quinta-feira, 12 de janeiro de 2012

Massa, Maço, Maçon (em homenagem ao Nicolau Santos)

 


 


Encaminhado por um amigo, encontrei aqui um texto muito interessante, que subscrevo, de Pedro Santos Guerreiro. O "ashes to ashes, dust to dust" (és pó e em pó de tornarás - das cinzas às cinzas, do pó ao pó) tem tanto de belo como de difícil e de verdadeiro.


 


 


"Declaração de desinteresse: não sou maçon.


 


Declaração preconceituosa: não gosto da Maçonaria – daquilo em que ela se deixou transformar; tomada de assalto por malta do business, gente da transacção comissionada, do toma-lá-dá-cá-e-se-não-dás-levas-onde-for, gente ameaçadora, ardilosa, manhosa. Gente perigosa.


 


Declaração irrelevante: tenho amigos maçons que são umas jóias. Tenho amigos que, não sendo maçons, são também umas jóias – mas normalmente estes são mais corajosos. Tive amigos que passaram a patifes, dos que nos levam os nossos cavalos para decepá-los, para deixar as suas equídeas cabeças sangrentas nas nossas camas. Alguns desses amigos deslocaram a coluna. Levaram-na para o peito, para a garganta, para o meio das pernas, para as mãos como adagas. Só o espaço da coluna ficou vazio, deixando o habitat para invertebrados.


 


Alguns desses amigos viram no "ser maçon" uma protecção, uma projecção, uma ascensão, uma corrupção tolerada. É fácil torcermo-nos tão pouco, mas tão pouco, que a torção é imperceptível. E no entanto…


 


O poder é como o sol, queima se nos aproximamos. O poder corrompe. E há hordas, corjas, fileiras, trincheiras de pessoas fascinadas com isso: com o poder. Prontos a trocar uma sobrancelha por um Mazeratti na garagem. Sobretudo: essa sensação ridícula e humana de nos sentirmos superiores aos outros. O “ashes to ashes, dust to dust” não nos entra na cabeça, pobres mortais. Cada homem no seu galho, os macacos não se medem aos palmos.


 


Lincoln disse tudo: queres conhecer o carácter de um homem? Dá-lhe poder.


 


Ou então dá-lhe livros para ler. Poesia para começar. Ou para acabar."

5 comentários:

  1. Não consigo subscrever um texto que declara inequivocamente que "O poder corrompe".
    É uma generalização injusta e perigosa, como qualquer generalização que ao ser humano diga respeito, atendendo à sua diversidade e complexidade.

    Não defendo uma sociedade anárquica como modelo de organização política, por isso entendo que o exercício do poder não só é necessário como desejável.

    Aplaudo totalmente a asserção de Lincoln "Queres conhecer o carácter de um homem? Dá-lhe poder." que me parece não ter sido bem entendida por Pedro Santos Guerreiro, na medida em que não foram excluídos por Lincoln os homens íntegros, incorruptíveis, dedicados, honestos, trabalhadores, etc. que exercem cargos de poder, como o autor do texto parece insinuar, ainda que possam ser uma honrosa minoria (felizmente, conheço muitos).
    Foi apenas salientado o facto de o exercício do poder ser o momento por excelência de separação do trigo do joio no que se refere à verdadeira índole, ao carácter de cada ser humano.

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  2. Gostaria de acrescentar que, infelizmente, no seio dos políticos portugueses o poder parece corromper mais do que fazer sobressair a nobreza de carácter dos eleitos.
    Lamentável, mas não generalizável!
    Não se pode transformar o poder e a corrupção em premissas de um silogismo.
    Aliás, desconfio que esses homens corruptos que exercem poder político em Portugal carregam o gene da corrupção desde a nascença e já o terão desenvolvido até nos bancos de escola.

    Mais: também não compreendo a motivação dos que pertencem à "coisa secreta" da maçonaria, nos dias de hoje, quando as lutas contra o poder absolutista, quer político, quer religioso, não têm qualquer enquadramento ou justificação (ou têm?!).
    E, realmente, isto deixa-me desconfiada.
    Tenho estado atenta aos debates e comentários recentes sobre a maçonaria e ainda não ouvi ninguém mencionar o interesse ou a satisfação resultante de se ser maçon, nem que seja enaltecendo o prazer que decorre da confraternização ou participação naqueles rituais cénicos que perduram, como uma terapia, por exemplo. E fico mais desconfiada ainda, é verdade!

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  3. Também fico muito desconfiada. Cada vez mais. Essa malta do avental cozinha muito bem, mas é para eles comerem. Se são assim tão puros, bons e justos, qual é o problema de se saber que são maçons? E obra? E obra? Sem ser os seus tachinhos, claro está:

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  4. Paulo G. Trilho Prudencio12 de janeiro de 2012 às 17:17

    Questões muito interessantes Ana, se me permite.

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  5. Paulo G. Trilho Prudencio12 de janeiro de 2012 às 17:18

    É realmente um assunto muito polémico, Isabel. Vamos ver como se desenvolve.

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