quarta-feira, 20 de junho de 2012

dos exames e da repetição

 


 


 


Estamos de tal modo que a repetição tornou-se o nosso modo de ser e o sistema escolar não escapa ao alçapão em que estamos metidos, mesmo que se considere que para aprender é necessário repisar muitas vezes.


 


Os exames são um metabolismo útil e basal nos sistemas escolares que incluem mais do que um aluno. Desta vez, o eduquês (ou rol de inutilidades, e de má burocracia, inventado por quem tem falta de terreno), que vem sempre de onde menos se espera, baptizou-os (sim, porque também existe no modo católico) de prova final.


 


Num sistema como o nosso, generalizar a coisa em doses industriais pode criar um peso burocrático que transforme um procedimento docimológico num pesadelo organizacional redundante, que apenas confirme o que já se sabia e que se vire contra o próprio, como comprova a história das correntes ideológicas e pedagógicas.


 


E já que estamos em maré de exaustivas repetições, e para além de não nos devermos esquecer que a primeira regra para aferir a saúde de uma sociedade é verificar se a retórica coincide com a realidade, repito um post de há uns dias:


 


Discutir em que anos é que há exames, e em que disciplinas, é uma matéria interessante. Tornar a questão numa contenda ideológica só é possível em sociedades imaturas ou em crise (não estou a ser ingénuo, não). E como me tenho cansado de escrever, a nossa sociedade é a parte maior do problema. Proponho a leitura deste comentário da Ana aqui no blogue. É interessante seguir o raciocínio e chocar com o último parágrafo.

3 comentários:

  1. Quando reli, pela primeira vez, esse meu comentário, senti-me mentalmente disléxica, ou melhor: (em linguagem bem coloquial) achei que não batia a bota com a perdigota, do princípio ao fim do texto, sobretudo por causa desse último parágrafo.

    E, sabendo que a escrita me saíra exactamente ao ritmo do pensamento, preocupei-me ainda mais com essa minha (aparente?) dislexia mental.

    Aproveitei a recorrência do tema dos exames na blogosfera e nas conversas informais entre colegas para fazer a minha terapia e tentar arrumar as ideias sobre o que de disléxico me pareceu haver nesse pensamento e nessas preocupações que encerraram o tal comentário (aqui lembrado), decorrentes da ampliação dos exames.

    Devo confessar que não tenho cura: não consigo subestimar as preocupações que expus no último parágrafo, nem desvalorizar a existência/realização de exames.
    Acho que o problema é o mesmo que encontro ao pôr em prática algumas receitas culinárias. Isso mesmo, o problema é o “q.b.”! Quando recomendam: “sal q.b.” ou “mexer/apurar/alourar q.b.” fico logo desanimada. O “q.b.” será quanto, afinal? Quanto às receitas culinárias, posso experimentar várias vezes e ir corrigindo… Mas os exames, e o seu impacto nos jovens estudantes (que não são ingredientes de culinária!), não podem ser tratados com esta ligeireza.

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  2. Excelente comentário Ana, se me permite. É bom que essa dislexia não tenha cura :) O outro comentário tornou-se um clássico :) e este segue o mesmo caminho :)

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