Só ao fim da noite vi o discurso de arrepiante servilismo de Passos Coelho em relação a Merkel. Senti vergonha (nem sei se devia sentir, mas enfim) e o "eu, pessoalmente, penso" foi o menos mau por incrível que possa parecer. Perdoa-se: foi tanta a subserviência que o advérbio veio do inconsciente e como certificação de que quem "pensa, pessoalmente, existe".
Já dizia Descartes, não era?
ResponderEliminarTambém eu sinto, mais vezes do que pensaria ser possível, vergonha. Por nós todos. Pelo ponto a que chegámos.
- Isabel X -
Era Isabel X.
ResponderEliminarO ponto a que chegámos, realmente.
tem quem pense
ResponderEliminarInicialmente postado no Umbigo. Mas como foste tu que me deste o alerta, aqui fica:
ResponderEliminarPPC é muito sofisticado. Conjugadamente levanta a possibilidade de 1) ele ser um eu, 2) ser pessoa e 3) pensar. Com efeito, há sempre a possibilidade lógica de PPC 1) não ser um eu, 2) não ser pessoa, 3) não pensar, pois isto conjugadamente não envolve qualquer contradição. Dever-se-ia analisar ainda as várias combinações possíveis entre estas 3 putativas entidades. Com efeito, ser um eu não implica ser pessoa (alguém que é, entre outras coisas, autoconsciente, autónomo q.b., …). Já a conversa, parece falsa. Tal como um ser um eu não implica pensar (por ex., quando se está a bater uma soneca). A conversa, parece falsa. (Intervalo)
Mas penso eu pessoalmente que já chega desta conversa. ;-)
Por ele? :)
ResponderEliminarDivinal :) João Paulo. Obrigado.
ResponderEliminarAh, mas "ele" pensa???
ResponderEliminarQue é um "eu", no sentido ontológico, não duvido.
Que, por consequência, existe, também não.
Já quanto ao "pensar", mantenho-me na dúvida metódica, sistemática e radical.
PPC mergulhou-me numa tremenda "epoché", de onde parece não ser possível sair, nem por obra de um ser metafísico!
Abraços João Paulo e Paulo Prudêncio.
Viva Helena. Às vezes "epoché" é só o que apetece mesmo (mas não era a mesma coisa :)). Aquele abraço aos dois.
ResponderEliminarGostei muito do post e dos comentários. Anda muita inteligência e humor do melhor por aqui.
ResponderEliminarSó acrescento, em tom mais "sério", que a final o dito encerra ainda outra possibilidade interpretativa.
Formulo outra hipótese de interpretação.
O "eu" é o sujeito da enunciação, logo está a designar a entidade consciente que suporta o discurso.
Mas este "eu" é assumido enquanto "pessoa", na sua dimensão moral e política.
Logo, o "eu penso" arrasta toda a responsabilidade de quem o diz, do que é dito e dos seus efeitos.
É neste âmbito da consciência e da responsabilidade que se se deve pensar a (im)pertinência do conteúdo do discurso pronunciado.
O que torna tudo muito mais pesado. Cabe a todos julgar politicamente e tomar posição consequente.
Eu, pessoalmente, penso que cada vez mais há quem, pessoalmente, pense cada vez menos. Mas, enfim, pessoalmente não me quero envolver em casos pessoais que eu, pessoalmente, penso não me dizerem respeito, pelo menos pessoalmente.
ResponderEliminarPenso eu, pessoalmente, de que...
É Vasco. Concordo.
ResponderEliminarIsso Carlos :) :)
ResponderEliminarMais um fait-divers!!!
ResponderEliminarTenta ouvir o discurso Pedro. A sério: de arrepiar.
ResponderEliminarO que me faz arrepiar é recordar que houve tanta gente que foi atrás dos governos guterristas e socráticos que levaram o país à ruína. E isto não é uma opinião: os números provam que foram os últimos 15 anos de governação que levaram o país à pré-bancarrota. Eu estou de consciência tranquila: nunca votei PS!!!
ResponderEliminarOlha que eu penso, pessoalmente (:) :) :)), que o primeiro Governo de Guterres teve aspectos muito positivos.
ResponderEliminarVotei no PS em 2005 e nem sabia bem quem era Sócrates como já relatei por aqui (o governo de santana e portas foi uma tragicomédia). Isso não me impediu de ter um registo de completa oposição a partir de 2006 ou 2007.
Os Governos de Cavaco (então o segundo tem o núcleo duro foragido, na cadeia ou perto disso e o primeiro tb iniciou a saga PPP) de Durão ou Santana, para não falar do vigente, não têm um registo melhor.
Os números, vai ver bem, mostram que em 1995 a situação orçamental estava em plena derrapagem (sousa franco fez um bom trabalho).
Temos de ser justos: em 2007, teixeira dos santos tinha o défice em ordem (melhor que a alemanha que um ano antes tinha ultrapassado os 3%). Depois veio a tal de bolha imobiliária e a comissão europeia estimulou a festa e aí fora.
Sei que é difícil (a independência tem custos), mas temos que tentar a imparcialidade possível