Tinha escrito que não fazia mais textos sobre os últimos rankings de escolas, mas não deixo passar uma peça do último Expresso sobre um antigo liceu da capital que se situa bem perto do parlamento: o Passos Manuel.
A sua posição no ranking é descrita assim:
A actualidade caracteriza-se mais ou menos da seguinte forma:
As causas são descritas assim:
A primeira conclusão é óbvia: Portugal é um país muito desigual e os concelhos têm realidades muito diferenciadas. Não é preciso sair do país para encontrar de tudo um pouco, até no sentido da lógica de mercado ou da escolha da escola. As análises dos resultados dos alunos em exames são instrumentos que deviam servir para percebermos que muito se joga a montante das escolas e dos professores, que temos um longo caminho a percorrer para eliminarmos o abandono escolar (cerca de 40%, ou mais, dos alunos que iniciam o 1º ano de escolaridade não realizam exames do 12º ano).
O exemplo do Liceu Passos Manuel possibilita um conjunto muito interessante de reflexões.
Em todas as cidades do país temos essa situação de escolas para as classes média e alta e outras para a classe baixa.
ResponderEliminarBasta perceber que as escolas inserem-se em zonas residenciais específicas e que a diferenciação social da habitação em Portugal é cada vez mais evidente.
É mais um exemplo da falta de liberdade das famílias para a escolha das escolas dos filhos e de como a "competitividade" entre escolas se torma difícil de concretizar...
Este ano, o jornal Público divulgou uma análise muito interessante: a classificação das escolas pelos diversos contextos socioeconómicos em que se situam.
ResponderEliminarO concelho onde resido tem cerca de 50 mil habitantes e nesta cidade, que lhe serve de sede, existem cinco escolas públicas, três básicas de 2º e 3º ciclos e duas secundárias com 3º ciclo.
Os dados divulgados pelo Público vieram confirmar o que todos sabiam, mas, na hora de apreciar os rankings, faziam questão de desvalorizar: numa escala de 1 a 4, em que 4 é o contexto mais favorecido, uma destas escolas da cidade situa-se no contexto 2, duas escolas situam-se no contexto 3 e outras duas no contexto 4.
Malogradamente, a minha escola é a que se inscreve no contexto 2 (o mais pobre do concelho), com uma elevadíssima percentagem de alunos beneficiários de ação social escolar, de alunos com necessidades educativas especiais de caráter permanente, a maioria residentes fora do perímetro urbano, nas freguesias do concelho.
Muito deste (aparente?) determinismo social resulta de sucessivos erros na distribuição das freguesias pelos agrupamentos e na definição da rede escolar, que um certo espírito elitista prevalecente na comunidade local teima em cultivar, tornando a realidade uma espécie de círculo vicioso.
A minha escola tem, assim, uma função social a cumprir, que não se compadece apenas com os caprichos da avaliação externa dos alunos, havendo todo um conjunto de papéis determinantes para desempenhar, como por exemplo o combate ao abandono escolar (que, neste momento, já não existe sequer), à exclusão social, às elevadas taxas de retenção, o encaminhamento de alunos para percursos escolares que visem a sua inserção na vida ativa, entre outros.
Não é, pois, sério nem benéfico para ninguém, nesta pequena comunidade, o que até agora tem sido feito sazonalmente (como alguém lhe chamou) de elencar as escolas consoante os resultados obtidos pelos respetivos alunos na avaliação externa, comparando o incomparável. E, pior do que tudo, acaba por ser uma medida discriminatória que perpetua o “gueto” social e a difícil inclusão dos mais desfavorecidos, sem que nenhuma mais-valia se vislumbre, muito menos ao nível da competitividade entre as escolas.
Concordo Ana. Vou fazer um post com o linque para a base de dados do Público.
ResponderEliminarConcordo em parte Pedro.
ResponderEliminarA competição existe à muito com a respectiva guetização. A tal escolha da escola também e o limite de vagas mantém a "selecção natural".