Pará além das questões do ensino, o tratamento da informação, vulgo burocracia, é o indicador mais decisivo para se conhecer a saúde de uma organização escolar (OE) num sistema escolar "industrial" e que esteja muito "longe dos sistemas" com escolas bem dimensionadas, com taxas residuais de insucesso escolar e que confiam nos professores.
Com a generalização das denominadas tecnologias da informação e da comunicação associadas aos sistemas de informação, essas OE evoluíram para patamares em que se esperava que a digitalização dos dados contribuísse para a qualidade das decisões e libertasse tempo para o essencial.
A construção de bases de dados nas redes internas e externas tem pressupostos que permitem uma detecção de qualidade e de caminhos a percorrer. O tempo real (na obtenção e fornecimento de informação) e a eliminação da repetição no lançamento de dados são características cruciais.
A integração das diversas componentes organizacionais é decisiva e nem carece de conhecimentos de mecânica quântica para se entender o óbvio: a digitalização do nome, por exemplo, de um membro da organização, só deve acontecer uma vez em todo o universo; seja de um aluno, de um professor ou de um encarregado de educação. E a partir daqui, é só dar asas à imaginação e pensar no número elevadíssimo de dados que são debitados diariamente.
Uma outra variável fundamental prende-se com o histórico de dados. A qualquer momento e em qualquer terminal da rede, um utilizador deve aceder à informação necessária para a elaboração de uma decisão. Este exercício inalienável de construção da memória deve relacionar-se com o tempo real e com os privilégios de acesso dos diversos utilizadores. Para além da informação relacionada com os nucleares históricos de alunos, devemos considerar todo o universo. São inúmeras as valências para fazer um elenco neste registo. Mas há um ou outro exemplo que ajuda a raciocinar sobre outro indicador de qualidade: a transparência.
Dados da gestão financeira e dos diversos horários escolares (professores, turmas, salas e por aí fora) são determinantes. Os seus históricos permitem estudos prospectivos e mesmo isso não é suficiente. É fundamental que o tempo real garanta, com os respectivos privilégios de acesso, que a transparência seja uma metabolismo organizacional diário e, por isso, gerador de confiança, de cooperação e de mobilização. É também disto que falo quando refiro o poder democrático da escola.
Em Portugal estamos na idade do-papel-químico-por-via-electrónica, com responsabilidades centrais e locais, sem mecanismos de fiscalização e, portanto, com a democracia suspensa.
A despesa gerada era incomportável, como se comprovou. Ficámos sem tempo e, também aqui, não nos podemos escudar em quem veio de fora. Seria, em nome do futuro, o que verdadeiramente interessava que estivesse para além da troika.
Excelente poste! Parabéns!
ResponderEliminarMagnífico, Paulo!
ResponderEliminarA transparência à distância de um clic, já existiu, no tempo da gestão democrática. Em Santo Onofre. Lembro-me de que, TODA A COMUNIDADE ESCOLAR (falemos de contas) sabia, quanto entrara, quanto, quando e onde se gastara, em benefício de quem, .....
Com a democracia suspensa, como muito bem dizes, e com este modelo de gestão que TUDO permite, como pode haver transparência?
Históricos? Estudos prospectivos? Horários à vista? Lá estás tu a falar de transparência!
Excelente, Paulo! Partilho. Bj
ResponderEliminaro meu filho, aluno em santo onofre, dizia-me hoje que ele e os colegas estão escandalizados com a subida dos preços no bar da escola.
ResponderEliminarQuando lhe sugeri que manifestassem junto da Direcção (de forma educada e civilizada) o desacordo ao aumento retorquiu ele:
- mãe tu não sabes o que dizes, agora naquela escola não se pode manifestar desacordo por nada ou é-se perseguido, olha faz lembrar as historias que o avô conta do antes do 25 de abril com pide e tudo, nós somos perseguidos, mas, para os professores e funcionarios que não estejam de acordo com tudo ainda é muito pior, existem para lá alguns, muito poucos, que estão sempre de acordo com tudo e até fazem queixinhas dos outros.
Triste que fico que o meu filho tenha de assistir a isto - A conversa com o meu filho ficou por aqui, por agora, mas sinto que ficou mais por dizer, esta conversa vai ter de ter continuação.
Também considero o texto magnífico mas não concordo com a Isabel quando acha que na chamada Gestão Democrática havia transparência. Uma coisa é o magnífico trabalho que se fez em Santo Onofre nesse nível e noutros e o Prof. Paulo está de parabéns, outra coisa é afirmar que em todas as escolas era assim. Discordo. Santo Onofre era uma exceção.
ResponderEliminarA minha estupefação é total com o que se passa nessa escola...
ResponderEliminarExpliquei-me mal, provavelmente. Eu referia-me mesmo a Santo Onofre.
ResponderEliminarPOis claro, sem dúvida. Aliás, o texto demonstra como se tem vivido...
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