O poder tem horror ao vazio, os diversos espaços políticos estão preenchidos e em Portugal também (sem ser o fim da história, obviamente). Temos de tudo na régua ideológica: da direita radical à esquerda radical, passando pelas nuances mais aproximadas ao centro.
Nas últimas três décadas criámos um espécie de arco do poder e ostracizámos para a governação as esquerdas radicais, mesmo que com representação parlamentar, com a ameaça de que a sua presença governativa seria bancarrota pela certa. Somos quase únicos na Europa nesse domínio e talvez os gregos e os espanhóis nos acompanhem nessa discriminação.
Chegámos ao estado actual com o referido arco do poder. Essa governação, dita responsável, trouxe-nos para a falência. E se comecei o post com o facto do poder ter horror ao vazio, foi apenas a pensar que a direita radical está representada em termos parlamentares e governativos. Às tantas, até está bem inserida em todos os partidos do arco governativo. Por incrível que pareça, os tais da esquerda radical são os únicos a quem não se pode apontar o dedo todo. Mas que grande ironia, realmente.
Se o euro terminar em breve, ficamos a saber o que nos acontecerá. Os alemães já se estão a precaver e serão os únicos a ver a moeda valorizada. Portugal ficará no fim da lista, embora ligeiramente acima da Grécia para certificar a prosápia do inenarrável Passos Coelho. As poupanças de cada um cairão para metade e o resto da história será igualmente trágica.
A estratégia de colocar no mesmo saco todos os governos que tivemos nos últimos 30 anos só pega para os mais distraídos ou que se fazem de distraídos.
ResponderEliminarQuanto ao facto de não se poder criticar a esquerda radical porque nunca esteve no poder é mais que óbvia: o povo nunca lhes ligou muito; por isso é que nunca passaram dos 20% de votos nas eleições...
ResponderEliminarÉ verdade que os Governos dos últimos 30 anos não foram todos iguais. Guterres já fez o mea culpa. Aguardam-se os restantes.
E a tese sobre a direita radical? O CDS nunca teve 20 % (muito longe disso) e anda sempre por lá e até já têm submarinos no currículo. O PP de Manuel Monteiro (mais de Portas como se sabe) equiparava-se ao Le Pen. Os actuais radicais ideológicos que Governam (governam?) são mais radicais que os do Bloco (leiam-se os discursos do Olof Palme e Willy Brandt, por exemplo, e veremos se não parecem do bloco e se não estão muuuuuuuio afastados do arco do poder). E eu estou muito à vontade para escrever assim.
saída do euro? não consigo escolher
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ResponderEliminarClaro. É natural que não se consiga.
E da esquerda radical?
ResponderEliminarDe onde veio o durão barroso?E o crato?
Essa é a "esquerda"radical...Só me consigo lembrar de um assalto que houve ao largo do Caldas...Os revolucionários estarão por São Bento,por certo...
Na direita,claro...
ResponderEliminarNão fui tão atrás, claro. Esses são os extremos que se tocam, como se está a ver.
ResponderEliminarViva Paulo,
ResponderEliminarTenho que discordar fortemente da categorização que utilizas para arrumar os partidos com representação parlamentar.
Essa classificação simplista, que ostraciza nas franjas da radicalidade o BE, mas sobretudo o PCP, serve apenas para pintar com as cores "de esquerda" um PS que rejeita a ideia de que existem claros divergências de interesse entre a classe trabalhadora e o capital.
O apagamento dessas diferenças de classe e o acenar com um "elevador social" que apenas se limitou a cooptar para o campo do capital uma "task force" oriunda da classe trabalhadora, a quem iludiu com promessas e ilusões de pertença às elites, foi instrumental e levou-nos onde estamos.
Analisa, sem preconceitos, as propostas concretas do PCP e aponta nelas os radicalismos que encontrares. Aí, sim, será admissível utilizares a tua grelha de categorização. Duvido é que possas colocar os partidos nos mesmos sítios em que estão no teu post.
Abraço
F.
Viva Francisco.
ResponderEliminarCompreendo. É uma forma simplista que se usa como régua mas que tem as nuances que referi, principalmente a questão essencial: se o poder tem horror ao vazio, a direita radical sente-se representada.
O que também se deve reforçar, é que se a classificação radical serve para excluir então onde está a tal de direita?
Abraço.
Eu optaria por retirar a adjectivação de radical aos partidos, partindo apenas do seu posicionamento no hemiciclo parlamentar.
ResponderEliminarHá, efectivamente, um radicalismo nas orientações políticas que governam a Europa. Mas esse está situado ao centro do espectro partidário.
O fundamentalismo monetarista é partilhado em maior grau pelas direcções do PSD e até do PS do que por largas franjas do CDS, que se reclamam de um alegado humanismo cristão.
Concluindo, prefiro categorizar o CDS como direita, o PCP como esquerda e o PSD e o PS como uma gelatina pouco consistente, pretensamente apolítica e tecnocrática, que se limita a seguir as linhas orientadoras dos interesses económicos, mesmo quando estes percorrem os caminhos do radicalismo dos números contra as pessoas.
Sim. Falta aí o BE e está explicada a inclinação do arco do poder. Há um argumento que deixa de existir: a bancarrota só estava ao alcance de quem nunca governou.
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