Agrupamentos escolares afastaram pais, alunos e professores
"(...)Menos autonomia e maior fosso entre os problemas e os decisores. Directores, docentes, pais e especialistas fazem um balanço negativo da agregação de escolas. Ultrapassar as situações de isolamento das escolas, articular os vários níveis de ensino e combater o abandono escolar. Eis alguns dos princípios que nortearam a criação dos agrupamentos.(...)"
Há anos que o balanço sobre os agrupamento de escolas é negativo e não só se insiste como se aumenta a escala. Ninguém pode dizer que não foi avisado para os maus resultados.
Mesmo que a divisão administrativa do país seja o caos que se conhece e que isso se arraste ao sistema escolar, criar outra estrutura orgânica para o MEC, e que envolva as escolas, exige, desde logo, outro modelo de gestão. Não se pode projectar um modelo destinado, bem ou mal, a uma escola não agrupada e querer que se faça a gestão de dezenas de instituições.
Desde os organigramas do modelo ao preconceito providencial que evangeliza as cores que têm governado, o balanço negativo era mais do que esperado.
E nem é tanto a questão do unipessoal ou do colegial (embora num país tão propenso ao caciquismo essa questão nunca se deva desprezar), é o facto de passado o período de instalação apenas a escola sede ficar com o Conselho Geral, com a Direcção, com o Conselho Pedagógico, com a maioria do coordenadores de Departamento Curricular (uma estrutura inútil), com a totalidade dos serviços administrativos (num país com tanto apoio social, esta ideia choca com a realidade) e por aí fora. Só mesmo quem esteja para remar contra muitas marés conseguirá inverter o caos. E será muito difícil que o unipessoal cumpra o que a lei projecta.
É evidente que tudo isto beneficia as cooperativas de ensino. Nos concelhos onde a lógica de mercado está ao rubro, o continuado descrédito das escolas do Estado é uma espécie de dádiva do arco do poder. E nem vou pelas teorias da conspiração. Limito-me à impreparação e à incompetência.
ResponderEliminar"Originalidades do sistema educativo português:
Os mega-agrupamentos.
A ADD inconsequente, burocratizante, punitiva.
O sistema de acesso ao ensino superior.
E não, não fazem parte nem da herança salazarista nem foram invenções dos tempos do PREC. São produtos genuínos do centrão que nos desgoverna há 3 décadas e exemplos claros da má qualidade das políticas educativas que têm sido seguidas.
Em comum, o economicismo de vistas curtas, a falta de um pensamento estratégico para a educação enquanto sector decisivo para o desenvolvimento do país e a cedência em toda a linha aos grupos de interesses e de influência que dominam a política partidária e a governação."
Tenho pena que a Escola Pública esteja como está e que os nossos governantes não queiram ver o evidente. Até parece que é mesmo o que pretendem: destruí-la. Foram minando o ensino público com titulares, modelo de gestão, mega-agrupamentos, AEC, ao mesmo tempo que as escolas com contrato de associação proliferavam quais cogumelos no outono.
ResponderEliminarO balanço é negativo mas isso não lhes interessa. Vão continuar a mega-agrupar. A avaliação ao anterior modelo de gestão era positiva e o que sucedeu? Acabou. Como tudo o que funciona bem. O mote é: "Funciona bem? É para acabar"
Por vezes, tenho escrito que este modelo de gestão inspirou-se no salazarismo e no PREC. Enfim.
ResponderEliminarNão sei se o Anónimo é o António Duarte (julgo que não, pois coloca o seu comentário entre aspas).
ResponderEliminarComo este comentário parece uma citação de outro colocado noutro blogue (A Educação do Meu Umbigo) pelo António Duarte, é melhor identificar o seu autor.
Resta-me dizer que subscrevo o comentário do António...
Por acaso, até se tem falado menos das AEC. Mas compreende-se. Há muitas crianças que já só se alimentam na escola.
ResponderEliminarTambém subscrevo Carlos. São só originalidades.
ResponderEliminarÀs vezes as pessoas queixam-se que não conseguem comentar nos blogues do sapo. Já simplifiquei a coisa e basta escolher a opção "não tem blog no Sapo", escolher um nome para assinar, escrever o comentário e clicar no botão publicar. Não percebo a dificuldade.
Paulo, as AEC, como funcionam mal (impossível funcionar bem!), é para continuar!
ResponderEliminarÉ verdade que cada vez há mais crianças que só se alimentam na escola. Mas almoço é almoço, AEC é AEC.
Estava a ser irónico, mas também a falar a sério e com tristeza. Pelo que vou lendo, há concelhos onde as crianças praticamente só se alimentam na escola.
ResponderEliminarE o lanche é ao fim da tarde.
ResponderEliminarA propósito da "febre" dos mega-agrupamentos: um dia destes a pátria acorda com a criação de apenas um só agrupamento, cuja configuração geográfica se situa entre Xinzo de Limia e Ayamonte.
ResponderEliminarAs (des)medidas da política educativa requerem, por parte dos professores, pais e alunos, uma atitude assertiva, rumo à reconstrução de um "edifício educativo" cuja centralidade se colocará na assunção e dignificação da escola pública.
Concordo que vai ser preciso reerguer e muito. Dá ideia que passamos a vida nisso.
ResponderEliminarTambém concordo contigo, Paulo. Há alguns tiques bem visíveis desses tempos.
ResponderEliminarA nossa democracia, a meu ver, nunca amadureceu completamente; ou então há uma tendência muito marcada para um certo "controleirismo" em muita gente...
É Carlos.
ResponderEliminar