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domingo, 14 de maio de 2023

A Peça Para Dois Atores

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Aqui



"Do dramaturgo norte-americano Tennessee Williams, “A Peça para Dois Atores” (The Two Character Play) foi levada a cena pela primeira vez em 1967, em Londres, e foi considerada pelo próprio como a sua peça mais bonita desde “Um Elétrico Chamado Desejo”.


Um homem e uma mulher, irmãos e atores estrelas em final de uma digressão demasiado longa, são abandonados pela restante companhia, que os  acusa de estarem loucos, e forçados a representar uma peça em que os dois irmãos são as próprias personagens da peça que representam. À medida que a peça dentro da peça se desenrola, a linha entre a realidade e a ilusão torna-se cada vez mais ténue e os irmãos são obrigados a lidar com os seus próprios fantasmas, num jogo trágico-cómico que os conduz ao limite.


O texto fala-nos de saúde mental e de confinamento forçado, temas que nos são assustadoramente familiares e que justificam plenamente a revisitação deste texto tão especial.


De Tennessee Williams






Tradução e encenação Diogo Infante


Com Luísa Cruz e Miguel Guilherme


Cenografia e figurinos Marta Carreiras


Desenho de luz Miguel Seabra


Sonoplastia Rui Rebelo


Assistência de encenação Flávio Gil


Assistência de cenografia e figurinos Martim Rodrigues"






domingo, 7 de julho de 2019

Linhas Tortas

 


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Não raramente, encontro no arquivo do blogue um espectáculo que vi e que de outro modo seria mais difícil a pesquisa. É um bom acervo da memória. Vi "Linhas Tortas", o filme de Rita Nunes, e aconselho. Uma boa história da actualidade e filmado em Lisboa. Já não posso dizer o mesmo da peça, com muito bons actores, "Golpada" que João Lourenço apresenta no Teatro Aberto. Saí com uma sensação de vazio e de tempo perdido. Se era esse o objectivo, cumpriram-no. O Medeia Monumental vai encerrar e há uma remota esperança na reabertura. Talvez a ficção "High Life" não tenha sido a melhor despedida. Apesar do final feliz, foram 110 minutos demasiado sombrios.

sábado, 31 de dezembro de 2016

E o Porto aqui tão perto

 


 


 


 


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Alameda da Fundação Serralves


 


Dizem-me que Rio "eliminou" a oferta cultural no Porto e nota-se nos teatros e nos cinemas. Num registo mais recente, a zona histórica da cidade rendeu-se à inundação turística e o clima acompanhou. Ficámos alojados na Avenida da Boavista, ao largo da agitação, e começámos por Joan Miró (materialidade e metamorfose) um acervo que estava nas mãos do BPN (arte é arte acima dos negócios terrenos). Jantámos no imperdível Solar Moínho de Vento (o arroz malandro com costelinhas, grelos e moura é divinal). Amadeo de Souza Cardoso (exposição 1916-2016), no Museu Nacional Soares dos Reis ficou para o dia seguinte)é uma recriação da genial exposição em que Amadeo foi tudo antes de morrer com 30 anos vítima da "gripe espanhola". Como ouvi a um catalão: os portistas vingaram-se quase um século depois e apropriaram-se do Joan Miró. Mais à noite, o Ribeira Square fez jus à famosa francesinha antes da Casa da Música exibir outro ponto forte da actualidade nacional: os jovens músicos representados pelo quinteto de Filipe Teixeira.


 


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Quinteto de Filipe Teixeira na Casa da Música


 


O Porto está belíssimo para passear. O tabuleiro superior da ponte D. Luís, de Gustave Eiffel, ficou para metro e peões. Passámos por lá e fotografámos os últimos momentos de uma visita muito agradável.


 


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 Ribeira do Porto vista da Ponte D.Luís

sexta-feira, 1 de maio de 2015

"como é que explica isto?"

 


 


 


"Não pode impedir-me de dizer uma coisa. Até no escuro eu posso gritá-la: dantes na paisagem havia subidas e descidas. Agora só há descidas. Como é que explica isto?". É um parágrafo de um grande texto, "O fim das possibilidades", de Jean-Pierre Sarrazac, traduzido por Isabel Lopes, que o Teatro da Rainha levou à cena numa grande produção. Imperdível.


 


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segunda-feira, 17 de fevereiro de 2014

definitivamente as bahamas

 


 


 



 


 


 


Vi e recomendo a peça, do Teatro da Rainha, "Definitivamente as Bahamas" de Martin Crimp com encenação de Fernando Mora Ramos. É um retrato demolidor de uma classe média perdida e composta por pessoas sem vida própria. É interessante que o texto passe pelos mesmos locais e hábitos que Mark Behr visitou no seu inesquecível "Cheiro das Maçãs" a propósito da África do Sul, dos bôers e do apartheid.


 


 


Milly - Ele quer dizer Canárias
in Definitivamente as Bahamas


Estas Bahamas são de pacote e uma pista anedótica - para que é um título? São um não lugar, a confirmação mental de uma imagem de postal. Numa trama quotidiana, marido e mulher vão-se revelando como a prisão um do outro, o espaço da intimidade é um território de desafectos e preconceito. É este o olhar de Crimp sobre a classe média que retrata no seu autocentramento familiar pequenino. Se fosse este o fim da história – e sabemos que não, nunca foi – a tal civilização a que chegámos teria apenas feito um caminho em direcção à suprema mesquinhez do consumo e mercancia. Classe média Completamente média, sem dúvida e abrangente, isto é, média nas partes mais altas e baixas também. Crimp faz a dissecação disso mesmo, da identidade da média, com mestria cirúrgico dramática.


 


 



 


 


 

segunda-feira, 13 de janeiro de 2014

vénus de vison (imperdível)

 


 


 


 


 


 


 


 


A peça da sala vermelha do Teatro Aberto é imperdível e tem duas interpretações de nível muito elevado. Fiquei impressionado com o facto do Teatro Aberto correr o risco de fechar.


 


 


"VÉNUS DE VISON, de David Ives


EM CENA A PARTIR DE 10 DE JANEIRO


SALA VERMELHA


 


 


"Vénus de Vison começa no culminar de um dia exaustivo e frustrante de audições. Tomás, o encenador, está sem esperança de vir a encontrar uma actriz à altura para desempenhar a protagonista da sua peça. Prepara-se para voltar para casa desiludido, quando, de repente, entra mais uma actriz. Parece igual a todas as outras. Vem atrasada mas ainda gostaria de prestar provas. O seu nome é Vanda – o mesmo nome da personagem da peça. Será ela diferente de todas as outras?


  


Da autoria do dramaturgo norte-americano David IvesVénus de Vison [Venus in Fur] coloca em cena esta audição, partindo de uma releitura do romance homónimo de Leopold von Sacher-Masoch.
   


A tensão dramática que existe no romance inspirou uma peça sensual, recheada de inteligência e instintos. As relações de poder primordiais entre um homem e uma mulher encontram um eco, subtil e inquietante, na relação entre Tomás (o encenador) e Vanda (a intérprete), no meio de adereços, textos e projectores. Qual será agora a cara do poder, no território de todas as máscaras, o teatro? Quem domina? Quem seduz? Quem resiste? Que força tem o desejo? E o que acontece quando o desejo ganha vida?"


 


 


 


 


VÉNUS DE VISON


de David Ives


 Encenação 


MARTA DIAS


Cenário


RUI FRANCISCO


Figurinos


DINO ALVES


Supervisão Audiovisual


NUNO NEVES


 com ANA GUIOMAR | PEDRO LAGINHA

quarta-feira, 6 de março de 2013

quarta-feira, 2 de janeiro de 2013

há muitas razões para uma pessoa querer ser bonita

 


 


 


 


 



 


 


 


 


A sinopse do Teatro Aberto é significativa: "Rui gosta de Xana tal como ela é, mas Xana gostava que ele a achasse bonita. Daniel não resiste a uma bela rapariga e Carla queixa-se de ser demasiado atraente. Será a aparência assim tão importante? Para se ter amor-próprio, conquistar o amor de alguém, obter sucesso, ser feliz? Numa roda-viva de encontros e desencontros, verdades e mentiras, discute-se o ser e o parecer e o que se procura nesta vida, porque há razões, muitas razões, para uma pessoa querer ser bonita."


 


 


"Há muitas razões para uma pessoa querer ser bonita" é um texto de Neil LaBute. Para quem está habituado aos clássicos ou aos textos mais profundos e exigentes usados pelos teatros independentes, esta peça, que trata a actualidade, surprende pela linguagem cheia de palavrões e pela crítica cortante. É um texto que nos põe a pensar.


 


A encenação de João Lourenço está adequada e recorre à realização vídeo e aos jogos de luzes. Gostei dos quatro excelentes actores: Ana Guiomar, Jorge Corrula, Sara Prata e Tomás Alves.


 


 






 

sexta-feira, 14 de setembro de 2012

pensar

 


 


 


Chegam relatos de uma multidão de professores à beira de um ataque de nervos, com a agravante de muitos enfrentarem o dilema descrito por Samuel Beckett no seu trabalho de ficção em prosa Watt:






"Pensar, quando já não somos novos, quando ainda não somos velhos, que já não somos novos, que ainda não somos velhos, não é coisa pouca".

sexta-feira, 27 de abril de 2012

in tenebris / tróika city

 


 



 


 


 


 


Apesar do meu sportinguismo, troquei, ontem, o jogo pela estreia de mais uma peça do Teatro da Rainha. Não há sequer no que escrevi qualquer intenção de "pão e circo". Embora, e nos tempos que correm, tenhamos que reflectir sobre os modos que anestesiam a força da razão.


 


Os textos do então jovem Bertrolt Brecht são clássicos com oitenta anos e têm uma actualidade que vai ao osso. O Teatro da Rainha, para não variar, apresenta mais uma excelente produção. São sessenta minutos intensos que nos fulminam. José Carlos Faria, com uma espantosa versatilidade, e Victor Santos, sempre poderoso na colocação da voz, assinam interpretações inesquecíveis enquadradas pela encenação do primeiro e de Fernando Mora Ramos.


 


Deixo a ligação ao sítio na internet. Vale a pena navegar pelo site e apreciar a excelência do design. Por paradoxal que pareça, um dos momentos sublimes da peça é escrita a giz vermelho num quadro negro. Quando Victor Santos usa uma gravata para fazer o corpo de um T e começa a usar o giz nada se lê. Soube depois que o giz estava, intencionalmente, húmido. A leitura tornou-se progressivamente nítida e a ligação das letras era clara: Tempos das Trevas. Num tempo de tanta parafernália tecnológica, são brilhantes a simplicidade e o significado deste momento de encenação.


 


Pode saber mais aqui.

segunda-feira, 2 de abril de 2012

da vergonha ao rapaz da última fila

 


 


 


O filme de Steve McQueen, Shame, não é uma obra prima, mas é excelente e merece a ida a uma sala de cinema. Analisa uma mente dependente do vício e da obsessão e olha o problema a partir da condição masculina. "Aos trinta e poucos anos, Brandon (Michael Fassbender) é um bem-sucedido irlandês com um cargo de topo numa grande empresa de Nova Iorque. A viver sozinho num pequeno apartamento, tem a vida controlada ao milímetro. Porém, por trás de uma máscara de autocontenção, está um homem a viver no limite. Numa luta constante entre um medo incontrolável de intimidade e uma ânsia de sexo, ele vive de encontros ocasionais com estranhos. Até Sissy (Carey Mulligan), a sua irmã mais nova, aparecer sem pré-aviso e instalar-se no seu apartamento. Brandon perde então todo o controlo sobre a sua vida e a sua sexualidade."


 


 










segunda-feira, 6 de fevereiro de 2012

O eléctrico, o jazz e a burocracia

 


 



 


 


 


A aceleração do tempo e o excesso de presente absolutizam o desespero com a "ausência" do futuro. São interessantes os exemplos que Daniel Innerarity (1) utiliza para de alguma forma sossegar o devir histórico.


 


O desassossego com a estonteante velocidade na estreia do eléctrico, a passagem do ritmo frenético do primeiro jazz para a audição actual que se sujeita ao julgamento de "fora de tempo" e de brandura e o resultado não previsto por Max Weber quando destinou à burocracia um registo de velocidade e de simplificação, são boas analogias para pensar e relativizar.


 


Resta-nos sempre um regresso aos clássicos e, neste caso, a Tennessee Williams e ao seu "Um eléctrico chamado desejo". O único segredo para a eternidade poderá ser a aventura de viver cada um dos dias.


 


(1) Daniel Innerarity (2011).


"O futuro e os seus inimigos". Lisboa: Teorema.


  




sexta-feira, 27 de janeiro de 2012

morte de judas

 


 



 


 


 


 


 


 


 


 


 


 


 


 


 


 


 


Tentarei não perder.


 


MORTE DE JUDAS de Paul Claudel 


Um espectáculo de Dinarte Branco, Luis Miguel Cintra e Cristina Reis


 


"Em fim de Março do ano passado o Teatro da Cornucópia levou à cena um espectáculo que não estava previsto na programação do ano: o monólogo MORTE DE JUDAS de Paul Claudel, interpretado por Dinarte Branco. Esse espectáculo, que se apresentou como um trabalho de Cristina Reis, Dinarte Branco e Luis Miguel Cintra,extremamente austero na sua concepção cénica, teve uma óptima recepção do público e deu a possibilidade a Dinarte Branco de realizar um trabalho de interpretação extraordinário. A versão da traição de Judas que o próprio Judas enforcado apresenta ao público, pouco canónica mas de um catolicismo exemplar, surpreendentemente tocou fundo o público que pôde assistir a essas representações.


Enquanto o Teatro da Cornucópia começa a ensaiar aquilo que será a sua primeira e mais ambiciosa produção de 2012, (FINGIDO E VERDADEIRO, a partir de LO FINGIDO VERDADERO de Lope de Vega), MORTE DE JUDAS volta à cena de 19 a 29 de Janeiro no Teatro do Bairro Alto para mais uma série de 10 representações."


 

domingo, 18 de dezembro de 2011

continua a commedia dell´arte

 


 


 


 


 


Depois do que se passou com os governos portugueses na primeira década do milénio, só faltava que a segunda se iniciasse com uma figura em registo de "marioneta" (sem qualquer desprimor para quem produz as verdadeiras) e com tiques que o remete para os anos cinquenta e sessenta do século anterior. 


 


O ensino superior privado serviu clientelas partidárias durante décadas e a formação de professores foi um exemplo maior. Por mais que se dissesse que a oferta era exagerada e que enganava os jovens, os bolsos financiados seguiam incólumes e assim continuam.


 


Para agudizar o desespero colectivo, um dos produtos do estado que nos empurrou para onde estamos aparece a propôr a emigração. A pior Commedia Dell´Arte continua pujante. 


 


Passos Coelho sugere a emigração a professores desempregados

domingo, 27 de novembro de 2011

a varanda

 



 


 


O célebre texto de Jean Genet é um desafio para os encenadores. O poder e o sexo são o mote para um texto difícil e profundo que tem como palco um bordel. O retrato das sociedades humanas é tal que o espelho é de convocação obrigatória. Não sei se inspirado nos tempos sobreaquecidos que vivemos, o que é certo é que Luís Miguel Cintra assina uma notável encenação que mereceria o aplauso do próprio Jean Genet. São mais de três horas de teatro; teatro mesmo. A sala da Cornucópia parece-me sempre um espaço em construção e em que os espectadores se sentem parte activa do espectáculo. Ontem voltou a perceber-se o profissionalismo e a elevada qualidade da companhia. A não perder. Pode ler a sinopse e saber mais aquiaqui.


 


"A Varanda é uma das mais comentadas e discutidas peças do século XX. E também uma das mais desejadas e temidas pelos encenadores. Poucos dos grandes encenadores que a trabalharam conseguiram agradar a Genet na sua abordagem (Peter Zadek, Peter BrookErwin PiscatorRoger BlinGiorgio Strehler). Teria sido ao que parece a encenação de Vítor Garcia para Rute Escobar em S. Paulo aquela que mais perto estaria do que Genet podia imaginar quando definia a peça como uma glorificação da imagem e do reflexo. Ao contrário do que o título poderia levar a crer, tudo nesta peça é fechado em si próprio. Entre imagem e reflexo, e anulado o ser, ou a Verdade. Tudo se passa numa espécie de sistema fechado, como uma grande câmara de espelhos: a Varanda é o nome de um bordel ou casa de ilusões, dirigida por Irma e a sua ajudante Carmen. As prostitutas ajudam a construir fantasias para o prazer dos clientes que imitam ou espelham as relações e as estruturas do Poder: a Igreja, a Justiça, o Exército, a Polícia, mas também a relação patrão/escravo e rico/pobre e as relações amorosas. As cenas vão-se sucedendo como variantes da mesma ideia até à cena da própria Morte, associada ao momento da derrota de uma Revolução que não se sabe se realmente se está a passar lá fora, se faz parte da ilusão. Quando a janela da Varanda finalmente se abre sobre a praça e as personagens aparecem à varanda, ela transforma-se em espelho, na imagem que a praça quer ver, a imagem do poder. Numa moldura. E a praça: o poder que a praça glorificaria. Ou melhor, as imagens do poder. A violência política e poética do texto transformam esta peça num espécie de bárbara oratória, talvez um reflexo, ou uma imagem do nosso viver com os outros." 

sábado, 12 de fevereiro de 2011

nada de novo

 


 


O Paulo Guinote fez um post sobre a reunião de hoje dos dirigentes escolares. Parece que triunfou a tese do costume: se nos demitimos é o dilúvio. É risível, realmente. É só pensar um bocadinho e responder à seguinte interrogação: se o tivessem feito noutras alturas a situação das escolas públicas não estava em melhor estado? É certo que sim e afirmo-o sem pestanejar.


 


Parece que votaram favoravelmente a suspensão do modelo de avaliação e dos seus efeitos. Mas o melhor é o leitor ir ler o post e os comentários. Tenho de sair para ir ver outra peça de teatro.