terça-feira, 2 de abril de 2013

da subida do salário mínimo

 


 


 


 


 


A proposta da UGT, a que só a CGTP se opõe, que remete para o Estado o financiamento do aumento do salário mínimo com a redução da TSU, será mais uma história que explicará a encruzilhada em que estamos metidos.


 


O facto do secretário de Estado do emprego ser vice-presidente da UGT, a nomeação foi anunciada com o objetivo da concertação social e só é possível numa democracia em crise profunda, pode explicar qualquer coisa. Os últimos Governos do PS mantiveram uma promiscuidade inadmissível com sindicatos da Fenprof e o actual Governo exerce relações do género com sindicatos da FNE. A ausência de separação de poderes é grave para o Estado de direito, dei exemplos que conheço e é natural que se passem fenómenos semelhantes noutras áreas.


 


Ainda ontem se soube que em Espanha há relações muito pouco transparentes entre membros de Governos e chefes de sindicatos dos equivalente às duas centrais sindicais portuguesas e que envolvem milhões de euros.


 


Os ultraliberais de serviço, nas suas estafadas acusações de corporativismo, esquecem-se sempre do corporativismo (ler o post "da génese das corporações") das organizações patronais que parece incluir dirigentes sindicais. Este desequilíbrio é fatal para a democracia, como se comprova, e é denunciado desde o início até por quem pensou o liberalismo. Defender a liberdade individual, mesmo que até às últimas consequências, não significa usar o financiamento dos contribuintes para sustentar oligarquias com benesses ilimitadas.


 


 


 



 


 


Adam Smith (2010:179) em Riqueza das nações, Fundação Calouste Gulbenkian, Lisboa.

9 comentários:

  1. «Os últimos Governos do PS mantiveram uma promiscuidade inadmissível com sindicatos da Fenprof»

    Viva Paulo, o tipo de acusação genérica que está implícita na frase que transcrevo é de um injustiça a roçar o populismo anti"qualquer coisa", que nem quero acreditar que tenha partido de alguém que, como tu, é sindicalizado desde sempre.

    A alegada promiscuidade a que te referes, sendo factual, reporta-se a um sindicato concreto (de que ambos somos sócios) e a uma das facções que o governam desde 2006 - a ala PS que forneceu, nos últimos anos, diversos dirigentes da DRELVT.

    O que se passou com o dirigente que se transferiu da direcção do sindicato em Santarém para a 24 de Julho ainda hoje causa graves danos à imagem do sindicato, não só nesse distrito, mas em toda a área de influência do sindicato.
    Mas o que aconteceu mereceu severas críticas de muitos sócios do sindicato e até de uma parte significativa dos seus dirigentes. Quanto à Fenprof, não foi tida nem achada para este e outros casos que costumam vir à baila.

    O que custa, no meio disto tudo, é continuar a ouvir a "estória" de que é o PCP quem instrumentaliza os sindicatos.
    Na verdade, quem sempre usou os sindicatos da UGT/Carta Aberta na luta partidária foram o PS e o PSD, como se percebe quando vês a origem de parte substancial do pessoal político em ministérios como a Educação, o Trabalho ou a Segurança Social.

    Desculpa o reparo, mas sei que és capaz de ser muito mais rigoroso
    Abraço
    F.

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  2. Viva.

    Lê o que escreveste, mas lê bem e depois volta a ler o post (mas com atenção).

    A frase que destacas, incomoda-te porque refere a FENPROF e até me acusas de populismo. Para justificares a classificação, concordas com tudo o que escrevi e ainda reforças. Que raio de coisas. Ou seja, se em vez de FENROF tivesse escrito SPGL para ti estava tudo bem. Como ninguém me garante que noutros sindicatos da FENPROF não aconteceu o mesmo (o SPN forneceu uma inenarrável DREN, por exemplo, e li em tempos umas coisas da Madeira que enfim...) preferi FENPROF para não errar. Sabes, decerto, muito mais sobre isso do que eu.

    Nunca me lês a dizer que é o PCP que instrumentaliza os sindicatos. Estou em crer que não escreveste isso a partir do meu post. Se o fizeste, quem equipara a FENPROF a PCP és tu.

    Faz lá as leituras que sugeri e diz coisas. Bem sei que estamos em bancarrota, mas convém manter alguma serenidade, sensatez e justiça.

    Abraço também.

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  3. Viva.

    Lê o que escreveste, mas lê bem e depois volta a ler o post (mas com atenção).

    A frase que destacas, incomoda-te porque refere a FENPROF e até me acusas de populismo. Para justificares a classificação, concordas com tudo o que escrevi e ainda reforças. Que raio de coisas. Ou seja, se em vez de FENROF tivesse escrito SPGL para ti estava tudo bem. Como ninguém me garante que noutros sindicatos da FENPROF não aconteceu o mesmo (o SPN forneceu uma inenarrável DREN, por exemplo, e li em tempos umas coisas da Madeira que enfim...) preferi FENPROF para não errar. Sabes, decerto, muito mais sobre isso do que eu.

    Nunca me lês a dizer que é o PCP que instrumentaliza os sindicatos. Estou em crer que não escreveste isso a partir do meu post. Se o fizeste, quem equipara a FENPROF a PCP és tu.

    Faz lá as leituras que sugeri e diz coisas. Bem sei que estamos em bancarrota, mas convém manter alguma serenidade, sensatez e justiça.

    Abraço também.

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  4. Será que é mais legítimo contestar a versão "de que é o PCP quem instrumentaliza os sindicatos" (subjacentes os afectos à FENPROF, com certeza) ou a versão de que "quem sempre usou os sindicatos da UGT/Carta Aberta na luta partidária foram o PS e o PSD"?!
    Dependerá das perspectivas, claro!
    Mas é preciso ser coerente na argumentação.

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  5. Convém relembrar as palavras do ministro do trabalho do PS, Maldonado Gonelha (um dos homens da carta aberta): é preciso quebrar a espinha à CGTP. Ainda hoje andam a tentá-lo, seja por fora, seja por dentro, porque é preciso não esquecer que sempre houve socialistas nos sindicatos filiados na CGTP.

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  6. paulo guilherme trilho prudêncio3 de abril de 2013 às 14:12


    Lembro-me disso. Também temos de considerar o contexto, claro. Parece-me secatrista essa forma de classificar as pessoas, embora se deve reconhecer que os militantes do PCP são mais disciplinados e não têm, em Portugal, o "pecado" governativo directo no poder central. Já agora: quem é que assinou o entendimento entre o Governo e os sindicatos de professores em 2008 a propósito do monstro de avaliação?

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  7. Tal como defendi na ocasião, os termos do acordo eram positivos para os professores, uma vez que não existiam condições objectivas para a substituição da ministra e, mesmo que esta fosse substituída, fazer cair o governo e mudar completamente a política neoliberal que estava a ser posta em prática.
    Tudo o resto não passou nunca de wishfullthinking

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  8. Não foi bem assim. O entendimento que seria reavaliado um ano depois implodiu muito antes porque quem sofria na pele o que se praticava não estava na mesa de negociação. A história está feito e olhemos em frente.

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