Reparei que os pais estavam com alguma dificuldade em explicar aos dois miúdos, filhos provavelmente e com os seus doze anos, a primeira página do Correio da Manhã de ontem. Pareceram-me pessoas sensatas e a narrativa manteve a compostura. Mas tem sido assim nos últimos oito anos: não há semana, para não dizer dia, em que os professores portugueses não sejam desconsiderados por governantes ou fazedores de opinião e os órgãos de comunicação social perceberam que ampliar a desgraça dá audiências e boas vendas.
Há estudos de opinião que indicam que os portugueses têm em boa consideração os professores e depois há a eterna asserção que diz que são as pessoas que fazem as profissões e não o contrário. Mas sejamos objectivos: com o clima de desesperança e de pobreza que se instalou e com uma sociedade sempre a beliscar a profissionalidade dos professores, só se podem esperar maus resultados. Os alunos vão intuindo a coisa e nem a ingenuidade e a inocência próprias da idade fazem milagres.
Leia-se alguma coisa do tal exemplo finlandês.
Ao que julgo saber, o Correio da Manhã é o único diário lucrativo (fora os desportivos) e ao Sábado deve chegar a muitas mentes.
Talvez ao Sábado os mentecaptos estejam mais disponíveis para absorver toda a "desgraça ampliada" que lhes impingem...
ResponderEliminarE, depois, aquela foto. Enfim...
Enfim mesmo, Carlos.
ResponderEliminarO CM deve ter um estudo qualquer a indicar que quando lança capas a assustar os professores consegue aumentar as vendas desse dia.
ResponderEliminarSó assim se justifica que o CM tenha nos últimos tempos insistido tanto em notícias repetitivas que visam criar nos professores angústia e medo, sem que lá dentro do jornal sejam dadas novidades baseadas em dados concretos...
Também me parece e os últimos governos ajudam muito.
ResponderEliminarNem de propósito: o senhor do quiosque aqui da esquina disse-me, em jeito de brincadeira, que os professores vendem bem, quando são capa de periódicos. Só a palavra "sexo" em qualquer capa lhe dá mais lucro, acrescentou.
ResponderEliminarNão fora o protagonista da foto que acompanha a parangona ser tão pouco... apelativo! e quase faziam dois em um.
(Se não nos rirmos, mesmo com estas coisas tão sérias, faremos o gosto aos nossos governantes!)
:) :)
ResponderEliminarClaro Ana. Estamos habituados :)
Estava a olhar para uma banca de jornais numa área de serviço e ouvi a conversa que relatei. Os miúdos estavam uma bocado perplexos. Um professor nu de braços abertos, um polícia a sorrir e uma caixa de texto com "um abriu a caça aos professores" baralha um pouco os miúdos :) e depois, estão lá os despedimentos.