terça-feira, 5 de março de 2013

tudo muito sistémico

 


 


Quando se nacionalizou o BPN, o argumento que mais pesou foi a possível corrida aos levantamentos bancários provocada pela incerteza e que originaria falências em catadupa: a tal crise sistémica.


 


A nacionalização absolveu milhares de milhões de euros de corrupção comprovada e o banco voltou à iniciativa privada por uns míseros milhões. Um negócio que a história retratará na sua monstruosa dimensão.


 


Mas não ficou por aqui. Os contribuintes das classes média e baixa tinham de financiar o aumento da dívida (para recebrem salários, imagine-se) provocada pela banca e os credores exigiam juros altíssimos: a celebre pré-bancarrota. Era necessário um Governo que perpetrasse o desfalque e o actual não teve com panaceias: cortou a eito, de forma instantânea e abundantemente elogiada.


 


A dívida portuguesa foi a mais lucrativa de 2012 (juros altíssimos e pagos a pronto pelos contribuintes, pensionistas incluídos) e a banca portuguesa conseguiu lucros invejáveis com a compra da sua própria divida. Estranho? Nem por isso. É tudo muito sistémico.


 


Mais uma detalhe: só faltava que alguns dos mentores bancários, agora pensionistas, andassem a gozar com as pessoas e integrassem as manifestações como "movimentos de reformados indignados". Os portugueses têm fama de serenos, mas testes de stress desta dimensão podem acabar mal.

3 comentários:

  1. "Filipe Pinhal foi, durante anos, administrador do BCP e mais tarde presidente da instituição, saindo após o escândalo das offshores do próprio banco, alegadamente para manipular as acções do BCP em bolsa. Esta é uma acusação feita a Filipe Pinhal e outros administradores em vários processos, nomeadamente pela Comissão de Mercado de Valores Mobiliários (CMVM), em que foi condenado e recorreu, com o julgamento a decorrer, e pelo Banco de Portugal, em que recorreu para o Tribunal Constitucional."

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  2. Hoje: "Durante a conferência de imprensa um bancário reformado insurgiu-se contra o movimento. “Vocês são execráveis. Estão aqui a fazer-se de coitadinhos, mas têm reformas milionárias. Estão a falar em números que me constrangem: 25 mil euros não vos chegam para viveram? Há muitas pessoas que vivem com 400 euros”, criticou Fernando Loureiro, antigo funcionário do BCP.

    “Vocês adulteraram os balanços do banco. Vocês não prestam, julgam-se uns deuses na Terra”, continuou exaltado, enquanto toda a sala - câmaras de televisão, máquinas fotográficas e microfones, incluídas – se voltava para trás."

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