quarta-feira, 17 de abril de 2013

arqueologia da fuga

 


 


 


 


 


Vou lendo alguns comentários de professores mais novos em idade que se manifestam a favor da não redução da componente lectiva para os professores com mais idade com o argumento de que não irão beneficiar dessa justa redução.


 


Seria melhor que se batessem pelo que consideram justo, a redução da componente lectiva com a idade, ainda por mais dois motivos principais: a eterna juventude é um mito e o desemprego com o fim dessa redução atingiria de forma ainda mais devastadora os professores mais jovens.


 


Os dados das aposentações nos últimos anos são inequívocos: os professores só esperam que a conjugação da idade com o tempo serviço lhes permita "fugir"; a penalização é secundária. O estado de sítio agravou-se com a revisão curricular, com o aumento do horário lectivo dos professores associado ao aumento do número de alunos por turma e à desmiolada organização do serviço docente.


 


Somos um país à deriva e governado por impreparados. Propalamos que a idade da reforma tem de passar para os 67 e provocamos a saída entre os 55 e os 60 convencidos que reduzimos a despesa e que aumentamos o emprego jovem. Está comprovado que não é assim e só temos agravado a atmosfera relacional nas escolas e o clima organizacional.


 


Em 2011 escrevi assim e não errei por muito:




(...)A redução da componente lectiva com a idade (algo que, com conhecimento, é possível em todos os ciclos de ensino sem aumento da despesa) é a solução justa em termos pedagógicos, profissionais e orçamentais. O ciúme profissional entre pares, o ciúme social, a ilusão da eterna juventude e outras coisa do género, reduziram essa regulação profissional. Assisti, incrédulo, a todo esse rol de desrespeito pela profissionalidade dos professores e percebi que pagaríamos mais tarde. Não tarda e teremos os reformados a descontarem para pagarem aos pares.

2 comentários:

  1. A recente "fuga" prova em grande medida aquilo que eu sempre defendi: um número de escalões remuneratórios muito inferior ao existente e com desigualdades salariais pequenas. E um ECD que permitisse uma redução da componente lectiva bastante significativa para permitir reduzir o desgaste físico e psicossomático da profissão. Além de que os professores mais antigos podem, na sua componente não lectiva, ter outra acção na escola e junto até de outros docentes mais jovens.

    O erro sempre foi "premiar" a antiguidade com salário e condições de trabalho. Estava-se mesmo a ver, mesmo em tempo de vacas gordas, que isso seria utilizado para criar solidariedade negativa e inveja dentro do corpo docente.

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  2. É Alt. Mas tudo isso não devia justificar determinadas posições. Vamos sempre a tempo de corrigir sem ser necessário tanto desvario.

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