O Paulo Jorge Bettencourt Girão é um amigo que frequentava a nossa casa e que a meio da universidade foi fazer um Erasmus à Noruega e que por lá ficou ligado à investigação em bioquímica, salvo erro; já lá vai quase uma década e o Paulo Girão conhece bem os países nórdicos e o exemplo islandês.
É, portanto, uma pessoa bem informada e que está numa situação privilegiada para estabelecer algumas comparações. Encontrou-me ontem no facebook e fez uma série de comentários a este post sobre a Islândia através desta entrada no facebook. Vale mesmo a pena ler.
"O exemplo islandês tem sido utilizado muito nos ultimos tempos. Mas também gostave de sublinhar um par de factos acerca do povo islandês.
a) a populacão é muito pequena e, basicamente, toda a gente conhece toda a gente na ilha. Deste modo, é mais fácil atingir consensos de opinião e de accão.
b) nos países escandinavos há, em muito maior grau do que em qualquer outra parte do mundo, um elevado sentido de coesão e respeito cívico e social. Deste modo, o sistema político islandês, sueco, norueguês e finlandês é, em raiz, socialista puro e duro. O pessoal paga impostos muito altos (chega a atingir 50 % na Dinamarca), mas há um alto nivel de transparência governamental e confianca entre as pessoas e entre os governantes e os governados. O governo é, verdadeiramente, uma instituicão publica com o fim de servir os seus cidadãos.
c) o pessoal nos países escandinavos é liberal, tolerante e bastante pragmático. Saberá o comum dos portugueses, por exemplo, que a primeira-ministra islandesa é abertamente lésbica (a primeira no mundo)? Se fosse em Portugal, nunca seria eleita (por causa da sua "falta de moralidade"!).
d) na cultura escandinava impera um principio chamado "janteloven". É dificil de traduzir, mas significa que é considerado saloio (ou pouco respeitoso) o pessoal exibir riqueza ou estatuto social (no sul da europa é quase o oposto). Embora tendo um dos níveis de vida mais elevados do mundo, na Noruega tem-se o parque automóvel mais velho da europa. Um par de sapatos, quando comprado, é para durar 10 anos.
Em resposta ao Pedro Antunes: eu concordo (creio eu) com a tua opinião. Mas acho dificil mudar a mentalidade da populacão portuguesa num ápice. O socialismo escandinavo funciona, na sua essência, na escandinávia. Parece-me dificil implementar o mesmo sistema noutras partes do mundo. (P.S.: eu vivo na Noruega desde 2002, daí o meu comentário)."
Mantenho a mesma opinião que já defendi anteriormente. O mal do sistema está nos corruptos, lá ao menos os contribuintes sabem para onde vai o dinheiro. E por cá? Os nossos impostos servem apenas para engordar alguns em particular e empobrecer os restantes cidadãos.
ResponderEliminarQuase sempre digo: Ainda bem que há "gente das altas esferas" que lê este blog. Mesmo sabendo que nada muda, pelo menos ficamos a saber que eles sabem que nós sabemos como eles são corruptos.
ResponderEliminarNós, que tanto queremos copiar dos nórdicos, que tal começar pela transparência?
Uma boa terapia para os descontentes.
ResponderEliminarMilitem num partido de poder, frequentem os congressos e as frustrações desaparecerão!
E a montanha pariu um rato! Mas concordo plenamente que era por aí que se deveria começar.
ResponderEliminarPariu um rato porquê?
ResponderEliminarNa Mouche... Somos uns tristes e corruptos e o resto é conversa.
ResponderEliminarPopular Sovereignty defines democratic polities and applies in each Member State of the European Union: in Substance if not in Form, as in those States that are Constitutional Monarchies; and as a matter of Right if not always, or fully, of Fact.
ResponderEliminarHowever, the Principle of Popular Sovereignty fails to apply to the European Union, either in Substance or in Form; nor does it apply either as a matter of Right or of Fact. The European Union is thus a Polity that lacks a legitimate Sovereign.
When the sovereign citizens of the Member States are required to cede increasingly large parcels of their Sovereignty to the Union, such parcels do not devolve on an equally legitimate European Sovereign; nor are they shared, as alleged, with the Peoples of other States, since no State’s electorate is represented in the democratically elected Institutions of any other State.
Sovereignty devolves, instead, on lobbies, technocracies, bureaucracies or, at best, on political institutions so far removed from the original sources of their legitimacy as to become, for any practical purposes, illegitimate. This inchoate, anonymous and unnamed pseudo-Sovereign is free to impose its Treaties, Laws and Directives upon each citizen of each Member State; to deliberately cloak these Treaties, Laws and Directives in such opaque language as to render them incomprehensible even to highly educated and well-informed Europeans; and, worst of all, to impose them on each Member State, by means that circumvent and defraud the known or presumed will of the Sovereign.
In so doing, the present leaders of the Union betray the original purpose of its Founding Fathers. Prosperous and decent societies seem increasingly out of reach; and even the avoidance of War on European ground appears increasingly uncertain.
The preceding considered:
We, the Peoples and the People of the Union, constitute Ourselves Sovereign over Our common Polity, as We already are over each Member State;
We remind Our elected officials that their powers are exercised in Our name, and not in anyone else’s;
We demand the establishment of such Institutions as are needed for the good and legitimate governance of the Union, namely:
A full-powered Legislative Branch consisting of two Chambers, through which the Peoples and the People of the European Union can exercise their Right to adequate Representation;
An Executive Branch accountable to the Legislative;
And a proper Judicial Branch with the full powers and competencies attendant to a democratic Polity.
We remind the Union’s non-elected officials of their non-elected status; the Common Good which they serve is defined and determined by the Sovereign through its elected bodies; any professional, scientific or theoretical authority which Our Public Servants bring to their functions is to be used in the pursuit of the Common Good as a political given, not in its definition or determination.
Namely, the Economic Governance of the Union shall pursue the Common Good as defined by the Sovereign. Macroeconomic considerations are to be regarded as a means to this end, and not as ends in themselves. Much less shall a single macroeconomic criterion, such as the control of inflation, be isolated from the others and regarded as the sole purpose of all economic governance. Human Laws govern matters of Right, not of Fact; no scientific or theoretical proposition, however contested or uncontested, shall be subject, to its detriment or benefice, to any form of legal or constitutional validation. This prohibition applies to Economics as much as to any other branch of Knowledge.
We declare null and void, and denounce as usurpations, all Treaties, Laws and Directives, as well as any isolated clauses thereof, that violate the Spirit or the Letter of this DECLARATION, defy the Sovereignty of the People, or seem designed to circumvent, defraud or thwart the Will of the Sovereign; and announce Our determination to fight
Porque os outros continuam a monte! Ninguem lhes pode ou quer deitar a mão para apanhá-los.
ResponderEliminarExemplos? -:)
ResponderEliminarAlguma gente das altas esferas.
ResponderEliminarNomes? -:)
ResponderEliminarSugiro-lhe que leia os jornais e ouça os telejornais e veja os arguidos que estão ligados aos casos mais emblematicos!Os que têm dinheiro em paraisos fiscais, os que enriqueceram à nossa custa, a quem beneficia as leis...
ResponderEliminarEu não ando de punho fechado. Trago as mãos abertas: numa não trago nada e na outra coisa nenhuma. E ponto final.
E os nomes?-:)
ResponderEliminarA 5 de junho os portugueses irão responder-lhe à sua questão.
ResponderEliminarEstou mais descansada. E os nomes?-:)
ResponderEliminarOs irmãos Metralha, o Patinhas , o Pluto...
ResponderEliminarSo agora reparei desta vossa troca. Realmente Rute, os nomes são tantos que o José carlos jacinto escolheu os mais cool
ResponderEliminarE o Michey Mouse?
ResponderEliminarEsse está do lado dos bons... mais o Huginho, o Zezinho (não esse do congresso) e o Luisinho.
ResponderEliminarE a esposa do Donald?
ResponderEliminarTambém vivo na Noruega há cerca de oito anos, o meu marido é norueguês e acho que posso dizer que aprendi a conhecer bem os escandinavos.
ResponderEliminarA este comentário sinto necessidade de acrescentar mais alguns dados, que não são mais do que a minha opinião, formada depois de todos estes anos a viver aqui. Acho importante que se aprenda com o que há de bom nos paìses nórdicos, mas também é importante dizer que nem tudo é tão perfeito como se diz. Os escandinavos são por natureza um povo muito fechado, estão longe de serem abertos e sociáveis como os povos do sul, por exemplo. Muitas vezes, a ideia que fica é que só conseguem conviver se estiverem sériamente embriagados. Aqui não vejo a mesma entreajuda e solidariedade entre familias, amigos e vizinhos como vejo em Portugal. Posso dar milhões de exemplos do que acima digo, mas como seria um comentário interminável, apenas vou dar um par de exemplos. Eu tenho dois filhos pequenos que já viram mais vezes os meus pais, que vivem em Portugal, do que os meus sogros que vivem bem aqui! Passam-se meses e até anos sem que se encontrem com irmãos, amigos,pais, filhos! Outro exemplo é o seguinte: se existe alguém que esteja a passar por mais dificuldades, por um motivo ou outro, serão muito poucos os familiares, amigos ou vizinhos que estenderão uma mão para ajudar. Nesta parte do mundo é mais cada um por si. Para que uma sociedade funcione é necessário um espírito de entreajuda desde o nível mais básico. Quando se vive de uma forma tão individualista como os noruegueses ou os outros escandinavos, a necessidade de um aparelho social eficiente e de líderes que realmente se preocupem com os seus cidadãos é imperativa, de outra forma seria muito dificil viver aqui. Por vezes, quase exigem que os seus governantes sejam super-humanos! Quando alguém empresta dinheiro ao seu irmão ou ao seu amigo é de muita má vontade! Pedir ou dar ajuda a alguém que vive ao lado é quase tabú. O isolamento, o alcoolismo e a solidão são problemas sérios nestes países que resultam exactamente de serem demasiado individualistas. Com uma sociedade assim é necessário um estado que saiba lidar com isso, que é o que já têm.
Em Portugal e noutros países do sul passa-se bem o contrário. Na minha opinião isso faz com que os governos sejam mais desleixados, pois devem pensar que o povo sempre se safa, porque sempre haverá alguém que dê a mão ao próximo, se necessário.
Por outro lado, diga-se que apesar da chamada "janteloven", os noruegueses não são assim tão despojados dessa vontade de mostrar o seu status. Talvez já foram, mas já não. Eles gostam dos seus carros e muitos pagam gordas quantias para comprarem exactamente o carro que ambicionam. Se a Noruega é o maior parque de carros velhos da Europa, isso deve-se ao facto de que os novos custam absurdos. Os impostos automóveis são extremamente pesados! Enquanto que os carros veteranos, por exemplo, estão quase isentos se comparados com os novos. Os noruegueses também gostam de mostar riqueza se podem, não tenho dúvidas e vejo isso todos os dias.
Quanto à liberalidade e tolerância dos escandinavos, também tenho algo acrescentar. É verdade que aceitam determinadas questões de forma mais aberta, mas também caem numa certa falta de valores e ética em outras. Por exemplo, são muitos os homens que passam férias na Tailândia em busca de sexo, o mesmo se diz das mulheres que o procuram nos países mediterrâneos. Atitudes que podem parecer inocentes, mas que alimentam o turismo sexual, o tráfico e o abuso de seres humanos. Outra questão é um certo complexo de superioridade que por vezes lembra racismo escondido no armário. De notar que no parlamento sueco está sentado um partido tão à direita que quase se pode chamar de radical.
Com tudo isto, o que quero dizer é que todas as sociedades e todos os povos têm aspectos positivos e negativos. O que se torna necessário é encontrar um sistema que se adapte a cada um, à personalidade de cada povo, mas tendo sempre como base fundamental a honestidade. Eu sou portuguesa e sou honesta! Acredito que a maiori
Viva Cristina.
ResponderEliminarMuito obrigado pelo seu testemunho.
Tem razão, tb me quer parecer. O problema é que Portugal está na falência e as acusações surgem de todos os lados. Vamos ter mesmo de fazer pela vida.
Aquele abraço.
Olá!
ResponderEliminarEu também acho que a minha opinião tem fundamento, o exemplo disso é exactamente a Islândia. Fala-se muito sobre a forma como estão a dar a volta à sua vida. Que é, sem dúvida,algo que deve inspirar, mas também é importante não esquecer as razões que levaram à queda dos islandeses. O país caíu porque não era uma sociedade perfeita como todos julgavam. Os corruptos também lá existiam e controlavam a banca e o governo, levando, eventualmente, a pequena ilha à falência. Os corruptos existem em todos os países, a maioria deles são as elites.
Agora sabemos que os corruptos também estão espalhados pelos países nórdicos. No entanto temos de aprender com eles. Os escandinavos odeiam ver o seu dinheiro roubado e, por isso, são mais atentos a todos os passos dos seus governantes. Os nórdicos reagem fortemente se são roubados. Os portugueses também têm de reagir! Acho que o período salazarista deixou cicatrizes profundas no nosso povo. Parece que temos medo de reagir aos desvarios dos nossos líderes. Temos de acordar! Já basta! Para o bem de todos os portugueses. Apesar de viver aqui, na Noruega, dou bem o valor ao meu povo e à sua generosidade, da qual só me apercebi quando já estava longe. Há que acreditar em nós. Temos defeitos mas também temos muitas qualidades. :)
Até à pròxima.
É isso Cristina.
ResponderEliminarAs visões maniqueístas falham quase sempre. Tenho muito orgulho em ser professor em Portugal e nunca escondo essa condição; pelo contrário.
Os nossos últimos anos foram maus demais e as tais elites corruptas tiveram muita rédea solta. Vamos ver. Temos mesmo de fazer um reset sério.
Abrigado mais uma vez.
Aquele abraço e felicidades.