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"América em grande. - Boas notícias: América em primeiro! - informa uma assessor de Trump ao ler que os EUA passaram a ser o epicentro da pandemia Covid-19. Patrick Chappatte, para le temps, lausanne, suiça."
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"América em grande. - Boas notícias: América em primeiro! - informa uma assessor de Trump ao ler que os EUA passaram a ser o epicentro da pandemia Covid-19. Patrick Chappatte, para le temps, lausanne, suiça."
O que se diria se as escolas públicas usassem alunos em manifestações? Usar crianças em manifestações escolares é mais uma evidência da descida de nível através do mercado escolar.
Nem quero acreditar que a ideia do Despacho Normativo n.º 1-H/2016, quando refere “(...)a permanência destes alunos na turma em pelo menos 60% do tempo curricular(...)”, é "forçar" a inclusão. Ou seja: o legislador acha que os alunos, com educação especial, que frequentam as turmas regulares em menos de 60% do tempo o fazem porque a organização os exclui? Se assim acha, é um péssimo sinal.
Já li algumas coisas sobre a desnivelada opinião de Pulido Valente, ontem no Público, a propósito da candidatura de Sampaio da Nóvoa. Jorge Luis Borges incluiria o pedaço da ira na História Universal da Infâmia, mas seria apenas por inspiração: a redacção seria, naturalmente, de outra qualidade. Mas reparem na foto da edição impressa (está fiel ao original, talvez até melhor): os editores do jornal encontrariam coisa melhor em meia-dúzia de segundos, mas a escolha de Pulido Valente mistura a inveja e a mesquinhez, mascaradas como desprezo, tão próprias das figuras menores. Não é de todo surpreendente, já que o cronista opinador tem oscilações enigmáticas. Há uma direita irada com Sampaio da Nóvoa e isso é um bom sinal para a candidatura por muito que lhe custe ler coisas destas. A cólera tem "Degradação" como título e começa assim: "Não percebe António Nóvoa que a sua própria candidatura é o mais grave e humilhante sinal da “degradação da nossa vida pública”?(...)"
"O professor faz uma visita de estudo, ou uma saída do desporto escolar, com os seus alunos e tem de apresentar um papel com o carimbo do destinatário para comprovar a realização da acção". O que escrevi acontece em escolas públicas portuguesas e sou franco que nem queria acreditar. Este clima de desconfiança é fatal e devia ser proibido por lei.
O ministro Rui Machete desconhece o estatuto da Guiné Equatorial no âmbito da corrupção e dos regimes ditatoriais? Que proteja os negócios do costume, mas que não argumente com a confiança na palavra desses governantes. Por falar em confiança na palavra, era interessante um referendo à confiança dos portugueses na palavra deste ministro.
Dá ideia que o ex-ministro das finanças e da meteorologia nunca tinha lidado com os interesses dos aparelhos partidários.
Depois, confessa: os tecnopolíticos não incluem as pessoas nas folhas excel.
Página 14 da revista do Expresso de 15 de Fevereiro de 2014
Pesei bem o título e podia usar os substantivos do costume como humilhação e vergonha.
Como se tinha previsto, a já longa alienação vigente vexa diariamente os professores. Desta vez é a prova de avaliação para os professores contratados.
São os telejornais que abrem com o assunto ou os jornais diários que incluem o tema em primeira página e ainda estamos nos primeiros episódios do desmiolo. Um enjoo difícil de suportar.
Por outro lado, nas redes sociais tropeça-se com os justos apelos à não comparência ou com graves, e também justos, apontares de dedo a quem aceite corrigir as ditas. Um desvario e um movimento uniformemente descendente para a profissionalidade dos professores. Dá ideia que a tutela, e quem os "spina", lá consegue instituir a miséria e virar professores contra professores. O medo, e o medo de ter medo, corporiza a planeada dilaceração da atmosfera relacional e profissional.
Este tipo de vexame é cíclico. Foi assim com os professores titulares, com a entrega de objectivos individuais no modelo de avaliação mais insano que se conheceu, com a aceitação de cargos de avaliadores, com as primeiras participações no modelo de gestão e por aí fora. São anos a fio de uma negatividade que parece não ter fim.
A lição de Filosofia de Manuel Maria Carrilho
Várias gerações, sobretudo depois de o positivismo do séc. XIX se ter afirmado no campo do pensamento, entenderam que a educação, a ciência, a cultura e o conhecimento em geral tornariam as pessoas e as sociedades melhores. A cada conquista educacional, mais uma luz brilharia sobre as trevas. O mal não era algo em si mesmo, como de certa forma defendera Santo Agostinho, mas a consequência da rarefação do bem.
Mais tarde, sobretudo com a II Guerra Mundial, os trabalhos de Hannah Arendt e romances como o de Primo Levi ('Se Isto é um homem') colocaram o mal noutro domínio. Haveria nele uma banalidade, uma possibilidade aberta a qualquer homem. Recentemente, as teorias sobre a convicção, em que trabalhou afincadamente talvez o melhor filósofo português dos últimos 50 anos e precocemente falecido Fernando Gil (irmão do também filósofo José Gil), voltaram a recentrar a questão: por que motivo duas pessoas com a mesma formação e a mesma vivência geram convicções e comportamentos diferentes? Fernando Gil, com quem tive o privilégio de privar, por via do também já falecido comum amigo José Gabriel Viegas (que foi crítico literário no Expresso), fazia-nos e fazia-se várias vezes esta pergunta. O seu livro a 'A Convicção' (de 2000, infelizmente mais conhecido em França) ensaia também respostas a esta pergunta.
Ora Manuel Maria Carrilho é filósofo, tendo sido aliás colega de Fernando Gil como professor na Universidade Nova e ultimamente adversários no campo das ideias. Carrilho também é doutorado em Filosofia, e como Gil também está traduzido em francês. Vem de famílias com conhecimentos e rendimentos elevados (o seu pai foi Governador Civil de Viseu e Presidente da Câmara da cidade). É um favorecido. Conhece o bem e o mal, há muito que deveria estar num estado civilizacional avançado. E, no entanto, as coisas que vai dizendo da sua ex-mulher Bárbara Guimarães (independentemente das razões que possam assistir a qualquer dos lados) são próprias de um primitivo ignaro. São lamentáveis.
Qualquer casal desavindo tem os seus exageros, mas ninguém tem o direito de arrastar publicamente o nome do outro (dos pais do outro - avós de seus próprios filhos) pela lama. Ninguém tem o direito de dizer o que ele disse sobre a vida íntima da ex-mulher. E ele, filósofo, ex-deputado, ex-ministro da Cultura, ex-embaixador, sabe bem a distinção entre o bem e o mal. Opta pelo mal, provando que este também é banal, demonstrando que existe a possibilidade de ele se inscrever em pessoas por mais demãos de camadas de verniz tenham em cima. A lição de Filosofia de Carrilho é que os nossos antepassados podem estar errados. Podem não bastar a civilização e o conhecimento para um homem (ou uma sociedade) praticar o bem.
Cada ser tem as suas possibilidades abertas e o livre arbítrio de escolher um caminho. O caminho de Carrilho, mais do que condenável é lastimoso. Apenas merece aquela compaixão devida aos que já estão condenados por crimes graves.
Os cortes a eito e o armazenamento de alunos nas salas de aula empurram os alunos da educação especial para fora do sistema. Só por desconhecimento se pode responsabilizar as escolas. Por isso, o MEC e o Governo estão sem argumentos para se defenderem das graves acusações. Não é difícil perceber que sem condições humanas de apoio, os alunos da educação especial sentem uma insuportável exclusão.
É evidente que conhecemos a indignidade antiga que impede uma distribuição equilibrada dos alunos de educação especial por um conjunto de escolas da mesma rede escolar concelhia ou intermunicipal. É provável que essa chico-espertice prevaleça em alguns lugares. Mas o que é denunciado por esta associação era de todo impensável.
Todos os dias, ou quase, este indivíduo está envolvido numa qualquer actividade de sei lá o quê. É impressionante. Mas o mais impressionante é que continua a exercer um cargo governativo beneficiando do silêncio do denominado arco governativo. Andamos a brincar à democracia e estamos há muito avisados que com coisas sérias não se deve brincar assim tanto.
Recebi por email, devidamente identificado, com pedido de divulgação.
E nem sequer justifica ...
"Indeferimento que, em clara violação dos artigos 124º e 125º do CPA, não se encontra minimamente fundamentado e foi proferido sem se dar aos candidatos a possibilidade de se pronunciaram previamente à decisão." (Recurso de uma professora)
Em suma, são vários os casos de indeferimento e até agora, mais de 20 dias passados após recurso de alguns docentes, nenhuma resposta.
Que não se repita o que já aconteceu..."
No rescaldo de mais uma das cíclicas catástrofes, lá aparecem os repetidos discursos de que nada foi feito após a anterior e que nos leva a concluir: será assim depois da próxima.
Começam amanhã os exames do 4º ano e os alunos terão de assinar uma declaração garantido que não têm consigo telemóveis ou outro equipamento de comunicação. O MEC parece que desvaloriza. A notícia já tem três dias e nem me apetecia fazer um post para um assunto tão desmiolado. Mesmo que se volte atrás e qualquer que seja o argumentário, é mais um sinal de uma sociedade que está gravemente doente.
O mau centralismo que se evidencia nas sucessivas paranóias à volta dos exames não foi implodido e continua pujante e triunfante.
Rescisões amigáveis: são 213 mil os funcionários públicos menos qualificados
"Passos Coelho confirmou que o programa de rescisões vai começar pelos assistentes técnicos e operacionais, mas não avançou com números. No final de 2012, havia mais de 213 mil funcionários nestas funções.(...)"
Conheço bem o sistema escolar e está mais do que comprovada a gritante incompetência administrativa do MEC no tratamento da informação. É natural que se chegue a esta altura com um sistema administrativo em aguda entropia e que quem continue a sofrer com isso sejam os profissionais das escolas.
Aliás, tem sido sempre assim como se certifica neste post que escrevi em 11 de Fevereiro de 2011 e que intitulei como "Sem Voz".
"Alunos, professores e encarregados de Educação são actores com voz. Todavia, as escolas também se erguem por força da acção de uma pequena legião sem palavra: os assistentes administrativos e os assistentes operacionais (outrora designados por auxiliares de acção educativa; há até quem diga, que a mudança de nome lhes deu um super-poder tal que desempenham o papel de três dos que tinham a anterior designação).
Nem adianta chamarem-me populista por causa deste post. As inúmeras pessoas com essas funções que comigo privaram ao longo de anos podem vir aqui acusar-me; os outros não.
Estes actores do universo escolar não têm voz. Os sindicatos, mesmo os que têm mais sócios, defenderam uma proposta insana para os professores: um prémio pecuniário anual aos professores que se destacassem em cada escola ou agrupamento. O que me traz aqui é um acto da mesma família.
Belisque-se. Fique a saber que há escolas e agrupamentos no sistema público escolar de Portugal, que atribuíram, em pleno 2010, um 15º mês de salário aos dois assistentes operacionais que mais se destacaram. É só imaginar o efeito devastador que este cinismo manipulador tem no curto e no médio prazos na atmosfera relacional. Este tipo de políticas colocaram as democracias nos limites da sobrevivência. Estamos a insistir na construção de um sistema que urge derrubar e que empurra as pessoas para coisas destas."
Mas esta malta, do para além da troika, aplica uns modelos salpicados de radicalismo ideológico, que arrasaram com as classes média e baixa, e não lhes acontece nada? Não se demitem? Gaspar diz que só vai ao parlamento a 5 de Abril dar satisfações da 7ª avaliação e o Catroga vem agora dizer que o Governo precisa de dois anos para atingir os 3% de défice.
É evidente, e comparando com os últimos dois anos, que isto são notícias melhores para quem está a sofrer (sim, há milhares de pessoas a sofrerem com as políticas para além da troika). Mas estas coisas não devem ser brincadeiras de adolescentes que ainda por cima estavam cheios de certezas e que respondiam muuuuuito devagar, e de forma jocosa, a quem duvidava. O mínimo era a demissão. As pessoas dadas à soberba são sempre vocacionadas para o disparate.