quinta-feira, 28 de julho de 2011

invisíveis

 



 


 


 


Há já uma legião de professores invisíveis. Bem sei que os tempos estão difíceis para vários grupos sociais e profissionais, mas não fico indiferente aos casos que conheço melhor. Há muitos professores com horário zero e com a angústia a preencher-lhes as emoções. Para além dos tradicionais jovens contratados, situação que não é nova, temos pessoas na faixa dos 35 aos 50 anos de idade sem esperança no futuro.


 


O que é mais grave é que podia não ser assim. A situação agravou-se pelo somatório da repetida incompetência na organização da actividade profissional dos professores por parte do ME, das DRE´s e de muitas escolas, mas também pelo despautério que se verificou na gestão da rede escolar e nos atropelos que os últimos seis anos introduziram na carreira de professores.


 


Na questão da rede escolar, os olhares atentos evidenciam a criação de escolas cooperativas ilegais - em perímetro urbano com oferta pública - que contratam professores sem concurso, em regime de amiguismo, pagos pelo estado e que originam muitos horários zero com a consequente deslocação para sabe-se lá onde.


 


A epifania dos professores titulares criou injustiças impossíveis de reparar. Há pessoas prejudicadas para sempre.


 


A desespero dos professores invisíveis conhece ainda um tempo desumanizado provocado pela dilaceração das atmosferas relacionais e pela necessidade de cada um se agarrar ao que tem. As solidariedades transformaram-se em extravagâncias vãs. Quem diria que a incompetência que nos governou durante décadas teria estes efeitos e que a tão propalada prestação de contas fosse tão ignorada?

3 comentários:

  1. Renata Branco, Educadora Contratada28 de julho de 2011 às 23:04

    Obrigada pela atenção.

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  2. Bom dia.
    Partilho por inteiro o referido no seu post. Não há clima na escola. Não há partilha (quando existe é unilateral) na escola! Há abusos na escola! A liberdade de expressão, o direito à opinião é conotado como "oposição"! A factura é sempre paga: horários zero, chamadas de atenção prepotentes, serviço e respectivos horários em puzzle fórmula 1, ...
    Sempre estive de alma e coração na profissão e neste momento, e apesar de todas as condicionantes, só me sinto bem na sala de aula com os meus "piquenos" (índios ou não!!).
    GoGo

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  3. E quando numa mesma área geográfica uma rede escolar permite que se abram em escolas privadas cursos profissionais que directamente concorrem com os mesmíssimos cursos de escolas públicas? Nada a opor diríamos todos pensando em concorrência leal. Tudo a opor diríamos todos quando nos lembramos que o tal ensino privado realmente o não é. Vejamos: o Estado paga aos privados para que depois no público volte a pagar aos qa/qe/qzp que ficam em horário zero. Pague dois, leve um. Racionalização de recursos? Claro que sim. Claro que é. Então não é. Que o digam os privados.

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