Quem passa pelo blogue há mais tempo sabe que considero o conjunto de poderosas aplicações do Microsoft Office (pode ler os posts neste etiqueta) como inaptas para a gestão de informação em redes, seja numa escola ou noutra instituição. Advogo até a proibição.
O que não imaginava é que o FMI baseava as decisões que influenciam a vida milhões de pessoas no Excel. Bem sei que há decisores como o presidente do Eurogrupo (que está em sintonia com o FMI e com as políticas austeritaristas) que declaram mestrados falsos, mas numa Faculdade de Economia portuguesa os alunos já fazem a parte empírica dos mestrados com o SPSS. Pelo que se percebe, na celebrada Harvard produzem-se altos estudos mundiais estatísticos em Excel.
Mas a tragicomédia baseia-se num bug do excel que está a fazer correr muita tinta (pode ler aqui o arstechnica onde recolhi a imagem ou o JN). Há um erro na fórmula que sustenta as políticas de austeridade que têm arruinado as economias. O assunto é mesmo grave.
Como se vê na imagem, a fórmula para calcular a média inclui as linhas 30 a 49 da coluna L, mas a operação só considera as linhas 30 a 44. O que faz toda a diferença e nos leva a imaginar a competência das restantes decisões.
O Excel tem as suas limitações mas é um programa bastante útil.
ResponderEliminarO problema aqui não é do Excel pelo que não me parece que exista algum bug. É de alguém que por ignorância ou má-fé não usou as fórmulas correctas.
Concordo. A aplicação é excelente, mas não deve ser usada na gestão de informação em rede. Também na estatística, e na utilização das regressões lineares múltiplas, o SPSS é bem mais poderoso e utilizado.
ResponderEliminarTambém me pareceu que não seria um bug. Contudo, no arstechnica (onde tirei a imagem) diz que a fórmula foi lançada com as 20 linhas e no cálculo desaparecerem 5 e refere um erro de código como se vê na imagem.
Se foi ignorância ou má-fé é ainda mais grave (se é que se pode medir a gravidade em coisas destas).
Não sei se lhe interessa Jaculina.
ResponderEliminarO relatório refere o erro assim (o tal de bug):
Spreadsheet coding error
A coding error in the RR working spreadsheet entirely excludes five countries, Australia, Austria, Belgium, Canada, and Denmark, from the analysis.5 The omitted countries are selected alphabetically and, hence, likely randomly with respect to economic relationships. This spreadsheet error, compounded with other errors, is responsible for a −0.3 percentage- point error in RR’s published average real GDP growth in the highest public debt/GDP category. It also overstates growth in the lowest public debt/GDP category (0 to 30 percent) by +0.1 percentage point and understates growth in the second public debt/GDP category (30 to 60 percent) by −0.2 percentage point.
"Primeiro sozinho e mais tarde em conjunto com Pollin e Ash, Herdon descobriu várias fragilidades no estudo “Crescimento em tempo de dívida”, que se podem dividir em três grupos: selecção de dados, ponderação do peso e códigos de Excel."
ResponderEliminarBelisquemo-nos!
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