se é isto que os governantes, os actuais e os prováveis sucessores, conseguem imaginar, é caso para dizer que não nos sabemos mesmo governar e deslocalizámos mais uma vez a poesia e a utopia.
Ps: no final da primeira década do milénio, e derivado da crise financeira, o governo tentou animar a economia com um programa financeiramente desastroso de requalificação das escolas secundárias. Teme-se que 20 anos depois, essas escolas continuem a acumular dívidas avultadas para garantir a manutenção de edifícios construídos com parcas condições de durabilidade e com elevados custos de climatização.
LUCIDEZ!!!
ResponderEliminarObrigado
ResponderEliminarCompletamente de acordo! Por acaso comecei a dar aulas antes do 25 de Abril...e depois de 2005 as semelhança são mais que muitas.
ResponderEliminar(antes também se resistia)
É o total regresso ao passado.
ResponderEliminarJá sei que vais gozar comigo, mas...."só tenho pena de não ter ido para o Magistério com o 5º ano!" A esta hora estava bem longe daqui.
Impressionante
ResponderEliminarTens razão em clamar por justiça, Isabel. Hoje impressionou-me a decisão do nosso colega e amigo José Mota.
ResponderEliminarÉ verdade. Há muito que ele demonstra uma revolta imensa com tudo o que se refere à Educação e à escola pública. Como todos nós. Acho que ele atingiu o limite. Ou eu me engano, ou outros se lhe seguirão em breve.
ResponderEliminarVou a seguir. Não suporto mais tanta mediocridade.
ResponderEliminarA vaidade intelectual é de todas as vaidades, a que a mim parece mais insensata, e sem outro préstimo, que não seja o de ridicularizar quem a ostenta...
ResponderEliminarEnfim "amigo", se realmente "Não suporto mais tanta mediocridade", porque ostenta a sua sem a mínima contenção.
Fica bem, fica feliz!
beijos, beijos,
Não me lembro de tanta crispação. Há muitos professores que se põem a jeito, mas é bom não perdermos de vista os principais mentores e as políticas mais nefastas.
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