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A propósito da revolução em curso da extrema-direita - assente em demagogia e desinformação e com o voto de protesto de descontentes e injustiçados -, recorde-se os teóricos da simcult (“na simcult o essencial é o nada e o nada é o essencial” ou “a simcult é um simulacro de sociedade baseada em espectáculo, espaço e velocidade”): a revolução, na actualidade, pode ser tão rápida que nem damos conta.
E há sinais da contra-revolução? Há sempre sinais. Podem aparentemente não ter força, mas os Países Baixos, há dias, e os EUA, ontem, reforçam a possibilidade. Claro que nunca se sabe se uma contra-revolução será tranquila, mas espera-se que sim e igualmente rápida. Desta vez, percebe-se que as personagens da ideologia ultraliberal estão mais carregadas, que os seus teóricos renascem diariamente debaixo de quase todas as pedras e que ocupam o espaço mediático. E se muito do mal não é reparável, e se é mais rápido e fácil destruir do que construir, há duas irrefutabilidades sobre o que é revertível: não será com a mesma velocidade da queda, mas não depende de vontade divina.
Lembrei-me de José Bragança de Miranda em Queda sem fim, seguido de Descida ao Maelstrom de Edgar Allan Poe.
"(...)Com efeito, a tecnologia que foi introduzida para viabilizar a estruturação interna do mundo, ao mesmo tempo que se tornava indispensável para resolver problemas políticos, de justiça, económicos e outros, acabou por fazer da técnica algo incontornável, levando-nos a um ponto de não retorno. Hoje já não é possível voltar atrás, ilusão ainda forte dos "neoludditas" actuais, porque se alterou profundamente as condições da experiência. Como dizem Taylor e Saarinen, criou-se uma mediatrix por uma espécie de revolução despercebida. Dizem os autores de Media Philosophy: "Velocidade, velocidade e mais velocidade. Seria possível uma revolução ter lugar tão rapidamente que ninguém desse por ela?", cuja regra seria: "Na simcult, quem não for rápido está morto"(...)"
Fotografia de Marek Kokusin - Minimalista Photography





