quarta-feira, 20 de julho de 2011

pequenos emigrantes do quotidiano

 


 


 


Li há tempos a expressão que escolhi para título. Bem sei que os tempos estão de feição para os cortes na despesa do estado e que os elos mais frágeis ficam mais à mão. Como também estamos inundados pelos flagelo do desemprego, talvez seja despropositado focar a atenção na qualidade da organização do trabalho.


 


Mesmo assim, devemos fazer o que estiver ao nosso alcance para contrariar uma actualidade que nos diz que "(...) temos hoje milhares de pequenos emigrantes do quotidiano, que andam dezenas de quilómetros para ir à Escola. São as vítimas do encerramento cumpulsivo das 5000 pequenas escolas das suas aldeias. Juntam-se a outros milhares de crianças nacionalizadas em nome dum estranho conceito de Escola a tempo inteiro. Todas juntas, constituem uma espécie de órfãs de pais trabalhadores, com quem pouco estão. É preciso debater o papel que este sequestro e este desenraizamento podem jogar no comportamento destas crianças.(...)" O parágrafo que leu é de Santana Castilho (2011:57) em "O ensino passado a limpo".

4 comentários:


  1. A lei sobre organização curricular do primeiro ciclo do ensino básico (a antiga escola primária) prevê que as crianças dos 6 aos 10 anos tenham 25 horas de aulas semanais. Aprenderão língua portuguesa, matemática e estudo do meio, terão aulas de expressões artísticas e físico-motoras. A somar a estas 25 horas, é suposto que as escolas ofereçam mais 10 horas semanais de actividades extra-curriculares. Ou seja, é suposto os miúdos estarem 35 horas por semana (o horário de muitos adultos) na escola, em contexto de aula, o que implica estarem sob direcção e orientação de um adulto. Depois disto, muitos estabelecimentos de ensino oferecem ainda a “componente de apoio à família” (afinal, quantos pais podem recolher os filhos na escola às 17:30, que é quando acabam as actividades lectivas?), na qual os miúdos fazem os trabalhos de casa e, por fim, se der tempo e ainda tiverem forças, vão brincar.

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  2. A doideira instalou-se. Na Inglaterra optaram pelo mesmo e recuaram por causa dos péssimos resultados. É só indisciplina. Chegamos atrasados e fotocopiamos o pior.

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  3. Renata Branco, Educadora Contratada20 de julho de 2011 às 22:13

    É um risco e um contra-senso que as escolas alarguem, de forma mais ou menos envergonhada, o tempo de escolarização dos seus alunos. As crianças portuguesas não precisam de mais escola. Necessitam de uma escola onde se possa aprender melhor, do mesmo modo que necessitam de um outro tempo educativo onde possam usufruir de experiências gratificantes que, mais do que promover aprendizagens de carácter escolar, estimulem, como seu objectivo prioritário, a exploração do mundo ou a produção de obras que se partilham e interpelam de forma solidária.

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  4. Fausto Viegas (Norte)20 de julho de 2011 às 23:00

    São crianças, não botam, carago.

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