Os professores são, de longe, a profissão mais devassada em Portugal. Há seis anos que o quotidiano é marcado pela sua avaliação, pelo que ganham, pelas horas que leccionam, pelo que deixam de ensinar, pelos privilégios e pelos despedimentos. São os primeiros culpados pelo estado da nação. Ainda no ano passado se confrontaram com um despedimento colectivo de 10000 pessoas e parece que nada aconteceu.
Esta devassa permite tudo e a qualquer um.
Uma hora escolar foi de 50 minutos durante décadas. No final do milénio passado, resolveu-se que a sua duração passaria para 45 ou 90 minutos. Ou seja: a redução de 50 para 45 minutos originou um imbróglio lusitano de 5 minutos que foi a preocupação primeira dos ministros e secretários que se seguiram. Com a chegada de Nuno Crato regressou a possibilidade dos 50, mas sem desaparecer a equação de 45 ou 90, e os horários dos professores passaram a ser contados ao minuto; valha-lhes não sei o quê.
Os ""Maluquinhos de Arroios", como lhes chama hoje Vasco Pulido Valente na impressa do Público, tiveram outra epifania: passar a hora escolar para 60 minutos. Andam as escolas a tentar operacionalizar a decisão de Crato e podem ver tudo esfumar-se com mais uma terraplenagem de gente ensandecida e muito atrevida.
Mas atenção: se até já Vasco Pulido Valente escreve o que pode ler a seguir, algo de importante estará para acontecer.
Não seja assim, Paulo; um bodezinho expiatório é sempre um bom exercício de catarse colectiva. De resto, um auto-de-fé com um mestre-escola também seria muito produtivo. Vá lá; nada de perder a esperança numa libertadora churrascada...
ResponderEliminarTambém li hoje isso e fiquei espantada!
ResponderEliminarSe até VPV, que tem protegido ao máximo PPC e os seus desgovernos como inevitáveis e o FMI como inevitável, critica esta tola medida... é porque algo estará finalmente para tomar outro rumo e há muito mais gente a perder a paciência com estes disparates!
Só quem andar mesmo muito de fora ou de má fé não vê o absurdo da esperteza saloia (sem ofensa para os saloios) desta tonta proposta!
E o que dizes no post é bem verdade!
Bjo
Pois, todos falam de nós. Porquê? Porque temos a fama de que trabalhamos pouco e temos muitas férias.
ResponderEliminarNão é o proveito que temos (ou pelo menos alguns de nós não o tem), mas é a fama que (ainda) vai minando grande parte da opinião pública portuguesa acerca de nós... Infelizmente!
Tem sido genial este ministério.Quando chega um ministro novo desfaz tudo o que fez o anterior...
ResponderEliminarCurisamente com as contabilizações ao minuto surgiu
novo problama:um tempo são quantos minutos?
A genealidade legislativa tem contribuído para fazer do me o ministério que tem levado à prática mais decisões ilegais...
E tem sido condenado por isso.
ResponderEliminarNuma profissão em que o tempo cronológico varia como o tempo atmosférico, em que a hora de trabalho também varia desde 10 minutos até 45 ou 50, segundo os desígnios de quem tutela, e ainda em que os intervalos dos trabalhadores (docentes), embora gastos em deslocações entre salas e sempre no local de trabalho, não contam para horário laboral, tudo o mais é possível!
ResponderEliminarEste ano tenho no meu horário tempos de 45 minutos e um tempo semanal de 10 minutos, designado como “T.Sup” para perfazer os 1100 minutos (de referência, exceptuando art.79º) a que estou obrigada, uma vez que a carga semanal disciplinar não acerta com os minutos totais. Ordenaram-me que cumprisse o tal “T.Sup” mensalmente, juntando os 10 minutos, e fazendo um tempo mensal em prol dos alunos, onde e como desejasse, de acordo com proposta que deveria apresentar no início do ano lectivo. Assim, cumpro um tempo lectivo por mês na sala de estudo da escola, mas nos meses de quatro semanas devia sair findos os 40 minutos (10min.X 4 semanas), certo? Não querem rigor?! Até já pensei comprar um cronómetro!
A verdade é que a inspecção esteve na escola e apenas não gostou da designação “T.Sup”, por achar que é um tempo complementar (“T.Comp”) e não suplementar. Brilhante!
É Lúcio :)
ResponderEliminarObrigado Margarida. Beijo também.
ResponderEliminarNão sei se é assim, Pedro. Os estudos até dão uma excelente imagem dos professores junto dos portugueses. As campanhas antigas, de cobiça ao orçamento, do "tudo está mal na escola" é que tem sido um luta muito desigual. Quem defende os professores?
ResponderEliminarÉ Donatien: um tempo são quantos minutos? Com 60 minutos seria com os intervalos :)
ResponderEliminarLapidar Ana: "(...)A verdade é que a inspecção esteve na escola e apenas não gostou da designação “T.Sup”, por achar que é um tempo complementar (“T.Comp”) e não suplementar. Brilhante!". Doideira.
ResponderEliminarFica a sugestão: "Valha-nos um burro aos coices".
ResponderEliminarAbraço
Isabel
:) Isabel. Abraço também.
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