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domingo, 31 de julho de 2022

sexta-feira, 1 de maio de 2015

"como é que explica isto?"

 


 


 


"Não pode impedir-me de dizer uma coisa. Até no escuro eu posso gritá-la: dantes na paisagem havia subidas e descidas. Agora só há descidas. Como é que explica isto?". É um parágrafo de um grande texto, "O fim das possibilidades", de Jean-Pierre Sarrazac, traduzido por Isabel Lopes, que o Teatro da Rainha levou à cena numa grande produção. Imperdível.


 


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segunda-feira, 17 de fevereiro de 2014

definitivamente as bahamas

 


 


 



 


 


 


Vi e recomendo a peça, do Teatro da Rainha, "Definitivamente as Bahamas" de Martin Crimp com encenação de Fernando Mora Ramos. É um retrato demolidor de uma classe média perdida e composta por pessoas sem vida própria. É interessante que o texto passe pelos mesmos locais e hábitos que Mark Behr visitou no seu inesquecível "Cheiro das Maçãs" a propósito da África do Sul, dos bôers e do apartheid.


 


 


Milly - Ele quer dizer Canárias
in Definitivamente as Bahamas


Estas Bahamas são de pacote e uma pista anedótica - para que é um título? São um não lugar, a confirmação mental de uma imagem de postal. Numa trama quotidiana, marido e mulher vão-se revelando como a prisão um do outro, o espaço da intimidade é um território de desafectos e preconceito. É este o olhar de Crimp sobre a classe média que retrata no seu autocentramento familiar pequenino. Se fosse este o fim da história – e sabemos que não, nunca foi – a tal civilização a que chegámos teria apenas feito um caminho em direcção à suprema mesquinhez do consumo e mercancia. Classe média Completamente média, sem dúvida e abrangente, isto é, média nas partes mais altas e baixas também. Crimp faz a dissecação disso mesmo, da identidade da média, com mestria cirúrgico dramática.


 


 



 


 


 

sexta-feira, 27 de abril de 2012

in tenebris / tróika city

 


 



 


 


 


 


Apesar do meu sportinguismo, troquei, ontem, o jogo pela estreia de mais uma peça do Teatro da Rainha. Não há sequer no que escrevi qualquer intenção de "pão e circo". Embora, e nos tempos que correm, tenhamos que reflectir sobre os modos que anestesiam a força da razão.


 


Os textos do então jovem Bertrolt Brecht são clássicos com oitenta anos e têm uma actualidade que vai ao osso. O Teatro da Rainha, para não variar, apresenta mais uma excelente produção. São sessenta minutos intensos que nos fulminam. José Carlos Faria, com uma espantosa versatilidade, e Victor Santos, sempre poderoso na colocação da voz, assinam interpretações inesquecíveis enquadradas pela encenação do primeiro e de Fernando Mora Ramos.


 


Deixo a ligação ao sítio na internet. Vale a pena navegar pelo site e apreciar a excelência do design. Por paradoxal que pareça, um dos momentos sublimes da peça é escrita a giz vermelho num quadro negro. Quando Victor Santos usa uma gravata para fazer o corpo de um T e começa a usar o giz nada se lê. Soube depois que o giz estava, intencionalmente, húmido. A leitura tornou-se progressivamente nítida e a ligação das letras era clara: Tempos das Trevas. Num tempo de tanta parafernália tecnológica, são brilhantes a simplicidade e o significado deste momento de encenação.


 


Pode saber mais aqui.

sábado, 12 de fevereiro de 2011

nada de novo

 


 


O Paulo Guinote fez um post sobre a reunião de hoje dos dirigentes escolares. Parece que triunfou a tese do costume: se nos demitimos é o dilúvio. É risível, realmente. É só pensar um bocadinho e responder à seguinte interrogação: se o tivessem feito noutras alturas a situação das escolas públicas não estava em melhor estado? É certo que sim e afirmo-o sem pestanejar.


 


Parece que votaram favoravelmente a suspensão do modelo de avaliação e dos seus efeitos. Mas o melhor é o leitor ir ler o post e os comentários. Tenho de sair para ir ver outra peça de teatro.


 


 


sábado, 11 de dezembro de 2010

a morte do dia de hoje

 


 


 



 


O texto profundo de Howard Barker e as boas interpretações de Fernando Mora Ramos e de João Cardoso são os pontos altos de mais um bom espectáculo do Teatro da Rainha.


 


Ver teatro na antiga lavandaria do hospital termal das Caldas da Rainha é sempre um fascínio. Uma hora e um quarto, em que o palco se transforma numa barbearia, composta de mensagens que nos fazem parar para pensar. Um barbeiro que perde o filho na guerra defronta-se com o senhor das más notícias. São duas personagens que nos transportam para os eternos dilemas da condição humana, sufragados de forma insistente pela morte e pelos ideais de liberdade. É um texto que não cede ao politicamente correcto nem à facilidade. A não perder. Pode saber mais aqui.

segunda-feira, 22 de novembro de 2010

domingo, 24 de outubro de 2010

dramas rápidos

 


 


 



 


 


 


 


Dramoletes 1 - O Coveiro, de Thomas Bernard, é uma excelente escolha do Teatro da Rainha. Em cena, até 30 de Outubro, no lugar onde mais gosto de ver teatro: a antiga lavandaria da Hospital termal das Caldas da Rainha.


 


O dramaturgo austríaco lembrou-se da forma breve como se confeccionam as omeletes e escreveu três dramas para um hora. Os actores nem precisam de sair de cena. O texto aborda a sobrevivência à mentalidade nazi e recorda-nos o piscar de olhos que pode originar o seu reaparecimento. A encenação e as interpretações respeitam a qualidade do texto. Foi uma hora que voou ao sabor de uma atmosfera recheada de humor e de oportunidade política.


 


Pode saber mais aqui.

quinta-feira, 26 de janeiro de 2006

os privilégios que interessam

ella.jpg Estava uma noite fria, ontem, quarta-feira. Chegámos ao estacionamento mais próximo da lavandaria do hospital termal e quase que não havia carros. Eram nove horas e o teatro começava às nove e trinta. Entrámos na sala - éramos uns quinze, se tanto -, uns minutos antes do começo da peça e ficámos no centro da primeira fila. Os actores já estavam no palco. El(l)a, a mãe, já muito velha, estava silenciada em frente a um televisor - a mesma causa para o parco número de espectadores? - e calada ficaria até ao último minuto da peça. No fatídico minuto não falou, deu um grito. Ele, o filho, estava sentado na cama e esperava que nos calássemos. Deparámos com um fascinante cenário: a casa toda numa assoalhada. A parede mais próxima de nós era constituída por uma rede de capoeira. El(l)a, a mãe, a actriz Clara Joana, teve uma vida desgraçada: uma infância de muita pancada; vendida pelo pai ao noivo, passou por muitos hospitais psiquiátricos até acabar os seus dias na capoeira da irmã. Ele, o filho, o actor Fernando Mora Ramos - que está soberbo e segundo Ricardo Pais, director do Teatro Nacional São João, no Porto, é o seu melhor trabalho - não tem existência autónoma e relata-nos a vida da mãe na primeira pessoa. Os dois fazem a peça. Ela calada, ele em monólogo e preprando um café. Também alimentou as galinhas e lavou umas peças de roupa. A encenação tem uma beleza muito profissional. A hora e meia passou como se de quinze minutos se tratasse. Um verdadeiro enigma, esta coisa do tempo. Repito. A peça "Ella" (1970) é uma produção do Teatro da Rainha com encenação de Fernando Mora Ramos e texto de Herbert Achternbusch. Está em cena no lindo espaço que é a lavandaria do hospital termal, nas Caldas da Rainha. Um privilégio.