Ninguém contestará que os indicadores de excelência da nossa população que frequentou o sistema escolar público se equiparam ao que de melhor existe no mundo conhecido e são frequentes os elogios aos nossos cérebros nas mais diversas áreas. O nosso problema é mais de replicação e de generalização, de democracia, digamos assim; e é secular.
Não será preciso uma qualquer bola de cristal para perceber que, em regra, o que as escolas fazem bem uma boa parte da sociedade não acompanha e ponto final (haverá casos inversos, naturalmente).
Se, como se tem visto, centrarmos a acção na mudança constante de procedimentos escolares, degradaremos a excelência do serviço que têm prestado, como se constata, e não atenuaremos as insuficiências da sociedade. O gigantesco desafio que se coloca a Portugal passa pela transformação da ambição escolar numa metabolismo basal como o repouso ou as refeições.
Dá ideia que quase que eliminámos o analfabetismo, mas que estamos desorientados no combate ao abandono escolar precoce. A proliferação de alternativas ao ensino regular (CEF, EAF, NO, CA e por aí fora) mascaram o problema e têm "salvado" alguma da população destinada à não escolarização. Também aí importa reduzir a demagogia e sustentar a seriedade e a inteligência.
Acabar por acabar é agora popular e continuamos sem vislumbrar o que quer que seja no sentido de envolver mesmo a sociedade no combate contínuo ao flagelo. E convenhamos: lançar exames em catadupa pode não ser apenas redundante, já que o nosso problema não é sequer a excelência, como pode ter o mesmo efeito do que as gravações de assembleias de risos que tentam animar programas humorísticos televisivos de fraca qualidade e recorda-me sempre uma nação de poetas sem vida.
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