Muito bom este artigo, à semelhança dos anteriores.
Li-o há bocado na fonte e não deixei lá um aplauso porque não há caixa de comentários.
Para além do peso que os exames têm para os alunos do ensino secundário, há que ter em conta a relatividade das correcções/classificações.
Tal como o colega autor do post refere, sempre me disponibilizei para fazer apreciações de provas dos meus alunos. Aliás, até já fiz para alunos que nunca foram meus. Excepto num caso em que recusei escrever a fundamentação por falta de matéria para tal (a classificação da prova desceria e não subiria), todos os outros foram atendidos e a subida de classificação ratificada.
Entretanto, desde 2005 que tenho corrigido/classificado apenas provas de 9º ano, com muito menos expressão no percurso académico dos alunos. Ainda assim, também já fiz a fundamentação de um recurso, que foi atendido. Tratou-se da subida de nível 3 (68%) para nível 4 (74%) de um aluno que obtivera 5 da classificação de frequência, mas que reagira com muito nervosismo ao seu primeiro exame na vida, baixando o resultado.
Estou em crer que não fiz mais apreciações/recursos simplesmente porque os alunos desconhecem as percentagens que obtiveram nas respectivas provas de exame. Aliás, sobre os exames de 9º ano também muito haveria a dizer, começando por esta falta de transparência na divulgação das classificações obtidas nas provas, cujas pautas apresentam apenas o nível de cada aluno e não a percentagem correspondente.
Como já disse, sou professora de 9º ano e classificadora ininterrupta de provas de exame e nunca vi as percentagens que os meus alunos obtiveram em exame, alegadamente por que é ilegal, a não ser quando os mesmos pediram fotocópia da prova. Contudo, por diversas vezes verifico, nas fotocópias que os alunos solicitam, a atribuição de percentagens de 48%, 49% = nível 2, de 68%, 69% = nível 3, 88%, 89% = nível 4, o que, não sendo ilegal, contraria o bom senso e as instruções que são dadas nas longas reuniões iniciais e intercalares para aferição de correcções, até à data sempre realizadas no Ensino Básico, no período de correcção/classificação de exames.
Reconheçamos que, numa prova de Língua Portuguesa, com dois textos longos para redigir, que somam o total de 40 pontos percentuais é fácil encontrar 2 pontos para fugir destas percentagens de fronteira, acima indicadas, e que produzem alteração de nível. Mas nem todos os correctores/classificadores cumprem essa instrução, sempre transmitida oralmente é verdade, não sei porquê.
A transparência na afixação das percentagens obtidas pelos alunos resolveria esta situação e, acima de tudo, permitiria aos professores reflectir, de forma muito mais rigorosa, sobre os resultados alcançados pelos seus alunos em exame, e estabelecer objectivos futuros muito mais direccionados a melhores resultados, investindo mais nas dificuldades identificadas (conteúdos/competências).
Se o peso de 30% destes exames de 9º ano é quase irrelevante para os alunos, que raramente reprovam na sequência dos seus resultados (se tiverem nível 3 na frequência, podem ter 2 no exame que obterão nível 3 final), então parece que a existência destes exames visa sobretudo o trabalho dos professores. Assim sendo, convém que sejam tratados com mais respeito e seriedade, sendo-lhes facultados os resultados percentuais alcançados pelos seus alunos.
Estou cansada de fazer de Zandinga tentando adivinhar onde terão os meus alunos fracassado: se na compreensão de texto, se na expressão escrita, se no conhecimento da língua... Resta-me fazer inferências pelas provas que corrijo, o que, por vezes, nem consigo. Este ano, por exemplo, corrigi um conjunto de provas de uma escola em que os alunos acertaram quase todos o conhecimento explícito da língua, mas fracassaram a interpretação/escolha múltipla e outro conjunto de provas, em número idêntico, em que se verificou precisamente o contrário. Sei lá o que fizeram os meus! Posso simplesme
Com aquela minha choraminguice (apesar de sentida e verdadeira!)?!? NÃO!!!
Qualquer dia internam-me, por me considerarem vítima daquela coisa (muito séria, é verdade!) dos miolos queimados ... síndrome de Burnout, pois.
E a única coisa que já tenho muito queimadinha, afogueadinha, ardente, incendiada, torrada, tostada, esturricada... é a PACIÊNCIA!!!
De resto, gosto muito do seu blogue e da ponderação das suas reflexões, gosto muito de ler, de escrever, por isso me atrevo a comentar, mas o que me sai são só lugares comuns.
É Ana. Muitas vezes, e já ouvi jornalistas falarem disso, faltam exemplos do "terreno" exactamente da forma que a Ana expressa, se me permite.
Transformar em post pode ser ainda mais lido do que nos comentários. Agradecemos que o faça e compreendemos a saturação. Haverá muito poucos professores sobreviventes.
Muito bom este artigo, à semelhança dos anteriores.
ResponderEliminarLi-o há bocado na fonte e não deixei lá um aplauso porque não há caixa de comentários.
Para além do peso que os exames têm para os alunos do ensino secundário, há que ter em conta a relatividade das correcções/classificações.
Tal como o colega autor do post refere, sempre me disponibilizei para fazer apreciações de provas dos meus alunos. Aliás, até já fiz para alunos que nunca foram meus.
Excepto num caso em que recusei escrever a fundamentação por falta de matéria para tal (a classificação da prova desceria e não subiria), todos os outros foram atendidos e a subida de classificação ratificada.
Entretanto, desde 2005 que tenho corrigido/classificado apenas provas de 9º ano, com muito menos expressão no percurso académico dos alunos. Ainda assim, também já fiz a fundamentação de um recurso, que foi atendido. Tratou-se da subida de nível 3 (68%) para nível 4 (74%) de um aluno que obtivera 5 da classificação de frequência, mas que reagira com muito nervosismo ao seu primeiro exame na vida, baixando o resultado.
Estou em crer que não fiz mais apreciações/recursos simplesmente porque os alunos desconhecem as percentagens que obtiveram nas respectivas provas de exame.
Aliás, sobre os exames de 9º ano também muito haveria a dizer, começando por esta falta de transparência na divulgação das classificações obtidas nas provas, cujas pautas apresentam apenas o nível de cada aluno e não a percentagem correspondente.
Como já disse, sou professora de 9º ano e classificadora ininterrupta de provas de exame e nunca vi as percentagens que os meus alunos obtiveram em exame, alegadamente por que é ilegal, a não ser quando os mesmos pediram fotocópia da prova.
Contudo, por diversas vezes verifico, nas fotocópias que os alunos solicitam, a atribuição de percentagens de 48%, 49% = nível 2, de 68%, 69% = nível 3, 88%, 89% = nível 4, o que, não sendo ilegal, contraria o bom senso e as instruções que são dadas nas longas reuniões iniciais e intercalares para aferição de correcções, até à data sempre realizadas no Ensino Básico, no período de correcção/classificação de exames.
Reconheçamos que, numa prova de Língua Portuguesa, com dois textos longos para redigir, que somam o total de 40 pontos percentuais é fácil encontrar 2 pontos para fugir destas percentagens de fronteira, acima indicadas, e que produzem alteração de nível. Mas nem todos os correctores/classificadores cumprem essa instrução, sempre transmitida oralmente é verdade, não sei porquê.
A transparência na afixação das percentagens obtidas pelos alunos resolveria esta situação e, acima de tudo, permitiria aos professores reflectir, de forma muito mais rigorosa, sobre os resultados alcançados pelos seus alunos em exame, e estabelecer objectivos futuros muito mais direccionados a melhores resultados, investindo mais nas dificuldades identificadas (conteúdos/competências).
Se o peso de 30% destes exames de 9º ano é quase irrelevante para os alunos, que raramente reprovam na sequência dos seus resultados (se tiverem nível 3 na frequência, podem ter 2 no exame que obterão nível 3 final), então parece que a existência destes exames visa sobretudo o trabalho dos professores. Assim sendo, convém que sejam tratados com mais respeito e seriedade, sendo-lhes facultados os resultados percentuais alcançados pelos seus alunos.
Estou cansada de fazer de Zandinga tentando adivinhar onde terão os meus alunos fracassado: se na compreensão de texto, se na expressão escrita, se no conhecimento da língua...
Resta-me fazer inferências pelas provas que corrijo, o que, por vezes, nem consigo. Este ano, por exemplo, corrigi um conjunto de provas de uma escola em que os alunos acertaram quase todos o conhecimento explícito da língua, mas fracassaram a interpretação/escolha múltipla e outro conjunto de provas, em número idêntico, em que se verificou precisamente o contrário.
Sei lá o que fizeram os meus! Posso simplesme
Muito obrigado Ana. Farei um post :)
ResponderEliminarCom aquela minha choraminguice (apesar de sentida e verdadeira!)?!?
ResponderEliminarNÃO!!!
Qualquer dia internam-me, por me considerarem vítima daquela coisa (muito séria, é verdade!) dos miolos queimados ... síndrome de Burnout, pois.
E a única coisa que já tenho muito queimadinha, afogueadinha, ardente, incendiada, torrada, tostada, esturricada... é a PACIÊNCIA!!!
De resto, gosto muito do seu blogue e da ponderação das suas reflexões, gosto muito de ler, de escrever, por isso me atrevo a comentar, mas o que me sai são só lugares comuns.
É Ana. Muitas vezes, e já ouvi jornalistas falarem disso, faltam exemplos do "terreno" exactamente da forma que a Ana expressa, se me permite.
ResponderEliminarTransformar em post pode ser ainda mais lido do que nos comentários. Agradecemos que o faça e compreendemos a saturação. Haverá muito poucos professores sobreviventes.
Obrigado e força aí.
Obrigado Ana :)
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