Há profissões mais expostas ao juízo imediato do público e a de professor ocupa o lugar cimeiro. Em regra e em cada hora escolar (ia escrever os minutos mas no nosso sistema isso é do domínio da física quântica), duas dezenas de crianças ou jovens são severos juízes da profissionalidade dos professores.
Agora imaginem se o público anda há anos a fio a ouvir diariamente que os professores trabalham pouco, que não querem ser avaliados e que nunca o foram em trinta anos de democracia, que recebem euros a mais para o que trabalham, que vão fazer greve injustamente, que se manifestam a torto e a direito, que são colocados a centenas de quilómetros de casa e que vivem quase na miséria, que milhares vão para o desemprego qualquer que seja a idade e podia ficar a noite toda a elencar a tragédia. Podemos até imaginar os comentários da maioria dos encarregados de educação quando passam essas notícias.
Imagine que os médicos, por exemplo, passavam por algo semelhante. Qual seria a relação de confiança que se estabeleceria entre os doentes e os profissionais de saúde? O mais grave é que o público dos professores é jovem e apenas a enorme capacidade destes profissionais vai permitindo que o sistema continue a respirar. É evidente que se reconhece que os alunos desprezam muita dessa informação. Os professores, e os funcionários públicos em geral, mereciam outra consideração.
Nem mais. Não posso concordar mais com o texto. Os professores são heróis diários Paulo Prudêncio.
ResponderEliminarÉ verdade que somos das classes profissionais mais escrutinadas pela opinião pública. Contudo, os estudos de opinião dizem que somos dos mais bem vistos, mas esse destaque de pouco nos serve.
ResponderEliminarConvém não esquecermos que o "ataque" que vimos a sofrer desde os tempos de MLR em muito se deve às décadas de autêntico "regabofe" que imperou na nossa classe. E os sindicatos foram dos principais responsáveis pelo péssima imagem que foi passando para o opinião pública e publicada durante muitos. Só não vê isso quem não quer...
Oh homem! Deixe-se de tiros no pé. E a inveja social e o fato dos professores serem muitos?
ResponderEliminar"... estudos de opinião dizem que somos dos mais bem vistos (...) péssima imagem que foi passando para a opinião pública..."
ResponderEliminar???
Corre por aí uma notícia sobre um Colégio caldense- Rainha D. Leonor.
ResponderEliminar"Boa noite!
Venho por este meio relatar e denunciar mais uma iniciativa do Colégio Rainha D. Leonor que atropela os direitos básicos do pessoal docente desta escola (o que infelizmente não é novidade no Grupo GPS)…
Este Sábado no colégio, tem lugar a iniciativa “CRDL ALIVE” , supostamente dinamizada por alunos do 12.º ano , com início previsto para as 22 horas e que terá o seu final às “10.00 horas” do dia seguinte…
Estarão a atuar bandas e DJ´s “All Night Long” , os alunos pagam 2€ de ingresso e os acompanhantes 4€ … fundos que reverterão para a organização do Baile de Gala da Escola …até aqui nada de novo … porém aos professores desta escola, foram destinadas por escrito, pela Direção Pedagógica tarefas durante toda a noite , com escalas ou turnos de 2h de duração …
POR EXEMPLO das 2.30H às 4.30H / 4.30H às 6.30H, etc..
assim as tarefas de vigiar alunos no recinto escolar, zona de concertos, zona de tendas, controle das redes durante a noite (para evitar a entrada de bebidas e outros produtos menos aconselháveis) , quartos de banho. etc …será que esta situação pode passar despercebida … será que vale tudo em prole do marketing externo?
Qual a função dos professores afinal?
A escravatura já não pode passar despercebida. …Professores na tarefa de vigilantes noturnos… em turnos de duas horas, em pleno fim de semana!!! Docentes que dificilmente arranjarão colocação no sistema público de ensino e que sob coação e o terror do desemprego tudo fazem e a tudo se rebaixam … até quando?!!
Atenciosamente"
O comentador Pedro é um baralhado. Não sei se é professor, mas mais parece um anti-professor disfarçado e moralista.
ResponderEliminarOs estudos de opinião têm dito que os professores estão em boa consideração na nossa sociedade; é verdade que sim, Pedro e a contradição do que escreves é bem sublinhada pelo Carlos. A tal má imagem que se tem tentado passar é mais uma criação da agenda anti-escola pública.
ResponderEliminarSou professor há cerca de trinta anos e nos mais variados pontos do país.
Convivi com uma legião de professores dedicados e que foram muito para além do que lhes era exigido. É muito injusto reduzir tudo isso a uma minoria com menos profissionalidade (como, de resto, em todas as profissões) ou sequer à acção dos sindicatos (que muito contribuíram para o avanço civilizacional das profissões).
Já recebi esta informação e espero que confirmem a veracidade do que é escrito no anonimato.
ResponderEliminarSe for verdadeiro, é no mínimo estranho que quem está a ser tão escrutinado continue neste registo.
Concordo.
ResponderEliminarSubscrito Paulo.
ResponderEliminarUma vergonha!!!!
ResponderEliminarMuito simples! É só prestar atenção ao tempo verbal...
ResponderEliminarA diferença entre o passado e o presente:
- durante anos e anos passámos uma péssima imagem da nossa classe (em grande medida devido aos sindicatos);
- actualmente (apesar dos cortes e da contestação, sobretudo da que foi feita sem os sindicatos) somos das classes profissionais que merecem melhor confiança junto da sociedade.
Também é preciso não esquecer que essas “décadas de regabofe”, se é que podem chamar-se assim, remontam aos tempos de Cavaco Silva como primeiro ministro de um Governo PSD, quando começou um verdadeiro “boom” de funcionários na administração pública e nas empresas públicas, os tais que agora se consideram excessivos.
ResponderEliminarFoi também com ele que a partidarização dos cargos públicos, sem o critério do mérito ou da competência, ganhou os contornos que tem hoje, os famosos “jobs for the boys”.
E também é desse tempo a incapacidade de usar eficazmente os fundos para a formação profissional, de levar a cabo uma reforma do sistema de ensino que privilegiasse as necessidades da sociedade e da economia e que promovesse realmente a qualificação dos portugueses, tão abaixo da média europeia.
Portanto, quando se fala da classe docente e da “péssima imagem que foi passando para a opinião pública”, é preciso um bocadinho mais de seriedade, apontando as responsabilidades a quem competiu delinear os caminhos da Educação e não a quem tentou gerir as sucessivas “experiências laboratoriais” que foram sendo implementadas (os sindicatos), goste-se ou não do trabalho que foi sendo feito, algum bem passível de crítica e reprovação, sim.
Se “é verdade que somos das classes profissionais mais escrutinadas pela opinião pública”, também é verdade que somos das mais auto-destrutivas, com muitos dos seus membros a darem constantes “tiros nos pés”, principalmente quando surgem em ambientes públicos, visitados por gente indiferenciada (como os blogues, as redes sociais, etc) a reclamarem alterações para a classe que indiciam inveja social no seu próprio seio, como a sugestão da redução dos escalões na carreira, dos montantes auferidos ao longo das várias etapas da carreira, dos horários de trabalho atribuídos consoante a antiguidade na carreia...
Se “os estudos de opinião dizem que somos dos mais bem vistos”, há com certeza toda uma opinião pública madura que avalia a classe pelo seu verdadeiro desempenho no terreno, ou seja, com conhecimento de causa, e não apenas pelas manchetes dos jornais ou pelas publicações no ciber-espaço, muitas delas deturpadas, ressabiadas e ruidosas.
Não lhe parece, Pedro?!
"Actualmente" deve significar, provavelmente, desde que o Pedro começou a leccionar. Foi uma verdadeira lufada de ar fresco na profissão...
ResponderEliminarVocê é um verdadeiro fenómeno.
(Mas por que estou eu a perder tempo?!?)
O homem é um fenómeno do Entroncamento sem fair play.
ResponderEliminarDiscordo dessa análise simplista e demasiado parcial Pedro.
ResponderEliminarConcordo Ana. Obrigado.
ResponderEliminarEsse comentador Pedro não é professor...
ResponderEliminaré um sindicalista minoritário disfarçado...
O Pedro é prof . de Geografia e grande consumidor de sumo de laranja. Tem sempre uma desculpa para a atuação do governo. A culpa é sempre dos outros.
ResponderEliminarQualquer dia vamos conhecer o Pedro num importante cargo.. diretor ...assessor...secretário de estado... quiçá ministro!
Os bajuladores, os sem caracter, os vendidos, os populistas, os dogmáticos, lá vão andando. Isso tem dominado e os resultados estão à vista. As pessoas sérias, com provas dadas afastam-se do pântano que mete nojo a todos os níveis - local e nacional.
ResponderEliminarHomessa!
ResponderEliminarEntão o autor da missiva publicada entre aspas, supostamente docente do CRDL, não ficou elucidado com a justificação que as altas patentes da Administração GPS fizeram questão de levar a cada escola? Então não percebeu que os docentes trabalham ao sábado, domingo e feriados, e pelos vistos em horário noturno, porque são eles próprios que querem dar visibilidade à escola e, assim, contribuir para captar e fidelizar alunos, com o objetivo único de assegurar o seu posto de trabalho? Do mesmo modo que pintam paredes, colocam quadros, entre outras coisas, apenas porque querem para a sua escola o melhor?
Não devemos ter percebido bem a missiva. Afinal, a reportagem da Ana Leal devia era chamar-se "dinheiros privados ao serviço do público", porque uma entidade patronal que permite gerir desta forma os seus recursos só está preocupada em não aumentar a taxa de desemprego e dar as melhores condições a quem trabalha nas suas escolas. E, obviamente, os professores hão de receber tudo a que têm direito, quer seja o trabalho letivo e não letivo, quer seja o trabalho noturno. Aliás, segundo dizem, este até tem sido pago a alguns colaboradores em géneros: cargos administrativos, carros ou computadores. Se lhe sair um Ipad por duas horas de vigilante noturno, aposto que vai aplaudir!
A Fernanda Alves confirma o tal relato entre aspas?
ResponderEliminarO Pedro é professor de geografia, posso confirmar.
ResponderEliminarSeré professor mas nos blogs por onde passa deixa um rasto que indigna a maioria dos colegas.
ResponderEliminarOs professores reformados não têm descanso. Era inimaginável um governo a encarniçar-se contra um grupo de pessoas com uma vida de trabalho.
ResponderEliminarNão nos deixam descansar.
A APre funciona como um anti-depressivo.
Bem hajam pela vossa acção.
Muito obrigada. Seremos sempre poucas a gritar bem alto os direitos das reformadas e pensionistas.
ResponderEliminarDisponham.
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