Avizinha-se outra vaga de devastação da escola pública e ninguém poderá dizer que não foi avisado.
A defesa da escola pública é há muito uma luta desigual. Como os resultados educativos são a médio e longo prazos, será tarde quando dermos conta da destruição. A agenda de "tudo está mal na escola" tem prevalecido e o argumentário dos ganhos inequívocos destas últimas décadas tem mais adversários do que defensores. O orçamento do sistema escolar é demasiado apetitoso e a lógica PPP´s já esgotou as outras áreas de consumo.
Os professores conseguiriam atenuar os efeitos da primeira vaga que ocorreu recentemente. Tento manter algum optimismo, mas verifico que a divisão entre grupos de docentes deu corpo a um dos principais objectivos da devastação: pôr grupos de cidadãos divididos e desmontar paulatinamente o essencial.
É isso que registo do rescaldo da última manifestação. Foram muitos e variados os que desejaram o insucesso da acção de luta. É quase incompreensível, mas é assim.
Esta situação não é nova. Em 2008 também se sentia a natural diversidade de ideias. Contudo, existiu alguma unidade no essencial e vejo razões para que se voltem a reunir vontades. Quem apenas se move quando os seus interesses particulares são atingidos deve perceber que regressámos ao ponto zero e que tudo é mesmo possível.
1- "Como os resultados educativos são a médio e longo prazos, será tarde quando dermos conta da destruição."
ResponderEliminarDe acordo.
2- "A agenda de "tudo está mal na escola" tem prevalecido e o argumentário dos ganhos inequívocos destas últimas décadas tem mais adversários do que defensores. O orçamento do sistema escolar é demasiado apetitoso e a lógica PPP´s já esgotou as outras áreas de consumo."
De acordo. Acrescento que parte da classe docente é, ela própria, muito responsável por esta visão, ao defender um tipo de ensino de tempos idos e ao ir alegremente no refrão do "eduquês", sem fazer qualquer reflexão sobre o conceito e misturando tudo, o que dá sempre menos trabalho e soa bem porque tem qualquer coisa de pseudo excelência e de profissionalismo.
3- "Foram muitos e variados os que desejaram o insucesso da acção de luta. É quase incompreensível, mas é assim."
De acordo. Lia há pouco num blogue de educação que o problema da manifestação teria sido o de Arménio Carlos ter falado, porque aquilo era cosa de professores.
a) A Fenprof faz parte da CGTP;
b) Os cortes e a política educativa em curso fazem parte de uma política geral do país, pelo que compreender o que se está a passar na educação passa por compreender a situação envolvente.
4- "Contudo, existiu alguma unidade no essencial e vejo razões para que se voltem a reunir vontades"
Estou a mudar de atitude. Estou farta de divisionistas, de vaidosos e de individualistas da treta.
Vou começar a marimbar-me para as uniões. Como na anedota da Teresa e do Bernardo: "Cá em casa há sexo todos os dias. Quem está, está; quem não está, paciência".
Chega.
Penso que a estratégia governamental de dividir para reinar se tem revelado profícua.
ResponderEliminarAs agressões aos profissionais da Educação, em particular aos professores que parecem ter sido escolhidos como o bode expiatório da Administração Pública, têm sido tão numerosas e diversificadas que não há apenas uma causa para a mobilização da classe docente, mas sim um excessivo número de causas. Na realidade, tratam-se antes de sub-causas, todas elas decorrentes de uma agenda política de desvalorização e esvaziamento progressivo da escola pública... se calhar porque é impossível privatizar a Escola (em sentido lato).
A verdade é que esta constante aspersão de causas sobre a classe docente tem servido para anestesiar muitos espíritos críticos, de tanta incredulidade que vão gerando, paradoxalmente. É frequente ouvirem-se dúvidas e desabafos como: "Que mais estará para vir?!", sendo que, se não reagirem, a inesgotável habilidade da tutela para aspergir substâncias tóxicas poderá asfixiar até a capacidade de desabafar dos professores, que às vezes fazem lembrar as crianças pequenas quando estão perdidas: sentam-se e choram.
Discordo do 4.
ResponderEliminarChega; sim, chega de divisões sem sentido.
Concordo Ana. É preciso levantar a cabeça.
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