sexta-feira, 3 de junho de 2011

o medo como herança

 


 


 


 


O que vi nestes dias, e na relação com o site da DGRHE, impõe a seguinte reedição:


 


Não sei se o caso France Telecom foi consciente. Não tenho dados para o veredicto. Do mesmo modo, permito-me dar lugar aos que especulam que o que se viveu em Portugal nos últimos anos não foi premeditado embora com resultados igualmente desastrosos. O que mais me impressionou neste período, e que me oxigenou a não desistência, foi a generalização do medo. O pavor de existir é a mais nefasta herança desta governação.


 


A má burocracia corporizada em amontoados de grelhas anula o indivíduo e o seu inatismo cooperativo e gregário. Institucionaliza o formulário com campos sem fim e em que o erro num deles pode sentenciar a reprovação, a vergonha e a imobilidade na progressão numa carreira. Sobrecarregar o indivíduo com burocracia associada a uma inevitável pirâmide clientelar e preenchida por uma ficção em forma de ferro, venera a bajulação, exclui a dignidade e impede qualquer veleidade à inovação, à inteligência e ao primeiro atributo do conhecimento da razão: a liberdade. É a pensar na liberdade que votarei e na esperança que este trágico capítulo se feche.


 


(1ª edição em 3 de Junho de 2011)

26 comentários:

  1. Outro texto fantástico! José Gil há pouco na SICN definiu a herança que nos é deixada na mesma linha.

    ResponderEliminar
  2. Quando me lembro do Luis Carmo,lembro-me da France Telecom.
    Sempre achei que o que tem vindo a acontecer com o ataque à função pública de um modo geral e aos professores em particular foi perfeitamente premeditada.

    ResponderEliminar
  3. Obrigado Ana.

    Estive ao fim da tarde a fazer uma hora de ginásio e desenhei o post enquanto pedalava. Por acaso pensei no medo de existir e em José Gil. O medo que paralisa tudo é a herança. Quem diria que um dia se votaria contra o PS em nome da liberdade.

    ResponderEliminar
  4. Comovente o teu comentário Donatien. Em memória do colega

    ResponderEliminar
  5. Olá Paulo, ouviste há 2 horas atrás o José Gil?
    Bjs e bom fim de semana

    ResponderEliminar
  6. Pedro Passos Coelho deverá ser o vencedor claro das eleições do próximo domingo e obtém 37,4% das intenções de voto, enquanto José Sócrates baixou para 29,2%.

    O PSD precisa de uma coligação com o CDS para a conquista da maioria absoluta. O partido de Portas consolida a terceira posição com 12,5%, enquanto a CDU suge com 8% e o BE com 6,7%.

    Os intervalos de confiança revelam que dificilmente a vitória escapará a Pedro Passos Coelho, que no pior cenário teria 33,5% dos votos, mais que o melhor cenário para o PS.
    Os socialistas arriscam um cenário terrível. O intervalo de confiança varia entre os 25,5% e os 32,9%.

    ResponderEliminar
  7. "premeditação inconsciente"...

    Não, Paulo, infelizmente, isto é muito consciente. E não se passa, apenas, a nível "caseiro".

    Isto é mesmo um caminho de sujeição e de subjugação de quem trabalha, delineado internacionalmente por quem "pode".

    ResponderEliminar
  8. Viva Cristina.

    Já escrevi à Ana:

    Estive ao fim da tarde a fazer uma hora de ginásio e desenhei o post enquanto pedalava (não te tenho visto). Por acaso pensei no medo de existir e em José Gil. O medo que paralisa tudo é a herança. Quem diria que um dia se votaria contra o PS em nome da liberdade. Cheguei tarde, banho, jantar, escrever o post e não apanhei isso. Tive pena.

    Aquele abraço.

    ResponderEliminar
  9. É Maria Lisboa. Apenas dou lugar aos que especulam por aí. Ainda agora vi um dirigente do PS a sublinhar o mesmo com a convicção no sorriso. Até arrepia tanta desumanidade, como disse a Susana.

    ResponderEliminar
  10. Vamos todos fazer com que isto se apague...

    ResponderEliminar
  11. Paulo G. Trilho Prudencio4 de junho de 2011 às 16:04

    Isso;

    ResponderEliminar
  12. Eu abstenho-me de ouvir notícias sobre as eleições para não ser influenciado pelas opiniões dos outros e assim evitar que as minhas pessoais sejam influenciadas ou substituídas por outras que penso que são minhas. (costuma-se de chamar a isto de "lavagem cerebral").

    Isto para dizer, que continuo a achar impressionante como é ao fim deste tempo todo e com tudo o que se tem passado nos últimos 30 anos, ainda se continua a achar que só existem 2 partidos em Portugal!? e que os outros estão só para enfeitar, ou dar um "enredo" à cena política nacional, tipo telenovela.
    Pior ainda, é quando ouço dizer que os outros não têm capacidade para governar!?!!!?? Como é que se pode afirmar isto sem nunca ter havido provas!? Nunca nenhum foi eleito! Ao passo que os outros 2 foram sucessivamente eleitos, mandato atrás de mandato até terem criado/desfeito o Portugal que é hoje!
    Reparem nas estatísticas da dívida pública e endividamento desde essa altura, e percebem o que quero dizer. Privatiza-se o lucro (que poderia ser usado para pagar as dívidas do estado), e estatiza-se a dívida dos privados (que por troca, ficaram com o lucro).
    Lembrem-se das privatizações, que é o mesmo que vender o emprego sem a possibilidade de o voltar a ter novamente. Sabe bem nos primeiros anos (dinheiro na mão e tempo livre), até que o dinheiro acaba e emprego não há. Está-se a condenar o futuro por um prazer momentâneo.

    Se expandirem a vossa leitura daquilo que realmente é notícia, e olharem lá para fora, para outros países da União Europeia, principalmente para aqueles que estatisticamente são considerados os países com maior taxa de satisfação, vão COMPROVAR que nunca houve eleições de maioria absoluta (ditadura democrática: manda um partido tal qual um ditador). Os votos da população reparte-se em igual parte pelos partidos eleitos (30%+30%+30%, 20%+20, etc.). Isto sim, é democracia.
    Além de que democracia, não é votar de 4 em 4 anos, ficando durante esse tempo à mercê daquilo que os partidos lhes apetece fazer. Isso é usurpação dos direitos dos cidadãos, principalmente porque se comprometem a fazer coisas (sem primeiro perceberem se realmente as conseguem fazer) que mais tarde se negam a fazer (ou porque só serviu de campanha política, ou porque a realidade humana/económica/política afinal não o permite.

    Se querem mudança, mudem a maneira de pensar, ver o que vos rodeia e principalmente, mudem em quem votam. Aquilo que é dito que está para acontecer com as sondagens construídas pelos media, não será uma mudança, será a continuação da ditadura política que se assiste em Portugal desde o 25 de Abril.


    Só como ultima palavra: notícia é aquilo que cada um de nós define como sendo importante para ser dedicada a importância que se lhe deve. Notícia não é aquilo que a TV/Radio/Jornais acham que é notícia.

    ResponderEliminar
  13. Subscrevo plenamente.4 de junho de 2011 às 17:24

    .

    Ps (sem o meu voto): Grande Texto Paulo.

    ResponderEliminar
  14. Obrigado Subscrevo plenamente

    Muito pertinente Hugo

    ResponderEliminar

  15. estes não têm feito grande figura mas,a alternativa não é brilhante...a menos q me imagine na coreia.

    ResponderEliminar
  16. Paulo G. Trilho Prudencio5 de junho de 2011 às 11:34

    Abraço companheira.

    ResponderEliminar
  17. Ainda bem que existe a liberdade de votar na liberdade! Sem medo!

    ResponderEliminar
  18. bom reler... obrigado...

    ResponderEliminar
  19. Paulo.

    um medo que foi inculcado nas pessoas durante quase meio século não desaparece de um momento para o outro. Ainda há pais e avós que o viveram directamente. Ainda há casas em que continua a ser transmitido em forma de papão. Ainda há muita gente, mesmo dos mais novos, que o bebeu de geração em geração, no leite das mães, no olhar dos pais, no medo do que o patrão, o polícia, a secreta, o estado, podem fazer.
    Um medo que não foi morto, um medo que apenas foi adormecido, foi facilmente acordado e alimentado. E foi tão fácil. É sempre tão fácil quando as pessoas não participam activamente na sociedade e nas suas decisões. É sempre tão fácil quando se conhece as pessoas que se governa, as pessoas que se comanda. É sempre tão fácil quando as sabem medrosas e manipuláveis. E infelizmente a maioria deste povo é assim. O medo não tinha morrido. O medo regressou.

    E é tão fácil quando quem manda e quem governa tem os "amigos e ricos" todos a seu lado:

    ResponderEliminar
  20. Paulo G. Trilho Prudencio9 de setembro de 2011 às 11:11

    Nada que desculpar Maria Lisboa. Nós agradecemos o comentário e o link disponibilizado.



    ResponderEliminar
  21. "Vamos todos fazer com que isto se apague..."
    Não! Não podemos apagar, pois corremos o risco de não nos lembrarmos e esquecendo a "coisa" pode voltar.
    Devemos creio eu falar disso lembrar para que não esqueçamos e não volte a acontecer temos de estar ALERTA e JUNTOS. digo UNIDOS.

    ResponderEliminar
  22. Rui Rodrigues, Amadora10 de janeiro de 2014 às 17:19

    Muito, muito, muito bom Dale Dover!

    ResponderEliminar