Não comentei este post no respectivo blogue, porque não me parece que haja caixa de comentários.
A designação correcta dessas actividades ainda é mais ridícula: “actividades de acompanhamento” de alunos. O termo “substituição” está consignado às aulas de substituição (permuta) que, raramente, ocorrem, por inexistência de professor da mesma disciplina disponível para o efeito.
Pior é saber que muitos directores de escola se associaram a este devaneio da tutela e quiseram dar corpo ao ideário, contornando os entraves com ilegalidades.
Exemplifico: a directora da escola secundária à qual o meu agrupamento vai ser agregado (ou vice-versa) já fez saber que resolveu o problema de forma eficiente e pacífica. Assim, atribuiu um tempo de estabelecimento a todos os docentes da escola, no mesmo dia à mesma hora, tempo esse que cada um acumulará em bolsa, caso não faça falta. Deste modo, quando um docente falta tem que avisar antecipadamente o respectivo coordenador de departamento, a quem compete olhar para a bolsa/horário de professores da mesma disciplina e designar aquele que irá leccionar a aula, mediante o plano previamente deixado, e de forma absolutamente gratuita. Segundo a dita directora, os professores acataram a deliberação com muita tranquilidade, até porque muitos deles nunca chegam a ocupar a dita hora ao longo do ano, por não terem colegas homólogos a faltar. Ora o que se sabe cá fora é que alguns vão dar aulas com 38 graus de febre para não terem os colegas sobre quem recairia a substituição gratuita “à perna”. É fácil de imaginar o clima que se gera num grupo disciplinar em que, infelizmente, haja alguém com problemas de saúde recorrentes, por exemplo. O que não é fácil de aceitar é como é que tantos professores acatam uma decisão destas sem pestanejar. Medo das represálias?
Quanto às actividades de acompanhamento de alunos, a minha experiência é emblemáticaa. A última vez que tive de as desempenhar, calhou-me frequentemente a mesma turma. E lembro-me de abrir a porta do corredor onde se situava a respectiva sala de aula e ouvir os alunos em coro, lá ao fundo: “Oh não, outra vez aquela!” Porque nunca deixei jogar às cartas ou ouvir MP3?! Só os deuses todos do Olimpo sabem com que sacrifício!!!
Há um princípio que deve ser básico em qualquer sistema desses: uma pessoa não pode perder o direito a adoecer, por incrível que possa parecer ter de se escrever isto, e tem também o direito à privacidade de só falar do assunto com o seu médico.
Não comentei este post no respectivo blogue, porque não me parece que haja caixa de comentários.
ResponderEliminarA designação correcta dessas actividades ainda é mais ridícula: “actividades de acompanhamento” de alunos. O termo “substituição” está consignado às aulas de substituição (permuta) que, raramente, ocorrem, por inexistência de professor da mesma disciplina disponível para o efeito.
Pior é saber que muitos directores de escola se associaram a este devaneio da tutela e quiseram dar corpo ao ideário, contornando os entraves com ilegalidades.
Exemplifico: a directora da escola secundária à qual o meu agrupamento vai ser agregado (ou vice-versa) já fez saber que resolveu o problema de forma eficiente e pacífica. Assim, atribuiu um tempo de estabelecimento a todos os docentes da escola, no mesmo dia à mesma hora, tempo esse que cada um acumulará em bolsa, caso não faça falta. Deste modo, quando um docente falta tem que avisar antecipadamente o respectivo coordenador de departamento, a quem compete olhar para a bolsa/horário de professores da mesma disciplina e designar aquele que irá leccionar a aula, mediante o plano previamente deixado, e de forma absolutamente gratuita. Segundo a dita directora, os professores acataram a deliberação com muita tranquilidade, até porque muitos deles nunca chegam a ocupar a dita hora ao longo do ano, por não terem colegas homólogos a faltar. Ora o que se sabe cá fora é que alguns vão dar aulas com 38 graus de febre para não terem os colegas sobre quem recairia a substituição gratuita “à perna”. É fácil de imaginar o clima que se gera num grupo disciplinar em que, infelizmente, haja alguém com problemas de saúde recorrentes, por exemplo. O que não é fácil de aceitar é como é que tantos professores acatam uma decisão destas sem pestanejar. Medo das represálias?
Quanto às actividades de acompanhamento de alunos, a minha experiência é emblemáticaa. A última vez que tive de as desempenhar, calhou-me frequentemente a mesma turma. E lembro-me de abrir a porta do corredor onde se situava a respectiva sala de aula e ouvir os alunos em coro, lá ao fundo: “Oh não, outra vez aquela!” Porque nunca deixei jogar às cartas ou ouvir MP3?! Só os deuses todos do Olimpo sabem com que sacrifício!!!
Há um princípio que deve ser básico em qualquer sistema desses: uma pessoa não pode perder o direito a adoecer, por incrível que possa parecer ter de se escrever isto, e tem também o direito à privacidade de só falar do assunto com o seu médico.
ResponderEliminarA sua descrição é muito pertinente Ana. Obrigado.