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sexta-feira, 19 de julho de 2024

Porque "Aprender Não é Uma Competição", post de 2018

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(Em 2023, Singapura continua consistente no PISA e a usar provas para avaliar alunos. Saberão duas coisas: a Educação é a arte do equilíbrio e da sensatez, e a validade dos instrumentos científicos é independente do que se faz politicamente com eles.)


Singapura, um farol para os mais fundamentalistas defensores dos rankings, "aboliu os rankings de escolas pelos resultados dos alunos em exames". O Ministro da Educação, Ong Ye Kung, quer mostrar aos alunos que “aprender não é uma competição”. Dá ideia que Singapura se fartou da inacção enquanto se repetia que os "rankings são muito redutores". Em Portugal, continua a ser surpreendente o modo como se comparam os resultados entre escolas públicas e privadas.


Os relatórios em Singapura entraram no modo decente, civilizado e muito saudável. Deixaram de publicar a posição de um aluno em relação à turma ou a qualquer grupo. Esta informação interessa ao respectivo encarregado de educação e às organizações do sistema educativo. Mas não é apenas isso. As informações removidas incluíram:


Média das turmas e dos ciclos.
Pautas públicas de classificações.
Notas mínimas e máximas.
Resultado do final do ano.
Médias das notas de qualquer grupo de alunos.
Quadros de mérito académico e restantes procedimentos análogos.
Médias gerais de classificações.


Nota:


O que terá acontecido com as crianças e jovens em Singapura (um país dos lugares cimeiros do PISA e dos alunos "top performers") para esta mudança radical? Estas alterações são imediatas porque o acesso ao ensino superior em Singapura é diferente do nosso. Aliás, em Portugal a situação tem um dado curioso: 95% (cerca de) dos candidatos ao superior são colocados nas primeiras opções e 95% (cerca de) dos cursos não justificam este modelo de acesso para preencherem as vagas. Impõe-se a interrogação: a quem interessa o estado vigente?


Publicam-se hoje rankings de escolas novamente sem os dados socioeconómicos das escolas privadas. Por muito que se desvalorize estas hierarquias, a mediatização sempre influencia (as primeiras dezenas de lugares são dos estimulados privados). Sabemos da lógica que se sobrepôs exigindo rankings, para publicidade, associados a um acesso ao superior com numerus clausus. A comunicação social sabe tudo isto, mas finge que não percebe e insiste em destaques comercializáveis.


1ª edição este post em 22 de Outubro de 2018. 

sexta-feira, 21 de maio de 2021

Porque "Aprender Não é Uma Competição", Singapura Aboliu os Rankings e Outros Familiares no Atraso Civilizacional

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Singapura, um farol para os mais fundamentalistas defensores dos rankings, "aboliu os rankings de escolas pelos resultados dos alunos em exames". O Ministro da Educação, Ong Ye Kung, quer mostrar aos alunos que “aprender não é uma competição”. Dá ideia que Singapura se fartou da inacção enquanto se repetia que os "rankings são muito redutores". Em Portugal, continua a ser surpreendente o modo como se comparam os resultados entre escolas públicas e privadas.


Os relatórios em Singapura entraram no modo decente, civilizado e muito saudável. Deixaram de publicar a posição de um aluno em relação à turma ou a qualquer grupo. Esta informação interessa ao respectivo encarregado de educação e às organizações do sistema educativo. Mas não é apenas isso. As informações removidas incluíram:


Média das turmas e dos ciclos.
Pautas públicas de classificações.
Notas mínimas e máximas.
Resultado do final do ano.
Médias das notas de qualquer grupo de alunos.
Quadros de mérito académico e restantes procedimentos análogos.
Médias gerais de classificações.


Nota:


O que terá acontecido com as crianças e jovens em Singapura (um país dos lugares cimeiros do PISA e dos alunos "top performers") para esta mudança radical? Estas alterações são imediatas porque o acesso ao ensino superior em Singapura é diferente do nosso. Aliás, em Portugal a situação tem um dado curioso: 95% (cerca de) dos candidatos ao superior são colocados nas primeiras opções e 95% (cerca de) dos cursos não justificam este modelo de acesso para preencherem as vagas. Impõe-se a interrogação: a quem interessa o estado vigente?


Publicam-se hoje rankings de escolas novamente sem os dados socioeconómicos das escolas privadas. Por muito que se desvalorize estas hierarquias, a mediatização sempre influencia (as primeiras dezenas de lugares são dos estimulados privados). Sabemos da lógica que se sobrepôs exigindo rankings, para publicidade, associados a um acesso ao superior com numerus clausus. A comunicação social sabe tudo isto, mas finge que não percebe e insiste em destaques comercializáveis.


1ª edição este post em 22 de Outubro de 2018. 

domingo, 5 de julho de 2020

Exames Escolares só Para Robustos Começam Amanhã

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O ministro da Educação garantiu, em 6 de Maio e para tranquilizar o país, "que se estava a trabalhar para ter um corpo docente robusto” na vigilância dos exames do secundário que começam amanhã. Portanto, o país sabe que só há exames porque os professores vigilantes são da estirpe dos robustos e convocados com equidade e rigor. Pudera. Se habitualmente um vigilante está mais de três horas em pé, sem beber, comer ou ler (se precisar de ir ao WC ou desfalecer é substituído e isolado, por desconfiança, até ao fim do exame), tem agora que o fazer de máscara e com as restantes etiquetas, e manter procedimentos que contrariam a distância física numa sala com temperatura elevada e onde podem estar até duas dezenas de jovens em franca laboração ("todos os ingredientes para o risco mais elevado de contágio"; e, hoje, confirma-se que "o vírus se transmite pelo ar por gotículas mínimas que ficam em suspensão, defendem 239 especialistas de 32 países que pedem à OMS que reveja as diretivas de proteção"). No caso dos alunos, que estão sentados mas igualmente a jejuar, os exames incluem não robustos e todos usam máscara.


E se tudo isto era evitável, por que é que não se cancelou, "como fizeram a Espanha, Itália, França ou Reino Unido", uma vez que os exames escolares não melhoram as situações dramáticas da economia de curto e médio prazos e o cancelamento até podia oxigenar ambientes familiares em disrupção? 


Há demasiados assuntos em que complicamos tanto que parecemos 200 milhões e não 10. Por exemplo, as candidaturas ao superior são apenas cerca de 75 mil. Como se disse, era possível testar um modelo em que os candidatos inscreviam 2 ou 3 prioridades. Quem não obtivesse colocação de acordo com a nota do secundário associada aos exames já realizados, seria entrevistado para uma solução da responsabilidade do ensino superior. E repare-se: se para a saúde das pessoas não se considera apenas a Covid-19 e tem-se em conta, e bem, a economia e a saúde mental, também na avaliação escolar dos alunos não se devia examinar sem se ter em conta a saúde psicológica e a capacidade volitiva. Por isso, defendeu-se o fim do ano lectivo no final do 2º período para se evitar tanto descontrole emocional, atenuar flagrantes desigualdades e não penalizar os jovens com exames nestas condições disfuncionais de preparação e realização. E para agravar o que foi dito, fazê-lo de máscara diminui capacidades com ênfase para quem tem problemas de oxigenação.


Por outro lado, ainda esta semana se publicaram, com insensibilidade para o detalhe, rankings de escolas. Por muito desvalorizadas que estejam estas hierarquias, a mediatização viciou-se e sempre influencia o ânimo dos alunos (os 30 a 40 primeiros lugares são dos estimulados privados). Claro que sabemos há muito da lógica que se sobrepôs exigindo exames, neste caso a qualquer custo, e rankings, para publicidade, associados a um acesso ao superior com numerus clausus. Aliás, bem se tentam estudos alternativos, com os dados sócio-económicos, mas, e incrivelmente, há anos a fio que os privados os escondem (só se conhecem os das escolas públicas). A comunicação social finge que não percebe e insiste em destaques comercializáveis.


E é isto.


E no final, lá aparecerá o temporariamente inactivo, por precaução e bem, departamento de selfies da república a homenagear os alunos e professores mais robustos. E dos prováveis infectados, assintomáticos ("que correm sérios riscos") ou não, a realidade sentenciará: é a vida, porque a prioridade à salvação de vidas foi no tempo em que havia pandemia.


Imagem: estátua de Davi, a grande obra-prima de Michelangelo; Galeria dell’Accademia; Florença.

sábado, 16 de fevereiro de 2019

Dos Rankings de Escolas 2018

 


 


 


 


Captei as imagens no Expresso online. É integrada a variável indicador de sucesso (regista o progresso dos alunos) que altera por completo o que acontecia na ordenação das escolas. Continua a ler-se sobre a inflação de notas internas e o injusto sistema de acesso ao superior que é uma das causas, talvez a principal, da comprovada exaustão de alunos e professores. Pode saber mais nas bases do dados do Expresso, Público (com a variável contextos) ou DN e fazer diversas simulações. Continua a não se conhecer o índice sócio-económico dos privados, enquanto que o das públicas é integrado em três escalões. Mas estes rankings, integrando as variáveis, já não satisfazem a tradicional publicidade dos colégios privados. Como há muito se sabe, os resultados dos alunos em exames não medem a qualidade de uma escola e este modo de mediatização tem mais efeitos perversos do que o contrário.


No secundário o primeiro colégio privado aparece em 11º.


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No básico o primeiro colégio privado aparece em 13º.


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Os dados do distrito de Leiria.


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Os dados do concelho de Caldas da Rainha.


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É interessante olhar para os números dos cursos profissionais em Leiria e Caldas da Rainha.


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quinta-feira, 17 de janeiro de 2019

Substituir os rankings pela inclusão

 


 


 


Substituir os "rankings pela inclusão como a medida principal na avaliação externa das escolas", como diz o Público, é uma decisão que só peca por tardia. Há muito que se sabe que "os resultados dos alunos em exames não avaliam escolas". Mas não basta substituir. É necessário incluir três variáveis inquestionáveis: a inclusão é, antes de mais, uma obrigação da sociedade e só será bem sucedida na escola se se dirigir a todos - alunos, professores e outros profissionais - e se a avaliação externa estimular a desburocratização. Já temos história suficiente para perceber que foi a hiperburocracia (e a desconfiança nos professores) que provocou o instabilidade de programas de inclusão e a documentada exaustão de todos; alunos também. Simplificando: quantos professores leccionam turmas do 8º ano? Qual é, hoje, o saldo orçamental da escola e em modo digráfico? Se uma escola não tem respostas deste género à distância de um clique, nem vale a pena continuar a avaliação externa.


Mas esta substituição remete-nos para um dos fenómenos escolares mais chocantes da última década. Os rankings "estimularam" a exclusão de alunos de quem se esperava fracos resultados académicos (incluíndo os da educação especial). O choque foi da responsabilidade de profissionais pagos integralmente pelo orçamento de estado em escolas públicas ou nas tais "privadas". Espera-se que esta substituição atenue o fenómeno.


 


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sexta-feira, 12 de outubro de 2018

"Aprender não é uma competição" - Singapura aboliu os rankings

 


 


 


Singapura, um farol para os mais fundamentalistas defensores dos rankings, "aboliu os rankings de escolas pelos resultados dos alunos em exames".


Antes de ler, saiba que o Ministro da Educação, Ong Ye Kung, espera mostrar aos alunos que “aprender não é uma competição”.


Os relatórios deixam de publicar a posição de um aluno em relação à turma ou a qualquer grupo. Mas não é apenas isso. As informações a serem removidas incluem:



  • Média das turmas e dos ciclos.

  • Notas mínimas e máximas.

  • Sublinhado e/ou colorido dos erros.

  • Aprovação/reprovação como resultado do final do ano.

  • Médias das notas de qualquer grupo de alunos, o que inclui quadros de honra, de mérito e restantes procedimentos análogos.

  • Médias gerais de classificações. 


Nota: o que terá acontecido com as crianças e jovens em Singapura (um país de topo no PISA e nos alunos "top performers") para esta mudança radical? Estas alterações são imediatas porque o acesso ao ensino superior em Singapura será diferente do nosso. Aliás, em Portugal a situação tem um dado curioso: 95% (cerca de) dos candidatos ao superior são colocados nas primeiras opções e 95% (cerca de) dos cursos não justificam este modelo de acesso para preencherem as vagas. Impõe-se a interrogação: a quem interessa o estado vigente?


 


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domingo, 4 de fevereiro de 2018

dos rankings e do óbvio

 


 


 


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Captei a imagem na primeira página do Expresso online. Dos ex-ministros recentes, não encontrei declarações de David Justino, Isabel Alçada, Nuno Crato ou Maria Seabra.


Pode saber mais nas bases do dados do Expresso, Público (com a variável contextos) ou DN. Em geral, os privados (onde se desconhece o índice sócio-económico, enquanto que o das públicas é integrado em três escalões) dominam as primeiras quatro ou cinco dezenas de lugares o que lhes garante a tradicional publicidade.


 

terça-feira, 16 de janeiro de 2018

do estado dos rankings

 


 


 


Unknown


 


Já se "decreta" o fim dos rankings. No mínimo, há um atraso. É notório o consenso sobre a inutilidade dos rankings clássicos (sem a variável sócio-económica) como instrumento científico. Limitavam-se a concluir o óbvio e a plasmar os mesmos resultados anos a fio com subidas ou descidas de uma décima por ano ou disciplina. Há muito que se sabe: grandes oscilações de resultados representam sempre mudanças significativas no tecido social. Mesmo os rankings mais recentes, com a dita variável, revelaram-se um logro. Em ambos os casos, serviam privados que ocultavam os dados sócio-económicos e que financiavam os estudos como publicidade destinada a comparar o incomparável. É até surpreendente como ainda se realizam, nos diversos patamares escolares, estudos sobre resultados dos alunos sem usar variáveis dependentes e independentes. Repetem-se análises primárias de dados com conclusões rudimentares e redundantes (como os rankings inventados em Portugal). Há muito que a estatística aplica modelos de regressão linear múltipla ajustados aos dados seleccionados (é reconhecida a aplicação IBM SPSS Software; lançada em 1968, é "acessível a todos os níveis de habilidade e a projectos de todos os tamanhos e complexidades") que deveriam fazer escola a partir dos serviços centrais do ME. Que o centralismo tivesse alguma utilidade, digamos assim.

domingo, 5 de fevereiro de 2017

da apreensão com a municipalização escolar

 


 


 


Cresce a apreensão com o avanço da municipalização escolar de todo o ensino não superior. A natural impreparação de grande parte dos municípios, associada à partidocracia que entrou nas escolas, fundamenta a reprovação. Exige-se ao poder político a boa gestão da rede escolar através das cartas educativas e das restantes variáveis de planeamento. O que existe (pré-escolar e 1º ciclo e influência determinante nos restantes ciclos) gera pessimismo num país que tem mais de quarenta quadros de divisão administrativa em vez de um como seria moderno e razoável.


Ainda há dias ouvi o discurso de autarcas com antiguidade de funções numa cerimónia de uma comunidade que, ao longo de décadas, apresenta bons exemplos escolares nos diversos níveis. É uma autarquia que influenciou, ao longo de anos, erros de planeamento em prejuízo de alunos, encarregados de educação, professores e outros profissionais dos ensinos público, privado e cooperativo e que se sustenta nos resultados dos exames do final do ensino secundário que, como se sabe, são por mérito dos alunos, e das sua famílias, e dos seus professores. A obsessão discursiva com os rankings esmoreceu com a queda na passagem dos ditos clássicos para os alternativos. Mas a quebra tem explicação num município em que apenas 30% a 40% dos alunos que se matriculam no 7º ano de escolaridade chegam ao 12º integrados no ensino regular e em que uma parte das matriculas no 10º ano é proveniente de outros concelhos. A inexistência de massa crítica também fundamenta a apreensão com a municipalização escolar.


 


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"A apreensão de Charlotte Corday"


de Alfred Dehodencq

segunda-feira, 16 de janeiro de 2017

da actualidade dos manuais escolares

 


 


 


Não tenho muitos posts sobre o assunto, mas em 11 de Outubro de 2016 escrevi assim: "A informada, e corajosa, secretária de Estado da Educação, Alexandra Leitão, afirma que "o interesse das editoras não é o das famílias". Também não é o das escolas nem dos professores. E não é por causa do digital e do google. Há muito que há ensino e aprendizagem para lá dos manuais e agora mais ainda. As editoras como holding (empresa que tem como actividade principal a participação maioritária numa ou mais empresas) conjugam várias "empresas nucleares": manuais escolares, exames em modo industrial, "reformas semestrais do Estado" e rankings de classificações de alunos."


Haverá excepções, obviamente, mas apontar o dedo aos professores neste negócio é desviar atenções.


 


Unknown

domingo, 18 de dezembro de 2016

da mediatização dos rankings

 


 


 


A mediatização dos rankings obedece ao desígnio da produtividade. Mas sublinha-se que os resultados escolares reflectem-se a longo prazo e são de génese diferente da produção de parafusos; o que faz toda a diferença no impaciente universo dos números.

Não encontramos rankings, sequer semelhantes, no mundo conhecido. Mas isso nem será relevante, porque o olhar obsessivo, mais ainda o menorizado, para as outras experiências impede a valorização das próprias. A rede escolar portuguesa tem de tudo. A sua babilónia explica parte da persistência do insucesso escolar; e depois acrescenta rankings inéditos, a exemplo dos organogramas dos mega-agrupamentos. A rede escolar já foi inspirada nos Estados Unidos, França, Noruega, Bélgica, Suécia, Holanda, Singapura e Finlândia. Isso fragilizou-nos internamente. Para além do referido, o "modelo" português foi durante duas décadas fustigado por uma agenda: tudo está mal na escola pública. Afinal não estava. Talvez isso ajude no caminho a seguir.

Por outro lado, as democracias valorizam a ideia de liberdade curricular. É por isso que não se defende a nacionalização total da rede escolar. Portugal tem outra particularidade não tão inédita: não tem escolas por emanação das comunidades. Existem por "planeamento" do estado central. Como não temos uma sociedade civil forte, as escolas transformam-se numa espécie de "quintas" que não raramente se apoderam do bem comum. Daí a desconfiança com a municipalização.

Tem-se escrito sobre a liberdade de escolha da escola que tem na guetização e na segregação social um resultado conhecido; em Portugal também. Sim, no nosso país vigora há muito a liberdade de escolha da escola. Como não há escola com vagas ilimitadas, a segregação social é o resultado da desorganização nas políticas de ocupação do território. E quanto mais desiguais forem as sociedades, mais se perpetua o insucesso escolar.

A questão portuguesa um dia passará por aqui; pelo oxigénio organizativo da rede escolar com a aprovação de uma nova lei de bases. Será um espécie de refundação que incluirá o estatuto da carreira docente e a gestão das escolas. Enquanto esse debate não se fizer, o processo português dará sempre a ideia de ter parafusos a menos.


 


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sábado, 17 de dezembro de 2016

Há alguns dados novos nos rankings

 


 


 


Em Setembro de 2016, Joaquim Azevedo, ex-SE da Educação, disse que "as escolas públicas rejeitam alunos". Soube-se, com o PISA, que Portugal continua na cauda do insucesso escolar, mas melhorou o desempenho dos alunos "que não querem aprender". São variáveis importantes. É interessante saber a correlação e conhecer as escolas que se "sacrificam" pelos desfavorecidos (um exemplo: "são públicas, inseridas em meios pobres, mas no topo do "ranking do sucesso"). Já os alunos que aprendem em qualquer sistema têm historicamente bons resultados e aumentaram em quantidade (parece que a sociedade - 60% do sucesso escolar - melhorou). Os rankings com classificações de alunos confirmam-no.


 


Auto-exclusão, rejeição de alunos "problemáticos" e, recentemente, rankings de resultados de estudantes são as causas principais da antiga selecção de alunos. É conhecido. Joaquim Azevedo disse-o (sabe-se lá porquê). Há quem sublinhe o efeito negativo destes rankings como a variável que mais rejeita. Haverá menos públicas a rejeitar alunos do que privadas (os rankings continuam a omitir o índice socio-económico destas famílias)? Claro que sim. Desde logo pelas propinas. Mas o desnorte dos últimos anos permitiu que públicos e "privados" financiados pelos estado excluíssem alunos de quem não se esperava bons resultados ou da educação especial. Foi uma lamentável apropriação do bem comum.


 


Temos os rankings dos exames de 2016 com a habitual publicidade a colégios privados. São instrumentos de estudo. Têm novidades como a que sublinhei acima para o "topo do sucesso". São válidos, mas, como sempre, dependem da cabeça que os utiliza. Deixo ligações para alguns OCS.


 


Renascença


JN


Público


Expresso


DN


 


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terça-feira, 22 de novembro de 2016

terça-feira, 11 de outubro de 2016

As editoras como holding

 


 


 


A informada, e corajosa, secretária de Estado da Educação, Alexandra Leitão, afirma que "o interesse das editoras não é o das famílias". Também não é o das escolas nem dos professores. E não é por causa do digital e do google. Há muito que há ensino e aprendizagem para lá dos manuais e agora mais ainda. As editoras como holding (empresa que tem como actividade principal a participação maioritária numa ou mais empresas) conjugam várias "empresas nucleares": manuais escolares, exames em modo industrial, "reformas semestrais do Estado" e rankings de classificações de alunos.


 


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terça-feira, 6 de setembro de 2016

"As escolas públicas rejeitam alunos"

 


 


 


Fez-se um justificado mediatismo porque Joaquim Azevedo, ex-SE da Educação num Governo de Cavaco Silva, disse que "as escolas públicas rejeitam alunos". A selecção de alunos em Portugal é antiga: por auto-exclusão (pobres que nem se atreviam a pensar nos liceus), rejeição de alunos "problemáticos", incluindo os da educação especial que davam muito "trabalho", e mais recentemente escolhas a pensar nos rankings. Tudo isto é mais do que conhecido e Joaquim Azevedo disse-o. E fê-lo "porque é oportuno"? Talvez. Mas repetir uma verdade é um dever. Muitas vozes referem o efeito nefasto dos rankings. É a variável que mais rejeita alunos. Também não é novidade. Haverá menos públicas a rejeitar alunos do que privadas? Também é uma suposição com fundamento, embora o desnorte dos últimos anos tenha generalizado a imagem.


 


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