domingo, 31 de março de 2013

do contraditório ao sei lá o quê

 


 


 


 


Batemos no fundo e a desorientação é natural. Estamos metidos numa encruzilhada, as teorias da conspiração não explicam tudo mas transmitem uma atmosfera de impotência. São cada vez mais os que advogam uma qualquer revolução, mesmo pessoas que pautam a sua actuação pelo equilíbrio e pela sensatez. O que é um facto é que o sistema triunfante, assente, como noutras ideologias, num clima de confiança, acabou por espalhar-se com estrondo na ganância e na corrupção.


 


Recebi um email com três pequenos textos sobre o regresso de J. Sócrates (JS) ao universo político nacional. Não fui confirmar se os escritos são verdadeiros e apenas reconheço Clara Ferreira Alves que tem ideias semelhantes às do texto com o seu nome.


 


Os governos de JS foram desastrosos para o sistema escolar e para a escola pública e quem se seguiu conseguiu esburacar ainda mais. Quanto às outras áreas não tenho opinião tão fundamentada, mas não percebo como é que alguém consegue elogiar quem foi desastroso só porque quem se seguiu ainda o é mais. Também não concordo com quem afirma que esta trágica direita regressou ao poder por culpa de quem ajudou a derrotar JS. JS é tão "determinado" e eucaliptal que não permitirá que lhe retirem os méritos: até das quedas. Quanto ao resto, JS tem o direito de fazer da vida o que bem entender.


 


São três textos bem elucidtivos da bancarrota.


 



Maria do Rosário Capoulas Santos

"Que vigarista mais despudorado! Como está a sentir que o caos está iminente, aí vem ele...rumo ao caos e à confusão, único sítio onde prospera. Isto só em Portugal! Em Paris nem para aluno o quiseram. O cábula! Aos (quase) 60 anos, nem ao exame foi, à boa maneira do cábula nacional. Segundo o Expresso, só o aceitaram com o Estatuto de observador, isto é, deixavam-no entrar e assistir às aulas e, caso tivesse aproveitamento (viram logo que nunca teria, o Bronco), davam-lhe o diploma. Como era esperado, o cábula nunca mais lá apareceu e assim acabou a carreira académica, da mesma maneira que a carreira profissional (lembram-se da vigarice dos projectos que ele assinava para receber 10%?), a carreira empresarial (lembram-se da Sovenco, a empresa que ele teve com a Fátima Felgueiras eo Vara e que rebentou em 6 meses?), ou a carreira política que terminou em grande apoteose com a bancarrota do país. Agora o vígaro do Relvas achou que podia aliar-se com este palhaço. Deus os fez, Deus os juntou..."


 


Clara Ferreira Alves, "Alguém para odiar" no Expresso

"(…) No ano em que soubemos que uma quadrilha de amigos do Presidente não paga o que deve ao BPN e temos nós de pagar por eles, milhares de milhões, as pessoas escolhem odiar Sócrates. No mês em que a nossa saída do euro está por um triz, as pessoas escolhem odiar Sócrates. Que lhes faça bom proveito.

O que extraí da entrevista? Algumas verdades. O Presidente é, de facto, menor e mesquinho. (…) Vi, ainda, que quem não deve não teme. Se Sócrates fosse o bandido que fugiu para Paris e para uma vida de luxo com o dinheiro que roubou no Freeport (campanha mais infame do que a da homossexualidade) não tinha regressado. Vi um homem de consciência tranquila. A pergunta que me interessava ninguém a fez. E a Europa? Desde que Sócrates se foi embora a Europa mudou, para pior. Portugal também, para pior. (…)"




Ferreira Fernandes




"Então, Sócrates voltou. Vou zurzi-lo. Um ex-primeiro-ministro de Portugal não dá explicações sobre como pode ir estudar dois anos para Paris. Parolos podem parolar sobre isso, mas gente da classe média que já teve filhos a estudar durante cinco anos em Paris sabe que isso é honestamente possível. Não se explica tal a um Octávio Ribeiro, diretor do CM, que insiste há meses com esse tema. Olha-se-lhe é para a cara dele e à pergunta que nela vem estampada ("E V. Exa toma mais alguma coisinha?") e responde-se: "Não, só a conta." E não se lhe deixa a gorjeta de uma explicação numa entrevista com jornalistas decentes. Tirando esse deslize, Sócrates foi moderado, criticou no PR falhas de solidariedade institucional. Ora com Cavaco um animal feroz levantaria outra coisa: aquele que é hoje o Presidente de Portugal ganhou de um banco, num ano, mais do dobro do que lá tinha depositado - e, depois de ter sido provado que o banco era de bandidos, não devolveu as mais-valias. Essa é a questão-chave, porque reconhecida e aceite, do desconforto dos portugueses com os seus políticos. Já com os chefes do Governo e da oposição, Sócrates limitou-se a mostrar, em contraexemplo, que Passos tem sido uma cucurbitácea, lá fora, e Seguro, um banana, cá dentro. Daí as minhas críticas por ele ir para essa coisa falsa que é político comentador político. Um político assim deveria ir ao congresso do seu partido e lutar pelo seu."



4 comentários:

  1. Olá Paulo. Boa Páscoa.
    Os textos são autênticos. Li-os todos, na imprensa escrita onde foram editados e assinados. A liberdade de opinião e expressão tem destas coisas. Muitas vezes se escrevem coisas com as quais discordamos. E às vezes estão bem escritas- E às vezes têm razão. Não há pensamento único. Nem sequer entre os professores, acerca da dimensão dos malefícios à escola pública no tempo de JS e ML Rodrigues. Eu acho que os seus comentários sobre essa fase, que teve, sem dúvida, vários problemas, não os consegue identificar com rigor e peca por superficialidade e até, com as devidas desculpas, por «fanátismo». Porém, continuo a ler o seu blog com gosto, a prezar e respeitar as suas opiniões. Maria Fernanda Fernandes

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  2. Olá Maria F. Fernandes. Obrigado e igualmente. Ainda bem que confirma a veracidade dos textos.

    Como escrevi, apenas conheço a Clara F. Alves e ouvi ontem no eixo do mal (SICN) algo parecido e portanto pereceu-me que não seria uma qualquer montagem. Escreve muito bem e muitas vezes concordo com ela. Publiquei estes textos exactamente pelo contraditório e pelos excessos e exageros próprios de um estado de bancarrota e desorientação (os três).

    Sinceramente, não percebo a sua insinuação sobre a liberdade de opinião e o pensamento único. Ou seja, o que mais me acusam os comentadores mais à esquerda é de ouvir toda a gente e o que mais me acusam os comentadores mais à direita é de ouvir toda a esquerda. Os sindicalistas acusam-me de ouvir os movimentos e estes de ouvir os sindicalistas.

    Vamos lá Maria: também tenho opinião e determinação e... boa memória.

    Não vou desfilar por aqui as críticas sobre a escola pública que estão documentadas em milhares de posts desde 2007. A Maria passa por aqui desde quando? É que até fiquei um bocado surpreendido. Não me vai obrigar a sugerir etiquetas e posts.

    Avaliação de professores (aquele monstro em que um dt seria pontuado pelo abandono escolar dos alunos no meio de centenas de descritores do mesmo desmiolado nível), gestão escolar (o actual modelo vem de 2008), titulares, estatuto do aluno, inferno burocrático (é coisa antiga mas Valter Lemos, e quiçá MRodrigues, acentuaram e muito), protecção da privatização de lucros de cooperativas de ensino (Isabel Alçada teve a coragem de baixar o financiamento por turma) e a Maria diz que não o fiz com rigor e fi-lo com superficialidade e fanatismo?!!!

    E há mais políticas que me fartei de detalhar e bem cedo. Foi aí por volta de 2006, 2007 que comecei a sentir o descalabro e desculpe-me armar-me em adivinho. Mas a Maria obrigou-me à legítima defesa :)

    Escrevi que este Governo esburacou mais a coisa. Pode argumentar que JS nada tem a ver com as políticas educativas e que confiou em M Rodrigues. Talvez. Recorde-se de 2005: MR acabou com a redução da componente lectiva para cargos e reduziu cerca de 15000 professores e transformou-se numa estrela financeira para uma gente que nada sabia de sistema escolar. Talvez a roda livre que se seguiu tenha sido desastrosa. Se JS nada tem a ver com isso, demarcou-se tarde demais. Quanto às outras políticas, doutras áreas, é como escrevi

    Obrigado por continuar a passar por aqui. O que vivemos é muito mau e não me cansei de avisar. Desculpe-me mais uma vez. Sempre disse que os governos de JS eram o que eram mas que a direita batia palmas e se voltasse ao poder arrasaria ainda mais. Está documentado Maria. Mas não me peça para ser fanático. Sou de esquerda, mas antes disso defendo a liberdade e a democracia e abomino quem exerce cargos públicos a pensar na vidinha e nada mais.

    Abraço.

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  3. «não percebo como é que alguém consegue elogiar quem foi desastroso só porque quem se seguiu ainda o é mais»

    Não creio que colocar tudo no mesmo saco seja benéfico. A questão não está em «elogiar», mas em constatar. O ataque à escola pública, na atualidade, faz com que as políticas de MLR ( e I. Alçada, que apenas tinha voz mais adocicada...) fossem uma brincadeira de crianças.
    Apenas um exemplo (mas poderiam ser muitos outros). Sei que a questão dos financiamentos ao ensino privado tem sido denunciada pelo Paulo. Lembra-se que MLR reduziu os financiamentos? Que até os «pobres pais dos alunos» alugaram uma avioneta para denunciar tal crime contra a educação? Lembra-se que este aspeto foi cavalgado sem que ninguém demonstrasse a razão que lhe assistia, e juntou-se aos outros aspetos fraturantes (titulares, avaliação de desempenho, etc), de forma acrítica (ou oportunista)como se a natureza fosse a mesma? E o que fez Crato, mal chegou? Aumentou os financiamentos destas escolas. Isto é, roubou ao ensino público (promovendo, nomeadamente, o maior despedimento coletivo de professores, da história) e entregou ao privado, E o que vivemos agora de mais grave ainda? A total apatia dos professores que creem que 'isto é tudo a mesma coisa'. Não é.
    Ñão leve a mal as minhas palavras, elas não são contra os seus escritos! Os quais aprecio, como já disse.
    Há quanto tempo visito o Correntes? Olhe, há por aí 2 anos... Aceito, portanto a sua crítica de precipitação da minha parte: muitas coisas escritas pelo Paulo, no período a que me referia, não li. Peço, portanto, que me desculpe. Poderá ter razão.
    Um bom resto de Domingo. Até breve.

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  4. Sim, Maria, concordo que não é benéfico meter tudo no mesmo saco. Mas elogiar alguém apenas porque quem se seguiu esburacou ainda mais é meter tudo no mesmo saco da falta de lucidez. É que, e como se comprova, é sempre possível descer mais um degrau na destruição.

    A frase que escolheu e que escrevi pode ser mal interpretada. Concordo.

    Não denunciei apenas os financiamentos aos privados. Fi-lo com a avaliação, com a gestão e por aí fora. Foi apenas por isso que lhe perguntei há quanto tempo lê o correntes. O blogue tem quase 10 anos e, como sabe, não é fácil repetir tanto mesmo que a força da razão nos obrigue.

    MR chegou demasiado tarde ao público-privado. Também critiquei fortemente essa campanha eleitoral das avionetas e concordo com o que diz de Isabel Alçada.

    Tenho escrito muito, e de forma assertiva, contra as políticas de Crato. Ainda agora li o seu último post e subscrevo (tb passo por lá com frequência :))

    Não levo nada a mal. Francamente. Gosto mesmo do contraditório e cultivo-o mesmo. Apenas me surpreendi por insinuar o "pensamento único" que é exactamente o que mais contestam por aqui: o facto de combater isso mesmo.

    Gosto mesmo da forma como escreve e dos seus argumentos.

    Um bom Domingo também e até breve.

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