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quinta-feira, 16 de junho de 2011

do tal prefácio

 



 


Muitas linhas se escreveram sobre o prefácio do primeiro-ministro indigitado no livro de Castilho (2011), "O ensino passado a limpo". Entre a concordância com uma série de ideias que merecem consenso entre os que mais se bateram contra os desmiolos recentes, pode ler-se o seguinte na página 9: "(...)Por fim, é importante reconhecer que os últimos anos têm trazido uma burocratização insuportável em torno de todo o processo educativo, descaracterizando as missões dos diversos intervenientes, sobretudo notório no caso dos professores, e desvirtuando o propósito implícito aos procedimentos, como foi o caso mais revoltante da avaliação de desempenho.(...)". A escolha do adjectivo revoltante é surpreendente e deve ter perturbado as demoras nas filas de espera. Esperam-se os actos.

terça-feira, 7 de junho de 2011

consta

 


 


Há uma azáfama parecida com a da imagem nos acessos à sede do PSD em Lisboa. Parece que começou ontem e que o pessoal dos centros de emprego está a sentir uma quebra acentuada na procura.


 


 


segunda-feira, 6 de junho de 2011

queda na real

 


 


 


Uma enorme franja do PS embeveceu-se com os aplausos da direita, só Lacan explicará bem a coisa, e maquinou uma série de "reformas" com um denominador comum: sistemas que previam tudo menos a existência de pessoas.


 


Não foi preciso muito tempo para caírem na real. Acordaram com um país na bancarrota e com a esquerda varrida eleitoralmente. Se o único argumento de autoanálise que lhes resta é apontarem como papões os parceiros de 2005 a 2008, bem se podem escudar na personalidade do chefe da tragédia que não evitarão a longa duração da memória dos eleitores.

domingo, 5 de junho de 2011

derrota histórica

 


 


Pouco mais de 5 anos depois, este PS consegue desbaratar o seu eleitorado e sair pela porta pequena. Deixa o país entregue a uma maioria de direita acompanhada por um presidente da mesma área política. Digamos que este resultado foi desenhado tão de início que as suas consequências eram inevitáveis: quem começou a governar com tanto aplauso da direita, só podia esperar que o eleitorado acabasse por mudar apenas com base nas questões de personalidade do ainda primeiro-ministro.


 


Por incrível que possa parecer, os partidos da esquerda não beneficiaram da erosão eleitoral. Partindo duma análise por indução, olhando também a partir dos assuntos da Educação, podemos dizer que o bloco foi penalizado pela estratégia presidencial em pareceria com este PS e que o PCP não conseguiu explicar os inexplicáveis entendimentos e acordos com uma ala do PS que não percebeu que o massacre de má burocracia relega as pessoas para o lugar do medo.


 


Em conclusão, a esquerda deve aprender a lição. A falta de autenticidade paga-se cara. Pela minha parte, olho para os resultados eleitorais e vejo o "esmagamento" do meu voto. É a democracia. Amanhã é outro dia e continuo em defesa da cidadania e da liberdade.

fim de um capítulo

 



 


Seis anos depois, e com muito sofrimento pelo meio, um conjunto significativo de professores portugueses tem o coração a rejubilar de dever cumprido. Nunca tinha vivido nada assim. O dia 5 de Junho de 2011 fica marcado pelo fim de um capítulo trágico para o poder democrático da escola no seu mais amplo significado. Amanhã iniciar-se-á uma nova fase. Espera-se que o que se passou sirva de lição e que nada de parecido se repita. Desculpem localizar nos professores, mas os que passam por aqui sabem a quem dirijo as palavras de sinceros parabéns.

dois momentos

 


 


Na dura luta dos professores portugueses, existiram vários momentos que nunca esqueceremos. Lurdes Rodrigues foi cínica com os votozinhos e o Secretário Pedreira gozou, em pleno parlamento, com a dor dos professores; chamou-lhes coitadinhos. A pena do genial Antero retratou-os assim:


 


 


 



 


 


 


 


 


 


 

se

 


 


Há pouco tempo, Pacheco Pereira, um insuspeito de simpatizar com as causas defendidas pelos professores, escreveu assim a propósito de José Sócrates: "(...)mas também algum corporativismo à mistura, como se passa com os professores, os únicos que o venceram até agora.(...)".


 


Pois é. Se o ainda chefe do governo de gestão perder estas legislativas, há um conjunto de professores, denominados de resistentes, que se podem sentir vitoriosos no encerrar deste duríssimo capítulo. Talvez os menos conhecedores dos problemas das escolas considerem um exagero. Talvez: o desconhecimento gera esses raciocínios. O que nunca poderão dizer, é que muitos dos professores do seu país não são cidadãos de corpo inteiro. Foram os primeiros a acordar, tinham o resto do mundo contra si e não se esquecem que muitos desses adversários eram também os prováveis mais votados de hoje.

quase inédito

 


 


Olhar para os mais votados e ver poucos vencedores. Ou seja: olhar para os vencedores e ver poucos dos mais votados.

as próximas vão ser ainda mais?

 


 


Durão Barroso: Estas são as eleições "mais importantes" desde o 25 de Abril

sexta-feira, 3 de junho de 2011

o medo como herança

 


 


 


 


O que vi nestes dias, e na relação com o site da DGRHE, impõe a seguinte reedição:


 


Não sei se o caso France Telecom foi consciente. Não tenho dados para o veredicto. Do mesmo modo, permito-me dar lugar aos que especulam que o que se viveu em Portugal nos últimos anos não foi premeditado embora com resultados igualmente desastrosos. O que mais me impressionou neste período, e que me oxigenou a não desistência, foi a generalização do medo. O pavor de existir é a mais nefasta herança desta governação.


 


A má burocracia corporizada em amontoados de grelhas anula o indivíduo e o seu inatismo cooperativo e gregário. Institucionaliza o formulário com campos sem fim e em que o erro num deles pode sentenciar a reprovação, a vergonha e a imobilidade na progressão numa carreira. Sobrecarregar o indivíduo com burocracia associada a uma inevitável pirâmide clientelar e preenchida por uma ficção em forma de ferro, venera a bajulação, exclui a dignidade e impede qualquer veleidade à inovação, à inteligência e ao primeiro atributo do conhecimento da razão: a liberdade. É a pensar na liberdade que votarei e na esperança que este trágico capítulo se feche.


 


(1ª edição em 3 de Junho de 2011)

da diabolização

 


 


 


É espantoso o encobrimento da prática de privatização de lucros na Educação. A parque escolar.sa, empresa criada em "surdina" pelos governos do PS e em obediência à lógica PPP, é proprietária dos terrenos e do edificado em todas as escolas intervencionadas e recebe uma renda do estado. Se associarmos o sucedido à ideia de transformar essas escolas em sedes de mega-agrupamentos, obtemos uma simples formulação: privatiza-se a empresa e em consequência a totalidade da rede escolar. Passaríamos, ou passaremos, de um dos países com mais privado na Educação da Europa para o lugar cimeiro no mundo conhecido. A diabolização em campanha, e o resto, são apenas soundbites. Há quem diga que são conluios negociados pelo centro político-partidário e que obedeceram a um concertado silêncio pré-eleitoral. Veremos.


  


Ministério vende edifícios geridos pela Parque Escolar


 


Os imóveis que o Ministério da Educação (ME) vendeu, em 2010, à Estamo, a entidade pública criada para comprar e vender património imobiliário estatal, estão sob gestão da empresa pública Parque Escolar, que entretanto já se tornou proprietária de vários deles.

do pântano

 


 


 


Basta estar um bocado atento, não é preciso pedir mais. Os dirigentes do PS desdobram-se em veredictos de eternidade e de infalibilidade democráticas: sem eles não há país. Depois de 6 anos a delapidarem a traquitana do estado (para não falar no imenso centrão que está para trás disso), desdobram-se no apelo comovido do-deixem-nos-lá-ficar-com-umas-sobras-de-governo. Esta trupe que tomou as rédeas do PS é despudorada até na hora da derrota. 


 


Contam mais os actos do que as palavras. Este PS foi o partido que mais se insinuou. Ocupou a agenda mais à direita que se conheceu e continua a simular-se de esquerda. Quer agora convencer o próximo poder que essa capacidade de encobrimento pode dar algum jeito na anestesia da contestação. É um tipo de exercício execrável. É preferível, de longe, reconhecer-se o adversário do que o falso aliado. Aprende-se muito sobre a democracia na oposição. Nalguns casos, parece que só com a ameaça efectiva de prisão.

quinta-feira, 2 de junho de 2011

fim de festa

 


 


As mudanças de clientela política denominam-se por fim de festa. No caso que se aproxima será mais de fim de tragédia ou de pesadelo. A seguir ver-se-á o alcance da mudança. O estado de alma com que se encara a decisão de mudar é taxativo: chega do que existe.


 


Nestas alturas impressionam, no caso da Educação, as movimentações dos trágicos-meddle-management-para-todo-o-serviço-que-têm-horror-às-salas-de-aula-e-que-empurraram-o-pais-para-a-bancarrota. Fazem campanhas de última hora e anunciam visitas que têm efeito boomerang: acentuam os sentimentos de revolta nos mais indecisos que ultimam um suspiro de voto útil. Fazem mais: tentam tranquilizar as tropas em pré-apeamento na esperança que um qualquer bloco central lhes prolongue o estatuto de parasitas. É demasiado triste o estado do nosso estado.

sensações

 


 


"“Parece que certas realidades transcendentes emitem em torno de si radiações a que a multidão é sensível. É assim que, por exemplo, quando se dá um acontecimento, quando na fronteira está um exército em perigo ou derrotado, ou vitorioso, as notícias bastante nebulosas que dele chegam e de que o homem culto não sabe retirar grande coisa, provocam na multidão uma emoção que o surpreende e na qual, depois de os especialistas o terem posto ao corrente de verdadeira situação militar, ele reconhece a percepção pelo povo daquela “aura” que rodeia os grande acontecimentos e que pode ser visível a centenas de quilómetros”".


 


Marcel Proust


 


Em busca do tempo perdido


 


 


(1ª edição em 20 de Outubro de 2010)

da blogosfera - o estado da educação e do resto

 


 


Silêncio não inocente.

quarta-feira, 1 de junho de 2011

diálogo

 


 


 


Era bom contar. Sim. Contar o número do vezes que o chefe do governo de gestão usou o substantivo diálogo desde 2005 até anteontem e comparar o resultado com uma contagem semelhante feita nos últimos dois dias. E tinha piada associar na conclusão o apelo desesperado ao bloco central a que se tem assistido no segundo período.


 


Posso estar muito enganado, mas a derrota deste PS vai ser muito mais significativa do que aquilo que é indicado pelos números das sondagens. Os que se esconderam atrás da clubite vão ficar muito mal na fotografia. O chefe do governo de gestão, pelo menos na Educação, foi o obstinado de serviço para as ideias de outros. É claro que depois tornou-se no sabe-tudo-que-se-conhece.

uma lição de demagogia

 


 



Do Blogue do Paulo Guinote.

da campanha e do mais do mesmo

  


 


 


Só às 22h00 liguei a televisão. A sicnotícias começou com a campanha e com imagens inclassificáveis de um incidente em Torres Vedras por causa da privatização de lucros na Educação.


 


Lembrei-me de um texto que escrevi sobre o assunto. O Golpe diz assim:


 


(...)Foi por volta da década de noventa do século passado que se percebeu que o orçamento da Educação era demasiado apetitoso para que a ganância, que se afirmou através do PSD e do PS (o CDS e outros ficaram com empregos e fatias menores), o deixasse sossegado; potenciais PPP´s ainda sem dono.
Vou fazer aqui um pequeno parêntesis para precisar que a fórmula PPP foi comprovadamente ruinosa para o estado, uma vez que os governantes assinavam contractos leoninos em benefício de empresas privadas para onde se passavam na primeira oportunidade, muitas vezes em comunhão espiritual com autarquias locais onde interrompiam obras integralmente públicas e já adjudicadas.
Desde a altura referida que as agendas mediáticas foram paulatinamente preenchidas pelo “tudo está mal na escola”, enquanto se edificavam escolas cooperativas em regime de excesso de oferta e em clima de quase mercado. Essa agenda foi levada até às últimas consequências, e com sonoro e central aplauso, a partir de 2005, através da destruição do poder democrático da escola.
Quando eclodiu a crise financeira, o PS foi apanhado de forma flagrante do lado predador. A mudança de agulha fez-se com a naturalidade de quem começa a dizer inverdades logo ao pequeno-almoço. Passou-se para um suposto lado contrário da agenda gananciosa, com mais uma epifania pato-bravista e de reanimação económica de imobiliários aflitos: a “parque escolar”. Estava quase tudo encenado para umas próximas legislativas e só faltava um detalhe precioso: somos os defensores da escola do estado e até retirámos financiamento aos nossos cooperativos que se dedicaram à privatização de lucros.
Os últimos tempos foram hilariantes (ou trágicos; é só escolher o lado). Ex-ministros do bloco central desceram da estratosfera e sentenciaram: escola do estado que seja pior fecha em favor da vizinha privada. Foi uma espécie de derradeiro serviço (consciente ou não), já que um deles até ameaçou desistir se a ideia não avançar de vez, numa intervenção que baralhou uma série de conceitos com a famigerada autonomia das escolas na mistura. Ao nível local foram convocados os inconscientes animadores de serviço.
Ou seja: edificaram inconstitucionalmente junto às escolas do estado – tentaram derrotar-lhes a fama e cobiçar-lhes os melhores alunos – inflacionaram as notas, colocaram professores sem concurso e em regime de amiguismo, construíram os rankings e já só falta subtrair uma boa fatia aos orçamentos. Uns grandes profissionais, sem margem para dúvidas. Um golpe perfeito, digamos assim. O pessoal da escola pública é bem mais naif e resistente e o país está no estado que se conhece.


 

os desesperados

 


 


Os militantes mais clubistas do PS começam a entrar em desespero argumentativo. Assisti a uma conversa entre um sócio nessa condição e um dos muitos portugueses que ainda só sabe que não vota PS. A localização das conversas é inevitável e quando o clubista adiantou com o papão da direita, o indeciso introduziu o ex-presidente do CDS no assunto. O clubista teve piada: Basílio Horta é bom para as empresas.


 


Sinceramente, nunca vi tanta animosidade em Portugal em relação a um partido que se dizia de esquerda e que teve a prática que se sabe. Impressiona a atmosfera anti-PS que se estabeleceu e os professores parecem não fugir, naturalmente, a isso.