terça-feira, 10 de abril de 2012

reformas ao espelho

 



 


 


 


 


O actual primeiro-ministro, qual mega-encarregado de educação, afirmou que escondeu o assunto das reformas antecipadas para evitar o aumento fora do comum de pedidos. Já não lembro quem foi, mas recordo-me de um responsável que projectava no tempo o pagamento de subsídios para proteger os funcionários do desvario gastador enquanto recebia juros bancários pelos depósitos.


 


Os portugueses, e outros europeus, são acusados, com alguma razão, de gastadores descontrolados. Mas que se saiba, os excessos foram estimulados pela banca, valeram votozinhos sem fim, garantiram prémios astronómicos de gestão, asseguraram níveis historicamente residuais nas taxas de desemprego e proporcionaram décadas de paz social.


 


Esta forma de lidar com os direitos das pessoas estimula a irresponsabilidade e é própria duma sociedade imatura. Um dirigente que tenha este discurso deve estar a ver-se ao espelho. As atitudes paternalistas, ou maternalistas, podem evidenciar uma qualquer compulsão para a obediência e isso não é nada bom.


 


É também isso que a sociedade portuguesa teima em não derrubar. A confiança é uma palavra chave. Estimula-se com o exemplo, com a competência e com a transparência.

3 comentários:

  1. Gostei imenso deste seu post Paulo.
    Para os males actuais os políticos culpam a inércia da sociedade; a sociedade culpa a ineficácia dos políticos; e é neste ciclo vicioso sem fim positivo à vista que andamos...
    O seu último parágrafo é muito bom "É também isso que a sociedade portuguesa teima em não derrubar. A confiança é uma palavra chave. Estimula-se com o exemplo, com a competência e com a transparência." Uns dizem que ensinando nas escolas as soluções, mostrando os erros cometidos no passado, as gerações futuras serão capazes de resolver os problemas. Mas o problema é outro, e aqui recordo-me sempre do algoritmo que aprendi com o Paulo: 60% da educação de alguém vem da sociedade em que se insere. Se a sociedade se mantém, os erros e os problemas são os mesmos e quem nos dirige tem a mania de nos tratar como coitadinhos. Assim não vamos lá!
    Concordo consigo Paulo: o bom exemplo, a explicação atempada e justificada de acções, a transparência dos processos não só dão confiança como motivação, a força motora para vencermos os obstáculos e dificuldades da vida.
    Pena é às vezes os políticos terem motivações diferentes das que a sociedade espera deles; talvez se se olhassem ao vidro em vez de ao espelho (por sinal até é mais barato o vidro do que o espelho, caso a motivação seja económica) e vissem como está verdadeiramente a sociedade e como podem ser úteis no bem comum, nem que seja dando pequenos bons exemplos, provavelmente pouco a pouco a sociedade se sentiria mais motivada e confiante para rumar a bom porto.
    Felizmente a sociedade não está apática, e felizmente pessoas como o Paulo vão chamando a atenção para o que se passa. Mais uma vez os meus parabéns pelo post .

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  2. (esqueci-me de me identificar anteriormente)

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  3. Paulo G. Trilho Prudencio11 de abril de 2012 às 10:19

    Obrigado Ivo. Aquele abraço.

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