terça-feira, 18 de dezembro de 2012

cata-vento em regime de tempestade

 


 


 


Este Governo muda, todos os dias, a direcção das políticas para o sistema escolar. Desta vez é a transferência para as Câmaras de todo o ensino não superior, tomando Cascais como concelho experimental e ficando os estudos a cargo de duas universidades que, ao que julgo saber, não têm tido qualquer apetência pela gestão escolar.


 


É realmente espantosa esta soberba que revela um profundo desrespeito pelo que existe e que mais parece um Governo cata-vento em dias de tempestade. O país está assim: é tudo à pressa, qualquer um "reforma" sem que haja tempo para discutir e escolher os melhores caminhos e depois somos confrontados com episódios caricatos (e outras coisas mais, claro) como aconteceu com a EDP e agora com TAP.


 


 


 



 DN, 18 de Dezembro de 2012


 


 

9 comentários:

  1. Se há centralismo, "ái que o Estado quer dominar tudo!", se há descentrazalição é porque vamos ter caciquismo, se não se ponderam alternativas é porque se quer deixar tudo na mesma, se se estudam outras hipóteses é porque o Governo não sabe o que quer...
    Não há nada que vá para além da pura crítica destrutiva e desconfiada???

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  2. Se um dia o Pedro, que é simpatizante deste Governo, se vir dispensado ao abrigo da mobilidade especial e do seu vínculo laboral com um contrato por tempo indeterminado (que pode findar amanhã, sem regras apertadas de justa causa), porque o seu lugar, numa escola pública de uma autarquia avessa às suas convicções políticas, for extinto, perceberá que há mudanças e alternativas merecedoras de "pura crítica destrutiva e desconfiada"!
    Estude o que se passou no ensino público, na Inglaterra, nas últimas décadas e extraia conclusões fundamentadas, Pedro!

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  3. Pedro: compreendo.

    Mas tem sido quase sempre assim nos últimos anos e no sistema escolar e não nos resta alternativa. É uma terraplenagem constante e não há dia em que os "reformistas" não mudem de agulha. Como a privatização tour-court não está a dar, vai-se por outra via.

    O estado em que estamos só nos dá razão.

    O que diz a Ana é muitos pertinente. Por muito que se repita também, há o Brecht "Primeiro levaram os negros Mas não me importei com isso Eu não era negro Em seguida levaram alguns operários ...(...)".

    Conheço pessoas defensoras, em tese, da descentralização e da regionalização e que quando se lembram do caciquismo português, que parece congénito, até se arrepiam.

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  4. Ana, agradeço o seu conselho. Vou tentar pesquisar um pouco sobre o assunto.
    Gostaria da saber a sua opinião sobre algo similar. Acha que os concursos de contratação de médicos e enfermeiros nos hospitais põem em causa a qualidade dos serviços médicos e de enfermagem por não serem de âmbito nacional e não seguirem unicamente a graduação profissional?
    E, já agora, será que a gestão municipal das escolas não pode ser compatível com um concurso nacional de professores?

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  5. A realidade dos médicos não é comparável, entre outras razões porque alguns são contratados para suprir necessidades locais, apenas devido ao facto de a colocação de âmbito nacional (nos quadros) não ser obrigatória por concurso nacional, em fase nenhuma, como devia ser e como sempre foi para os professores, por exemplo. Daí que haja uma enorme concentração de médicos nos grandes centros urbanos e um défice de médicos na província, quanto mais “profunda” pior. Se os médicos fossem obrigados a ocupar vagas, racionalmente estipuladas, nos quatro cantos do país, não se falaria tanto de falta de médicos, nem de necessidades de contratações locais. É um “lobby” muito poderoso, como sabe. Assim sendo, a qualidade dos serviços, em algumas regiões, poderá estar condicionada a estes factores que justificam a contratação, sim. (posso dizer-lhe que já tenho um filho médico e discuto estes assuntos com ele)

    Se a gestão municipal das escolas estiver sempre subjugada a um concurso nacional de colocação de professores, a perspectiva será menos tenebrosa, mas acreditar nisso e no Pai Natal é quase a mesma coisa. Eu já não tenho idade.

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  6. Não digo que não há riscos! Mas a centralização também tem os seus riscos, embora de outro âmbito.
    Importante é que haja uma forma de fiscalizar, monitorizar e regular todo este processo, seja nacional, regional ou municipal...

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  7. Ó homem, você só vê para um lado?

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  8. Fernando, bem pelo contrário! Há que ver ambos os lados (os prós e os contras) em vez de ter uma visão radical das coisas...
    Aliás, se há coisa que abunda nos blogues da educação é a visão corporativa (visão que não faz o meu género). É que Portugal deve estar à frente dos nossos umbigos e dos interesses da classe...

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  9. O que você escreve noutros blogs não sei, nem tão pouco se são corporativos. O que leio neste Blog é a defesa da Escola Pública. Os radicalismos são compreensíveis perante tantos ataques mas olhe que as suas posições são também radicais para o lado mais forte.

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