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quinta-feira, 22 de março de 2018

Ainda há quem se surpreenda com estas notícias educativas?

 


 


 


 


Na sequência doutros estudos com conclusões semelhantes (e muito preocupantes), "a Universidade do Minho concluiu que os alunos com melhor desempenho escolar estudam 15 horas semanais para além das aulas, não valorizam outras actividades e revelam pouca criatividade. 40% têm explicações no secundário"Não é, portanto, de estranhar que, com base num grande estudo da OMSaúde, se conclua que "a falta de autonomia dos nossos adolescentes é assustadora"; e sabe-se que tudo começa cedo.


Com toda a prudência em relação às causas, é factual que os últimos anos acentuaram uma sociedade - excessivamente competitiva - que depositou na escola as tarefas educativas. Para além disso, os alunos perderam os espaços não supervisionados. O "espaço livre para brincar" desapareceu. A sociedade ausente até capturou a organização escolar com detalhes elucidativos: pavor com o tempo livre no "furo" escolar, redução de intervalos e supressão de espaços não vigiados. Interroguemos assim: ainda há quem se surpreenda com estas notícias?


 


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sexta-feira, 3 de junho de 2016

"Em Portugal, a falta de autonomia dos adolescentes é assustadora"

 


 


 


Mesmo com toda a prudência em relação às causas da referida falta de autonomia, os últimos anos acentuaram uma sociedade ausente que depositou na escola as tarefas educativas.


 


As crianças não têm tempo não supervisionado. A constatação começa cedo com a supressão da "brincadeira em espaço livre". Se olharmos para pequenos exemplos da organização escolar, percebemos fenómenos semelhantes com os jovens. Desde a eliminação do "furo" escolar até à redução dos intervalos: suprimidos dos horários ou como espaços vigiados. Não é de estranhar que, com base num grande estudo da OMSaúde, se conclua que a "falta de autonomia dos nossos adolescentes é assustadora". Não será também de desprezar o número "interminável" de horas com as novas tecnologias ou em TPC´s (trabalhos de casa); e demasiado cedo.


 


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quarta-feira, 8 de dezembro de 2010

pisa 2009: aulas de substituição

 


 


O primeiro-ministro não se cansa: elogia as aulas de substituição a propósito dos resultados do PISA2009.


 


Confrontado com a constatação de uma jornalista, a propósito do inglês e da informática no primeiro ciclo, sentencia: "(...)mas os alunos com 15 anos não beneficiaram dessas medidas. Isso é verdade, [outros] irão beneficiar(...)".


 


Para não perder o pé, o chefe do governo passa para a política mediática e defende-se com a incompreensão do seus adversários na aplicação de medidas.


 


Faz revisionismo histórico e não conhece a realidade. Nunca um governo teve tanto apoio nos média para aplicar "reformas". Bastava soletrarem umas vezes a palavra reforma que passavam a heróis.


 


Quem conhece como se processam as aulas de substituição, só pode abanar a cabeça. Afirmar que essas aulas contribuem para a melhoria nas literacias do PISA é descomunal. Quando muito uma percentagem muito reduzida, que se deve circunscrever à efectividade da troca de aulas por parte de professores da mesma turma. E mesmo isso, só mais tarde se poderá referir como causa.

segunda-feira, 12 de outubro de 2009

fuga com penalização

 



Foi daqui. 


 


 


Só quem não fez uma carreira como professor dentro da sala de aula e comprometido com a vontade de ensinar é que não entende o fenómeno de fuga ao exercício profissional por parte de muitos professores mesmo que isso implique uma reforma com maior ou menos penalização.


 


Podemos argumentar com o susto que se adivinhou na aplicação do monstro burocrático que era a avaliação de professores, com a climatologia nefasta que foi provocada pela divisão da carreira ou com a atmosfera incompetente, pouco transparente e contrária à cooperação que se suspeita - e já se vai dando a conhecer para os mais fracos de memória - do novo modelo de gestão escolar. Todos esses argumentos são válidos.


 


Mas sabendo-se que os que se decidiram pela fuga eram em muitos casos profissionais muito competentes e amadores da causa no mais nobre sentido da expressão e ainda com muito para dar aos seus alunos e às suas escolas, importa encontrar as causas mais profundas dessa debandada irreparável e devastadora e até de modo a que se possa interromper uma sangria que tem custos elevados em qualquer dos parâmetros em análise.


 


Sabe-se que à medida que a carreira de um professor avança a sua componente lectiva vai sendo justamente reduzida. Só por inveja e ou desconhecimento é que se pode advogar o contrário. Mas o que os professores obtiveram dos ainda governantes (desconhecedores das salas de aula e descomprometidos com o ensino?), foi o preenchimento desse tempo de redução com aulas inopinadas. Passaram a um estado de espera - aulas de substituição - onde podem encontrar crianças de sete anos - às 17h30, com oito horas de escola e em estado de saturação latente - até jovens de dezassete anos que olham para o professor como uma inexplicável "ama seca".


 


É disto que me fala a maioria dos meus colegas. Numa fase da carreira em que viram os duzentos alunos anuais reduzidos a uma centena, são confrontados com um sufoco que vai da inútil espera ao contacto com a didáctica impossível. Mas mais: os professores que sofrem esta praga com mais intensidade são exactamente aqueles que menos faltam: leccionam as suas aulas e suprem as faltas dos outros. Mais valia não se ter reduzido a componente lectiva. Era tremendamente injusto mas mais sério. 


 


Se a lógica é a troca das aulas quando se falta, então é curial que exista uma bolsa concelhia de professores - ou de outro patamar organizativo - que remedeie as situações mais difíceis de resolver. Afinal, trata-se apenas de imitar quem tem práticas destas com respeito pelo profissionalidade docente.