Tinha o programa agendado, mas escapou-me. A edição de ontem do "Olhos nos olhos", moderada por Judite de Sousa e com Medina Carreira como residente, teve a presença do ex-vereador da Câmara do Porto, Paulo Morais, e versou a corrupção. O vídeo é imperdível. Retrata, com propriedade e de forma demolidora, a praga que atravessa a sociedade portuguesa e que corrói grande parte das nossas instituições. Os "interesses", mais ou menos mesquinhos, aprisionaram a democracia.
demolidor
ResponderEliminarUm programa de antologia sobre o estado a que chegámos. A corrupção é a primeira responsável pela nossa crise. Custa-me que muitos não vejam isto e continuem a defender as reduções de salários e por aí fora. Está em causa o regime democrático. Sem dúvida.
ResponderEliminarTive a pontaria de estar sintonizada na hora deste programa.
ResponderEliminarE passei o tempo da emissão a pensar que já tinha ouvido aquelas denúncias inúmeras vezes, em inúmeras vozes, em inúmeros formatos, em inúmeras épocas da minha vida de ser pensante e perturbado com este assunto (da corrupção).
Fui procurar uma memória antiga que recordava ter conhecido nos tempos de estudante.
Encontrei-a.
E fiquei boquiaberta com a sua actualidade... Será o fado?!
«Política de Interesse
Em Portugal não há ciência de governar nem há ciência de organizar oposição. Falta igualmente a aptidão, e o engenho, e o bom senso, e a moralidade, nestes dois factos que constituem o movimento político das nações.
A ciência de governar é neste país uma habilidade, uma rotina de acaso, diversamente influenciada pela paixão, pela inveja, pela intriga, pela vaidade, pela frivolidade e pelo interesse.
A política é uma arma, em todos os pontos revolta pelas vontades contraditórias; ali dominam as más paixões; ali luta-se pela avidez do ganho ou pelo gozo da vaidade; ali há a postergação dos princípios e o desprezo dos sentimentos; ali há a abdicação de tudo o que o homem tem na alma de nobre, de generoso, de grande, de racional e de justo; em volta daquela arena enxameiam os aventureiros inteligentes, os grandes vaidosos, os especuladores ásperos; há a tristeza e a miséria; dentro há a corrupção, o patrono, o privilégio. A refrega é dura; combate-se, atraiçoa-se, brada-se, foge-se, destrói-se, corrompe-se. Todos os desperdícios, todas as violências, todas as indignidades se entrechocam ali com dor e com raiva.
À escalada sobem todos os homens inteligentes, nervosos, ambiciosos (...), todos querem penetrar na arena, ambiciosos dos espectáculos cortesãos, ávidos de consideração e de dinheiro, insaciáveis dos gozos da vaidade.»
Eça de Queiroz, in "Distrito de Évora" (1867)
E que dupla pontaria Ana. Muito oportuno; até arrepia.
ResponderEliminarÉ a pronúncis do Norte, carago!
ResponderEliminarpronúncia, carago!
ResponderEliminarO Fausto Viegas tem estado desatento.
ResponderEliminarNada Paulo. O Paulo Morgado só podia ser do NORTE, carago. Sem papas na língua, como os Paulos em geral.
ResponderEliminarAí é mais , ei
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