Começa a generalizar-se, agora que serão muito poucas as escolas que ficarão não agrupadas, a evidência que agrupar escolas com o actual modelo de gestão obrigará a perdas de centralidade e que a maioria ficará sem direcção, conselho geral, conselho pedagógico, coordenadores de departamento, representantes de grupo disciplinar, coordenadores de directores de turma e por aí fora.
Nesta fase, a indignação ou perplexidade remete para a perda e para a angústia com a confusão que se estabelecerá. Será apenas a primeira fase. Depois surgirão as comissões administrativas provisórias e as eleições para os conselhos gerais transitórios. O processo verá a temperatura subir. O termómetro espantar-se-á com o processo dos conselhos gerais e com o concurso seguido de eleição, o tal que os especialistas dizem ser único no mundo, que indicará os directores. Seguir-se-ão eleições (também no modelo de três indicações prévias, quiçá importado do planeta mercúrio e para populações imaturas) e nomeações para os diversos cargos. Aí ficaremos a saber se existem medidores de temperatura capazes de identificarem o estado de sítio. Há muitas instituições que já sobrevivem, desde meados da década, no caos vigente e aconchegam-se na fuga possível: os desmiolos não costumam durar muito tempo.
perdemos a cabeça
ResponderEliminarQuando reflicto sobre as inúmeras experiências (nunca devidamente testadas) que têm sido feitas no Ensino, em Portugal, ao longo das minhas décadas de serviço, assusto-me, até pela dificuldade que tenho em enumerá-las, cronologicamente, sem confusões ou omissões, duvidando das minhas faculdades.
ResponderEliminarE, inevitavelmente, dou comigo a pensar: tenho dois filhos com seis anos de diferença. Um terminou o ensino secundário em 2005, o outro em 2011. Frequentaram as mesmas escolas e tiveram muitos professores em comum, excelentes professores, aliás! Ainda assim, a qualidade do serviço prestado a um e a outro não teve comparação, quer pela alteração do desenho curricular/ da calendarização dos exames nacionais, quer pela introdução de novos programas mal assimilados, quer pela dispersão de tarefas/cargos a que esses professores se viram obrigados, com menos capacidade para se dedicarem sobretudo à leccionação e aos alunos, enfim, diferenças significativas que colocaram o mais velho em grande vantagem, relativamente ao irmão, sem qualquer interferência das capacidades de cada um. A família teve que intervir, junto do mais novo, consolidando conteúdos, aquando da preparação para exames nacionais e, repito, em disciplinas leccionadas pelos mesmos excelentes professores, onde ambos obtiveram as mesmas classificações elevadas.
Penso nisto, penso no que tem sucedido desde 2005, penso no que aí vem… e assusto-me.
Eu também me assusto um bocado.
ResponderEliminarCriam-se estes megas agrupamentos, investe-se na testagem e cada vez menos no que está a montante, elimina-se o que funciona, criam-se distrações e confusões.
O objectivo é poupar. A mais médio prazo, o objectivo é arrecadar, vendendo a escola aos privados. Será?
Noutro post escrevi assim: "Já por lá andámos e saímos: não tarda voltaremos. De outro modo, é seguro, já que as aprendizagens (processo demasiado desconhecido) individualizadas associadas às vantagens da ciência assim o exigirão. A escola da má burocracia morrerá aos poucos e muito lentamente, mas morrerá. As fábricas de ensino não sobreviverão. Na pior das hipóteses, os ricos pagarão a frequência do ensino e os pobres arrastar-se-ão, com um controle férreo e burocrático, nas antigas unidades fabris em versão piorada: mais baratas e mas desqualificadas."
ResponderEliminarEstamos desnorteados, sem tempo e de cabeça perdida como disse o Ramos Pereira. E o que cansa é que podiamos ter evitado esta humilhação.
Eu noto uma diferença abismal entre os alunos do "antes de 2005 e os de depois de 2005. Porque será?
ResponderEliminarSó os nossos governantes não querem ver!