A reportagem da TVI sobre "dinheiros públicos, vícios privados" terá efeitos ainda mais determinantes nos concelhos marcados pela presença deste tipo de cooperativas de ensino.
No caso que conheço melhor, as Caldas da Rainha, notei uma incontida satisfação misturada com indignação. Encontrei, fora do universo das escolas, muitas pessoas chocadas.
Ocorre, naturalmente, o processo de associação às posições dos actores locais. Há, desde logo, uma conclusão: estes fenómenos não teriam acontecido, e muito menos florescido, se não tivessem tido suporte na comunidade educativa e beneficiado da perda de força das escolas do Estado.
Talvez agora muitos percebam o que se tem passado nos últimos anos com a degradação objectiva das escolas do Estado, consubstanciada na rede escolar e no novo modelo de gestão. As influências dos poderes descritos na reportagem têm adeptos, nalguns casos por motivações ideológicas e com desconhecimento do processo. É evidente que o facto de se ter os educandos num colégio em vez dum agrupamento de escolas, e ainda por cima sem o pagamento de propinas, dava um estatuto mais de acordo com a sociedade em que vivemos.
Esse suporte também marcou presença nos órgãos das escolas do Estado.
É interessante verificar como um momento mediático em horário nobre faz estalar tanto os vernizes e despertar inúmeras consciências. É que, afinal, sempre se confirma que os actores desempenhavam mesmo os seus papéis.
É muito pertinente este comentário da professora Manuela Silveira da comissão de representantes do movimento "Em defesa da escola pública do oeste".
"Não perder de vista o essencial: a má gestão de dinheiros públicos e a falta de sentido de Estado , que desbarata o dinheiro dos contribuintes e faz do ensino fonte de lucro para holdings deste tipo. A questão não é só a indignidade das condições de trabalho, mas também a fraude que sustenta o financiamento destas escolas: a ideia de não haver lugar nas escolas públicas para, assim, poder justificar a necessidade de o Estado pagar a privados (que estão ali logo ao lado...) para leccionarem turmas que, supostamente, não obtiveram vagas nas escolas do Estado. E não esquecer também que, sempre que há uma denúncia deste tipo, os suspeitos contam sempre com aliados. Entre esses aliados oportunos estão, e sempre em maior número, os que dizem... já sabemos que não vai acontecer nada. São estes que, com o seu pessimismo e desalento criam, verdadeiramente, as condições para que de facto nada aconteça."
"É evidente que o facto de se ter os educandos num colégio (...), dava um estatuto mais de acordo com a sociedade em que vivemos."
ResponderEliminarSe dava! (Mas, lamentavelmente, os "gepeésses" não se exigiam farda, british way...)
O que mais me indigna é quando pretendem defender o indefensável. E de tanto o quererem fazer, agarram-se ao que nunca esteve em causa: o profissionalismo dos docentes. E fazem-no enaltecendo o colégio, lembrando que tem bons profissionais. Claro que tem bons profissionais. Mas a reportagem foi sobre os "esquemas" desses meninos e meninas, que se andam a "divertir"... com os nossos "dinheirinhos". E depois vem a exclamação prevista: E a parque escolar! Ninguém fala disso? A modos que querendo dizer: porque é que a parque escolar é diferente de "nós"? Não, não é diferente. É também uma vergonha. Mas que não minimiza nem apaga a vergonha que é o grupo GPS.
ResponderEliminar"não exigiam", pois.
ResponderEliminarPois a mim o que mais me indigna não é o "reino da mentira e da escravidão" em que vivem os colegas que trabalham neste grupo. O que mais me indigna é ouvir de uma professora do ensino público afirmar qualquer coisa como isto: "Sei bem que os professores do colégio são escravizados, mas a mim dá-me jeito ter lá a minha filha porque moro perto e já não tenho vocação para taxista". Ou seja, admitimos a escravidão quando ela nos dá jeito, nos ajuda...
ResponderEliminarTambém me indigna que outros professores do ensino público tenham os filhos no colégio e, mesmo em situação de horário zero e a caminho do desemprego e reconhecendo como verdadeiro tudo o que foi revelado na reportagem da TVI, não façam nada para alterar o que quer que seja...
Não se revoltam, não se indignam, não se juntam a quem tem lutado para que esta situação imoral, sob vários aspectos, se altere. Que raio de gente é esta que se resigna a esta violação de direitos, a este atropelo da lei, a este ataque aos valores que devia defender?
Enfim Lúcio.
ResponderEliminarÉ Isabel. Não se deve misturar o profissionalismo dos docentes. A parque escolar foi uma "festa" da mesma família, por isso foi tão denunciada e está parada.
ResponderEliminarJoão: se me permites, é cedo para se dizer que nada vai acontecer.
ResponderEliminaroportuno... muito...
ResponderEliminar
ResponderEliminarEstá a acontecer...
Também me pareceu.
ResponderEliminar